02/09/2014

Regulamento para o Bairro Azul está a ser preparado há cinco anos

Movimento cívico defende que a publicação do regulamento é essencial para preservar conjunto de interesse municipal
In Público, 2 Setembro 2014

O Fórum Cidadania Lx enviou nesta segunda-feira uma carta à Câmara de Lisboa, exigindo a aprovação de um regulamento para o Bairro Azul, de forma a preservar a arquitectura da zona e os seus elementos técnicos e decorativos.

Segundo este movimento cívico, o documento está a ser produzido pelos serviços camarários desde 2009, ocasião em que este bairro da freguesia das Avenidas Novas foi considerado como conjunto de interesse municipal.
De acordo com os 15 signatários da carta, “a inexistência de tal regulamento tem permitido a continuação de uma série de descaracterizações, que se traduzem na desfiguração de várias fachadas e de muitos dos interiores dos edifícios abrangidos pela classificação”.
O Fórum Cidadania Lx refere ainda a “destruição de estuques, substituição de candeeiros e elementos decorativos dos ‘hall’ e das escadas", bem como a "substituição anárquica das caixilharias (em madeira e ferro) dos vãos, alteração de claraboias originais, e ainda "a ocupação ilegal de logradouros e a instalação de esplanadas sem cuidado pela estética do bairro”.
O grupo pretende, assim, que o regulamento venha a preservar a arquitectura do Bairro Azul, os seus elementos técnicos decorativos, nomeadamente a cércea, a tipologia de apartamento, os materiais e desenho de fachadas e interiores e os logradouros.
Para isso, defende, deverá ser feita a demolição de acrescentos ilegais, a regulamentação das obras de alterações de interiores e a manutenção de portas e montras originais.
O Fórum Cidadania Lx, citado pela Lusa, solicita também a “retirada dos cabos das fachadas, das diversas operadoras de telecomunicações que poluem visualmente todo o bairro”, a “requalificação dos cafés e restaurantes, e das respectivas esplanadas e/ou ‘amarquisados’, designadamente disciplinando a ocupação do espaço público”, assim como “a requalificação dos toldos e reclames dos estabelecimentos comerciais do bairro”.
O Fórum Cidadania Lx alerta ainda para edifícios que estão “em avançado estado de degradação pondo em perigo a segurança de pessoas e bens”, situados nos números 6 e 18 da Rua Fialho de Almeida, números 9 e 33 da Avenida Ressano Garcia e número 173 da Avenida António Augusto de Aguiar.
“O Bairro Azul é um conjunto urbano de grande valor cultural, uma mais-valia para as futuras gerações que todos temos a obrigação de salvaguardar - e esse trabalho tem de ser feito por todos nós e agora”, conclui o grupo.
A agência Lusa tentou hoje obter esclarecimentos por parte da Câmara de Lisboa, mas não obteve resposta.


