Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

Esteja atento às várias iniciativas em perspectiva:

24/04/2018

Vistas do Miradouro das Portas do Sol, hoje:



Enquanto isso, Alfama, 23 de Abril 2018, vista do Miradouro das Portas do Sol (fotos de Fernando Jorge)

23/04/2018

Um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade: o regresso do E-24

Por Paulo Ferrero, in Público online (23.4.2018)

"Temos, pois, uma Lisboa mais europeia. Paradoxalmente, Lisboa volta, neste campo, ao que tinha há 100 anos: uma linha de eléctricos impressionante.

Parece que é já no próximo dia 24, em vésperas da alvorada, que o bom do eléctrico n.º 24 vai voltar a circular oficialmente entre a Praça Luís de Camões e Campolide, tal e qual como desde 1905 até 1995, altura em que foi suspenso por causa da construção do estacionamento subterrâneo naquele largo, primeiro, e por causa das obras do Metropolitano no Rato, depois.

Agora, a partir de 25 de Abril (dia em que será gratuito para todos) voltará a ser serviço público, contrariando assim os doutos senhores que até há poucos anos juravam a pés juntos, do alto dos seus “galões”, que o mesmo só poderia voltar para fins turísticos, por isto ou por aquilo.

O certo é que ele está de volta. Ainda que parcialmente (falta reabrir a circulação no troço Camões-Sodré, com extensão ao Carmo), está de volta. Isso é motivo para todos comemorarem. Todos os que pugnam por uma cidade moderna, amiga do ambiente, em que possam conviver passado e presente, sem poluições ou cortinas de fumo.

É por isso tempo para, salvaguardadas as devidas distâncias, parafrasear Neil Armstrong aquando da sua chegada à lua: trata-se de um pequeno passo para um homem, e um salto gigantesco para a humanidade.

Há ainda algumas arestas, afiadas, por limar: o risco de engarrafamentos por causa do estacionamento automóvel indecoroso, que importa reprimir; a espera durante 20’ pela chegada do eléctrico, a falta de composições (pretende-se colocar ao serviço todos os eléctricos remodelados e também reduzir o número de eléctricos imobilizados em Santo Amaro durante os horários de serviço, encurtando os ciclos), e, claro está, falta reactivar o troço indispensável de todo aquele eixo central-histórico-turístico do Cais do Sodré-Rua do Alecrim-Carmo-Largo Trindade Coelho-São Pedro de Alcântara-Príncipe Real-Rato-Amoreiras, pecha que estará resolvida a muito breve trecho.

Temos, pois, uma Lisboa mais europeia. Paradoxalmente, Lisboa volta, neste campo, ao que tinha há 100 anos: uma linha de eléctricos impressionante.

Pelo meio ficam 23 (vinte e três) anos de promessas vãs, um protocolo para inglês ver (assinado em 1997 entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Carris); justificativas injustificadas, composições vendidas ao desbarato e que agora fazem falta, o lobby do gasóleo, as manipulações estatísticas à vontade do freguês, estudos pró e contra, duas petições públicas (uma delas com mais 3300 assinaturas, da “Plataforma pela reactivação do eléctrico 24, em Lisboa”), e uma evidência: o E-24 é de facto necessário para muita coisa, desde logo “descongestionar” a concentração de turistas que rumam a São Paulo, ao Bairro, ao Príncipe Real, às Amoreiras, e promover um percurso assistido em termos de mobilidade naquela encosta, Sétima Colina acima, que apenas funciona de formar intermitentemente por via dos elevadores de Santa Justa e da Glória junto ao metropolitano, e de uma carreira de autocarro.

Finalmente, fez-luz.

O boom turístico terá ajudado. As taxas também. Mas sem vontade política de quem de direito é que