Passadeiras de Lisboa: Rua Palmira


Rua Luis Pinto Moitinho / Rua Palmira

01/09/2014

Um Dia Como Outro

Um dos grandes mimos de viver tão central como eu vivo é permitir-me caminhar até qualquer destino de relevância (porque os tenho perto) e nem duas estações de metropolitano com acesso à linha verde e vermelha visíveis das minhas varandas me demovem das minhas caminhadas.
Hoje, um dia como qualquer outro, passava pela Praça de Londres e, tendo avistado um Polícia Municipal montado no seu Segway, não resisti em começar este pequeno diálogo:
- Importa-se de me informar se aqui é possível estacionar? - perguntei retoricamente, não soubesse eu que os três (!) sinais de proibição de parar e estacionar na parcela em frente ao malogrado cinema Londres e de uma conhecida e concorrida loja de comida de plástico impedem determinantemente o estacionamento.
- Sim, é... - o polícia respondeu, prontamente, como se dezenas de carros estacionados precisamente alí não consubstanciassem uma clara transgressão constituindo, nos limites das suas obrigações profissionais, uma ordem gritante para agir na reposição da legalidade.
- E o que me diz destes carros aqui estacionados, aliás a qualquer hora do dia ou da noite?!
- Pois, estão sempre aqui... o que fazer?
- Mas se o senhor não pode fazer nada quem poderá? - estava atónito com a posição do polícia que se equilibrava naquela geringonça orgulhosamente, como um adolescente com um brinquedo radical na mão.
- Eu por vezes até multo, mas estão sempre aqui... - apelava ele à minha comiseração pelo seu trabalho tão mal-compreendido - e depois somos insuficientes.
- Mas se sempre estão aqui bastava mandar um de vocês assiduamente e certamente fariam o dia - dei por mim a dar soluções, não de base legalista, mas antes economicista, que nos tempos que correm...
A resposta dele, que não vou reproduzir, deu-me a entender que não tinham ordem das chefias (cof, cof)
- Olhe que por vezes até estão em segunda e terceira fila, em plena faixa central! - pensei que esta informação o iria chocar tanto como a mim.
- Ah! Mas aí eu por vezes multo, de alto a baixo - que orgulhoso estava por me mostrar que sabia fazer uso das prerrogrativas que o seu cargo pressupõe!
Escusado será dizer que enquanto ele arrancava ligeiro naquela "coisa" de duas rodas eu não consegui deixar de pensar que ele multava os estacionados em segunda fila, mas os outros junto ao passeio não... faz sentido!
Já de volta a casa, pela Avenida Casal Ribeiro, um pé colocado nos imensos desníveis dos passeios levou-me a fazer um passo de dança moderna e a equilibrar o saco das mercearias no ar. Não caí! Assim como não caí no dia anterior, na Avenida Guerra Junqueiro.
Os passeios de Lisboa são um desafio constante ao traseunte: se não são os desníveis de obras novas, de obras velhas, ou simplesmente por mau uso, sãos os buracos, as caldeiras de árvores, os pilaretes rasteiros, as publicidades, as paragens, os contentores do lixo deixados no meio do passeio...
Entretanto avistei um casal de estrangeiros a olhar para cima. Não me pareceu que fosse um pássaro, um avião ou mesmo o super-homem. Era o n.º 14. Magnífico edifício Arte-Nova tardio, levou um daqueles tratamentos de demolição de interiores com construção de uma excrescência em vidro espelhado.
Ao passar por eles ouvi:
- Horrible!
Bem Vindos a Lisboa!

Em Singapura os idosos controlam as passadeiras


Em vez de terem de correr para atravessar a rua e evitar um atropelamento, os idosos de Singapura têm um cartão que lhes permite aumentar até 13 segundos o semáforo vermelho dos automobilistas.
 
Em Singapura, idosos e pessoas com dificuldades físicas têm direito a mais tempo para atravessar a rua. Tudo graças a um cartão atribuído pelas autoridades do país. Para ganhar uns segundos extra basta passar o cartão nos sensores dos semáforos. Desde 1970 que a idade média da população de Singapura duplicou, passando dos 19,5 para os 38,9 anos. O número de idosos aumentou, num país com uma das mais altas densidades populacionais do mundo e onde atravessar a rua pode ser uma verdadeira dor de cabeça devido ao trânsito.
Com o projeto “Green Man Plus”, as autoridades responsáveis pelos transportes de Singapura permitem que estas pessoas tenham em média mais seis segundos para atravessar a passadeira. Em ruas mais longas, o tempo extra é de 13 segundos.
 
Land Transport Authority vai expandir o projeto a várias passadeiras até 2015, num total de 495. Se a medida chegar a Portugal, os automobilistas podem ter de esperar bem mais pela abertura do semáforo. Com uma população cada vez mais envelhecida (a idade média dos portugueses é mais alta que a dos habitantes de Singapura, estando nos 42,6 anos), haveria muitos cartões para distribuir.

Bairro Azul - Regulamento é URGENTE - Apêlo ao Vereador Manuel Salgado


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Na sequência das declarações de V. Exa. à imprensa, em Julho passado, dando conta de que "são precisos oito mil milhões para reabilitar e conservar Lisboa", sendo uma das áreas críticas, na sua perspectiva, e bem, a zona das Avenidas Novas; solicitamos o melhor interesse de V. Exa. para:

1. A necessidade da CML produzir, finalmente, o tão aguardado e necessário Regulamento para o Bairro Azul, que está por produzir pelos Serviços da CML desde que o mesmo foi classificado como Conjunto de Interesse Municipal em Junho de 2009.

Recordamos que a inexistência de tal Regulamento tem permitido a continuação de uma séria de descaracterizações, que se traduzem na desfiguração de várias fachadas e de muitos dos interiores dos edifícios abrangidos pela classificação, por via da colocação de elementos espúrios, destruição de estuques, substituição de candeeiros e elementos decorativos dos “hall” e das escadas, etc., bem como pela substituição anárquica das caixilharias (em madeira e ferro) dos vãos, alteração de clarabóias originais, bem como pela ocupação ilegal de logradouros, e a instalação de esplanadas sem cuidado pela estética do Bairro, etc.

2. Solicitamos a V. Exa. que esse Regulamento tenha por objectivo:

a) A preservação da arquitectura do Bairro Azul, do tipo de ocupação, dos seus elementos técnicos e decorativos (cércea, tipologia de apartamento, materiais e desenho de fachadas e interiores, logradouros), valores patrimoniais que no seu conjunto diverso mas coerente levaram precisamente à sua classificação, pugnando por:
· Planear a demolição dos acrescentos ilegais que existem em algumas das coberturas e varandas de edifícios da área classificada (marquises, aparelhos de ar-condicionado, etc.);
· Regulamentar as obras de alterações de interiores, proibindo as que desvirtuem seriamente os projectos originais, como sejam a destruição da organização interna com demolições de paredes (ex: fecho de comunicações entre marquises, entre escada e quarto independente, etc) assim como a obstrução dos tectos de estuques Art Deco com novos tectos falsos, e a substituição das portas de madeira maciça originais;
· Organizar a informação, sensibilização e incentivo aos proprietários para que as caixilharias dos vãos sejam, preferencialmente, em madeira e côr azul (após devida pesquisa das cores originais), com portadas interiores de madeira, sem estores de caixa exterior;
· Manutenção das portas e montras originais, com eventual reconstituição das que já tenham sido destruídas, incluindo as ferragens e os puxadores;
· Organizar a informação, sensibilização e incentivo aos proprietários para que os átrios e as escadas sejam devidamente mantidos, com as madeiras, cantarias, e corrimãos de origem, assim como as grelhas de ventilação em metal cromado(replicadas nos casos de furto), e especial atenção devemos dar aos candeeiros dos átrios e das escadas (nos casos já desaparecidos por furto ou alteração, promover a substituição por replicas ou modelos que melhor se integrem na estética Art Déco/Modernista do Bairro);
· Organizar a informação, sensibilização e incentivo aos proprietários para que as clarabóias e as marquises sejam conservadas e mantidas em ferro e vidro, reproduzindo o desenho original, caso se verifique que o seu estado é irrecuperável; e se mantenham e recuperem as escadas de incêndio originais, ou, caso as mesmas estejam irrecuperáveis, por réplicas o mais próximas possíveis.


b) Promover uma séria reflexão sobre a melhor forma de integrar elevadores nestes edifícios, para que se evitem impactos negativos no espaço das caixas de escadas como se tem vindo a assistir nos últimos anos (ver péssimo exemplo instalado no edifício da Rua Ramalho Ortição, 5). (A este propósito sugerimos à CML que desafie os cidadãos através de um concurso de ideias para a concepção de elevadores nos logradouros como alternativa, por exemplo, em colaboração com a Trienal de Arquitectura.)

c) A desocupação dos logradouros.

Sobre este particular, sugerimos à CML o arranque de experiências-piloto nos logradouros das traseiras dos edifícios da Rua Fialho de Almeida (nºs pares) e da Av. Ressano Garcia (nºs ímpares), incentivando a demolição dos abarracados de alguns deles, e permitindo que os mesmos voltem a ser verdes, pela não impermeabilização dos solos, promovendo a arborização, com árvores de médio porte, pequenas hortas e jardins. d) Promover a retirada dos cabos das fachadas, das diversas operadoras de telecomunicações que poluem visualmente todo o Bairro.

e) A requalificação dos cafés e restaurantes, e das respectivas esplanadas e/ou "amarquisados", designadamente disciplinando a ocupação do espaço público, assim como qualificando esteticamente através do uso de toldos neutros, sem publicidade, mobiliário de qualidade (ex: cadeiras de modelo “Gonçalo”); deve ser estudada também uma forma de delimitar fisicamente as esplanadas (ex: recurso a vasos com flores/arbustos).

f) A requalificação dos toldos e reclames dos estabelecimentos comerciais do Bairro, com recurso a regras com critérios estéticos mais exigentes, evitando assim o caos criado por modernizações administrativas bem-intencionadas mas mal calculadas como o "Licenciamento Zero"; bairros classificados como este não podem continuar a ser sujeitos aos males provocados pela ausência de critérios de materiais e cores.

3. Finalmente, alertamos V. Exa. e os Serviços do Pelouro do Urbanismo para a necessidade de obras URGENTES na recuperação dos edifícios da Rua Fialho de Almeida, nº 6 e nº 18 (este edifício tem partes da fachada a tardoz a ameaçarem ruir), Av. Ressano Garcia, nº 9 e nº 33, e Avenida António Augusto de Aguiar, nº 173 (autoria Arq. Norte Júnior), uma vez que os mesmos se apresentam em avançado estado de degradação pondo em perigo a segurança de pessoas e bens.

O Bairro Azul é um conjunto urbano de grande valor cultural, uma mais-valia para as futuras gerações que todos temos a obrigação de salvaguardar - e esse trabalho tem de ser feito por todos nós e agora.

Na expectativa, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, José Filipe Soares, Inês Barreiros, Jorge Santos Silva, João Oliveira Leonardo, Fernando Jorge, Júlio Amorim, João Pinto Soares, Paulo Lopes, Alexandre Marques da Cruz, Virgílio Marques, Luís Marques da Silva, Miguel de Sepúlveda Velloso


C.c. PCML, AML, JFAV e Media


31/08/2014

Passeios de Lisboa: R. Heliodoro Salgado


Será este estacionamento em espinha, parcialmente em cima do passeio, legal? Foi isso que perguntámos à CML. Aguardamos resposta. Mas em Lisboa uma anomalia destas é bem possível que seja legal pois há vários casos destes na capital (Campo de Ourique, Alvalade, etc.)

29/08/2014

Série Chafarizes de Lisboa - 2 - Chafariz da Rua do Arco de S.Mamede







Chafariz tardo-barroco. Monumento Nacional, Propriedade Municipal. Fazia parte da rede secundária de chafarizes que se usavam quando era necessário reparar ou limpar determinados troços do Aqueduto. Honorato Macedo e Sá foi o arquitecto. Está adossado directamente ao aqueduto o que lhe confere uma certa originalidade no conjunto dos chafarizes monumentais de Lisboa, bem como a existência de dois tanques no mesmo plano.  O estado em que se encontra é o documentado pelas fotografias. Serve para tudo, depósito de lixo, morgue de pombos, casa de banho, tela para grafitadas. Serve para tudo menos para a sua função original, fornecer águas-livres a Lisboa. Na cidade dos óscares do turismo!!!! num dos seus percursos mais emblemáticos é este o aspecto de uma das peças mais interessantes do património desta zona. Haja óscares para o desleixo e Lisboa ganharia em toda a linha.

É pá, esse azul e esse letreiro é que não dão com nada, geee:-(


Está de regresso, e há que dar os parabéns a quem de direito por isso (e já demos), mas tinha que haver borrada! Não sabiam deixar em branco e amarelo e colocar um letreiro réplica Arte Nova, desenhado por detrás de um vidro? Só há borrada para onde nos viremos, mas é. Até quando?

ALAMEDA: esplanadas



Ainda sobre os brasões assinalados...


«O Jardim foi construído para a Exposição do Mundo Português em 1940, com projecto de Cottineli Telmo, tendo ficado os trabalhos de jardinagem a cargo de Gomes Amorim. O jardim tem sofrido várias alterações e benefícios ao longo dos anos, como é o caso dos 30 brasões das “cidades e províncias de Portugal Continental, Insular e Ultramarino”, da Cruz de Cristo e da Cruz de Avis, realizados em mosaico-cultura nos canteiros envolventes à fonte luminosa. Surgiram depois da exposição de 1940, sem projecto, dependendo apenas da imaginação e habilidade de alguns dos jardineiros da época. As diferentes cores são obtidas pelo talhe conjunto de várias plantas, actualmente buxo, iresine e santolina.»

28/08/2014

Salgar o Chão...

Não é segredo para ninguém que o português, mas mais especificamente o Lisboeta (porque é destes que tratamos aqui no Cidadania LX) não tem muita sensibilidade para o património que é, muitas vezes, um mero alibi para nos fazermos de civilizados, mas que uma apreciação mais atenta desfaz qualquer ilusão.
Os políticos, de que nos queixamos tanto, são um mero reflexo do que somos como sociedade. Assim, o que esta cidade precisa é de um político que não veja a CML como um trampolim para patamares mais elevados da política, ou como um garante de certos interesses, mas um idealista que concretize objetivos, mesmo afrontando os interesses acomodados de cidadãos, como o que não aconteceu com as obras na Rua Alves Redol ao IST, onde os moradores impediram o alargamento dos passeios para não se eliminarem lugares de estacionamento à superfície, e preferiram a manutenção dos passeios exíguos e cheios de bloqueios! Foram-lhes oferecidos lugares no estacionamento subterrâneo que havia sido construido na rua!
Desta feita, somente uma Câmara Municipal gerida por pessoas assim poderia ter travado o processo de destruição do património arquitetónico da cidade e a salvaguarda integral do n.º 55 da Avenida da República, por exemplo, estaria sequer em discussão.
Sr. Vereador/Arquiteto Salgado, e este? Vale a pena preservar ou não?

De autoria do grande Arq. Norte Junior, está/esteve à venda juntamente com os vizinhos arruinados. Pensou-se em hotel mas tal já foi descartado. Foi?

Mas como é que se deita no lixo uma coisa destas! É chocante como os proprietários, técnicos da CML e demais intervenientes não pensam que estes interiores e outros devam ser mantidos, Mas será que seremos os únicos a perceber isto, e mais uns quantos milhões mas que, infelizmente, são todos estrangeiros e a gozar das suas cidades maravilhosas... com edifícios como este.


Este edifício tem interiores do mais interessante. Quando se despe um interior destes e se cobre tudo com gesso cartonado com focos, e outras modernices, está a substituir-se o genuíno pelo sucedâneo. Então porque se paga tanto pela imitação, quando o original estava acessível. Que sociedade esta em que nos transformámos!

Enquanto isto o vizinho do lado está assim. Incêndios sucessivos deixaram a fachada e pouco mais. Querem convencer-me que foi tudo um acaso? Podem tentar...
Por mais prémios que Lisboa ganhe como destino turístico, não podem esconder este fenómeno de que todos são testemunhas e muitos são culpados, de destruição da nossa memória. E isto porque na nossa sociedade, património é incompatível com as ambições grosseiras de quem é proprietário destes imóveis.


27/08/2014

POSTAL DA RUA DA BOAVISTA




Trabalhar com Arquitectos


Curso de Calceiteiro:


Uma boa oportunidade para aumentar as suas qualificações profissionais. Informe-se sobre esta acção de formação.
Curso de Calceteiro no Centro de Formação FORMUP Benfica
Horário: 08h00 – 14h00 | Inicio Previsto: Setembro
+info: educacao@jf-benfica.pt | Telf: 217 123 000

26/08/2014

Jardim prometido a Lisboa para 2009 tem obras paradas há oito meses


In público (26.8.2014)
Por JOSÉ ANTÓNIO CEREJO

«Sá Fernandes chegou a dizer que o novo jardim da Graça abriria em 2009. No ano seguinte António Costa prometeu-o para meados de 2011. Nesta segunda-feira Sá Fernandes disse que as obras vão ser retomadas em Setembro. [...]»

...

Pior que os atrasos e tudo o mais, mesmo, mesmo, é que aquela encosta virou pista-circuito de betão. Cadê o verde? :-(

Brazões do Jardim da Praça do Império em risco?


Era assim:

E está assim:

...

E a coisa não passaria da cíclica incúria, incompetência e incapacidade da CML em matéria de jardins, mas eis que o Blog de Lisboa garante que «MUNICÍPIO DE LISBOA QUER DESTRUIR OS JARDINS DA PRAÇA DO IMPÉRIO

Existe na Câmara Municipal de Lisboa um plano para apagar os brasões nos espaços ajardinados

Na sequência do artigo que ontem aqui publicámos referente ao estado de abandono a que estão votados os jardins da Praça do Império, na zona histórica de Belém, recebemos via facebook a informação da Junta de Freguesia de Belém denunciando a intenção por parte da Câmara Municipal de Lisboa em destruir os brasões existentes nos espaços ajardinados e que constituíram sempre uma magnífica obra de arte da jardinagem na nossa cidade. [...]»

...

Ora, se assim for, trata-se uma tremenda DESTRUIÇÃO DELIBERADA e isso é MUITO GRAVE.

25/08/2014

Lisboa, Capital do Azulejo: Rua Palmira 14


































Um exemplo de furto de azulejos de fachada na Rua Palmira 14, Bairro Andrade, na Freguesia de Arroios.

Neste arruamento, e outros adjacentes, observamos há vários anos o furto continuado de azulejos.
 
Se há apenas 2/3 anos havia pequenas e médias lacunas, hoje há fachadas com mais de 90% de azulejos perdidos ao nível do piso térreo e, por vezes, como o exemplo em apreço, com furto de 100%.
 
É muito preocupante constatar que não estamos a conseguir dar resposta significativa a este problema. O projecto da CML - PISAL - já tem conhecimento deste e de muitos outros casos mas até hoje não parece dar sinais de vida.

21/08/2014

Ai, ai, a esplanada do Parque Eduardo VII ...


«No inicio dos anos 60 a esplanada do Parque Eduardo VII cobria 3/4 do lago e à noite dificilmente se arranjava mesa. E assim se manteve durante mais de uma década. Era uma das raras esplanadas de Lisboa, extraordinariamente agradável e um dos meus locais preferidos.» (In Grupo Freg. Avenidas Novas do Facebook, por Fernanda Carvajal)
...

Aos cisnes brancos já os devem ter comido, que é só patudo, agora. Ao negro, deixei de o ver, tb. Os roseirais são o que a foto retrata e lá para baixo a cena ainda é pior. O resto é matagal e relvado/ervado, buracos a afins. A estátua há muito que não jorra água. Devia ser retirada a concessão a quem explora o café/restaurante/esplanada. Não honra nem o Parque Eduardo VII, nem Lisboa, nem quem lá vai com olhos de ver, muito menos o legado de Keil do Amaral.

Câmara de Lisboa tenta vender imóveis por 60 milhões de euros em Outubro


In Público (21/8/2014)
Por José António Cerejo

«Hastas públicas já têm datas marcadas e foram divulgadas num novo portal municipal dedicado às "oportunidades imobiliárias".

A Câmara de Lisboa vai promover cinco hastas públicas, entre 8 e 23 de Outubro, com o objectivo de vender um grande número de edifícios, terrenos para construção e apartamentos, e também de arrendar 15 espaços comerciais.

[...] Neste rol de prédios encontra-se um edifício do largo Rodrigo de Freitas onde funcionou durante anos o Museu da Marioneta e que o munícipio tinha desistido de vender em 2008, na sequência de um movimento de opinião que defendia a sua manutenção na esfera pública por ali ter nascido São João de Brito. Em 2010 a câmara chegou a anunciar a instalação no local de um centro para pessoas sem-abrigo. [...]»

...

O quê? Já deram o dito/escrito por não dito/escrito no que toca à casa onde se crê tenha nascido São João de Brito?! LOL.

20/08/2014

A MORTE ANUNCIADA DE UM CHOUPO CUJO ÚNICO “CRIME” FOI TER CRESCIDO DEMASIADO


Estava anunciado para 18 de Agosto o abate de 20 árvores, entre as quais o choupo que as fotografias documentam.

Realmente a pequenez do nosso país não comporta a grandeza e majestade do exemplar a abater.

A propósito, e para reflexão, gostaria de deixar aqui expresso o poema de Luís Filipe Maçarico,

REQUIEM POR UM CHOUPO

Era uma cidade com aromas de viagem,
aquela onde um dia fui criança.
Esta noite estrangularam outra árvore habituada
a ver-me passar,
e ninguém se importou com o assunto.

E eu que varri muitas folhas derramadas
dessa farta cabeleira num Outono já distante
estremeci
com o ruído seco do velho choupo ao morrer.

Aconselharam-me a ficar calado: “Não há tempo
para escutar canções de melros entre ramagens”.

Mas sou teimoso ! Ridículo é aceitar
que o alcatrão vença
e os anestesiados se dirijam
cada vez mais velozes
para a sua verdade infeliz !

Então peguei no meu caderno de emoções
e escrevi com uma lágrima de raiva :
quando a cidade não ama as suas árvores, que medalha
deverá um Poeta pôr ao peito

dos que a governam ? Luís Filipe Maçarico
“A Essência” (1993)

Que pena haver tão poucos poetas em Portugal ....... !

Choupo no Logradouro nas traseiras da Avenida de Madrid, Freguesia do Areeiro, condenado à morte com mais 19 companheiros de infortúnio, a quase totalidade sem razão aparente. Oxalá possam os moradores do local, em tempo, alterar uma decisão precipitada.


Pinto Soares

Câmara de Lisboa iniciou a recuperação do Parque Tejo por um preço quase inaceitável


In Público (20.8.2014)
Por José António Cerejo e Marisa Soares

«Concurso foi ganho por uma das quatro empresas que propuseram o mesmo preço: um cêntimo acima do valor considerado "anormalmente baixo". Hora de entrega foi o critério do desempate.

Os passadiços de madeira que se estendem ao longo da frente ribeirinha do Parque Tejo, no Parque das Nações, começaram esta semana a ser reparados por uma empresa contratada pela Câmara de Lisboa. Depois de meses de abandono, que resultaram em tábuas levantadas e partidas em muitos locais, os trabalhos iniciaram-se agora, não se sabendo quanto tempo durarão.

De acordo com o presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações, José Moreno, a reparação vai demorar “umas largas semanas” e o contrato inclui a manutenção dos passadiços. “Finalmente! O espaço é muito utilizado e esteve vários meses sem manutenção, daí que tenha atingido um elevado nível de degradação”, observa o autarca eleito pelo movimento Parque das Nações Por Nós. [...]»

...

Finalmente, sim.

18/08/2014

OPERAÇÃO DE LOTEAMENTO EM CONSULTA PÚBLICA


In Site CML:

«Decorre de 5 a 26 de agosto de 2014, um período de consulta pública da operação de loteamento para o lote sito entre o arruamento paralelo à Avenida Lusíada, a Rua João de Freitas Branco e as Ruas A e D do LIM do Alto dos Moinhos, freguesia de São Domingos de Benfica, durante o qual os interessados poderão apresentar as suas reclamações, observações ou sugestões.

Aviso nº 84/2014

Mais informação»

Petição "Em defesa do projecto cultural dos Artistas Unidos", assine e divulgue, S.F.F.


«Exmo. Sr. Reitor da Universidade de Lisboa
Professor Doutor António Cruz Serra,

Foi com muita apreensão que soubemos que a Universidade de Lisboa dá por terminado o contrato que permitiu a actividade dos Artistas Unidos no Teatro da Politécnica, pondo fim a um percurso de três anos em que a companhia transformou um espaço abandonado numa das referências culturais da cidade. Essa revelação é particularmente inesperada por recordarmos que as longas negociações para a cedência deste espaço pela Universidade de Lisboa foram então minuciosamente acompanhadas pelo Ministério da Cultura, pelo Ministério da Ciência e Tecnologia e pela Câmara Municipal de Lisboa, que apostaram no Teatro da Politécnica para este fim específico, acreditando num projecto cujas expectativas nos parecem ter sido até excedidas pela companhia. [...] que se dê uma oportunidade a um compromisso de onde todos – universidade, companhia e cidadãos – podem sair vencedores; que se faça da renovação do contrato com os Artistas Unidos uma prioridade, para que se mantenha o Teatro da Politécnica como o imprescindível espaço de cultura que se tornou, onde criação, divulgação e formação coexistem, cumprindo uma luta que se espera ser também a de uma instituição universitária. Que não se desfaça por tão pouco o que tão exemplarmente se construiu».

Assine AQUI.

Então, agora que os AU tinham deixado de andar em bolandas e que aquele espaço estava a ser utilizado de forma condigna e, mais importante, tínhamos teatro de qualidade no centro nevrálgico de Lisboa, a UL decide correr com os AU? Nem dá para acreditar.

17/08/2014

PROTESTO!

Ainda não estou em mim com o que o PCP, ou alguém em seu nome, achou fazer com direito às entradas do metro da Alameda!
Como é que um partido político que tem, por génese, a defesa dos interesses de todos, e que se insurge contra as injustiças de um estado que atira para a destituição um número grande de pessoas, que sabe que os dinheiros públicos, porque escassos, devem ser canalizados para o mais relevante e urgente e poupado no supérfluo, que está aliado a um partido que se chama ecologista, faz isto?

Já havia feito um artigo, em Dezembro de 2013, onde denunciava o total desrespeito com que a Juventude Comunista trata o espaço público (aqui) mas parece que os séniores não se mostram mais sábios.
Esta é mais uma prova de que os políticos e os partidos, de todos os espectros, fazem uso abusivo das prerrogativas que lhes assistem; o bem público e a nação estão numa perspectiva afastada em relação aos interesses pessoais que estão em primeiro plano, sendo pouco mais do que alibis para a sua eleição.
Este paradigma de sociedade poderá mudar se a mentalidade do português mudar e, face a estes atropelos e abusos de confiança por parte de quem deveria estar acima de qualquer suspeita ou falta, mostrar veementemente a sua indignação.
Envie um email ao PCP (aqui) e pergunte-lhes quanto do seu orçamento eles alocaram para a limpeza destes grafitos ou se esperam que a empresa do metro pague essa limpeza, já agora aumentando o preço dos bilhetes aos utentes.
Não posso deixar ainda de referir que o BE não se mostra melhor neste aspecto, já que mantém um placard de dimensões pornográficas em pleno jardim, não se importando com o facto de ser um parque...
 
Este placard está aqui todo o ano. Uma vergonha como os partidos políticos desrespeitam aqueles a quem pedem votos!
Deixem vir as eleições e vão ver o circo de propaganda eleitoral.
Quem pode confiar nesta gente?

PS - Também no Bairro Azul as entradas foram pintadas da mesma maneira. Área classificada ou nem por isso?

Assim também se pode fazer....




Encontram-se bastantes em Estocolmo como este aqui na Fredrikshovsgatan em Östermalm. Janelas, portas, ornamentos, escadarias, pavimentos, ascensores e demais pormenores de origem. Sem garagem e com o metro quadrado mais caro da cidade....

16/08/2014

E as garagens vão de vento em popa

Palácio Praia-Monforte, ficamos sem saber se a dita maravilha pertence ao PS ou a um conhecido escritório de advogados da capital. De qualque maneira, é mais um rasgão na fachada de mais um emblemático palácio lisboeta. Nesta cidade o que é que está a salvo?

Estado da Phycus macrophylla no Princípe Real





Este é o estado actual da Phycus classificada existente no jardim do Princípe Real. Numa altura em que a polémica sobre a eventual construção de um parque de estacinamento subterrâneo se instalou, nada mais conveniente do que umas convenientes fitodoenças para começar a justificar o abate do arvoredo classificado. Uma vez este desaparecido, restarão só o Reservatório da Patriarcal e a vonatde de muitos lisboetas, como únicos obstáculos à concretização de mais um pesadelo em Lisboa.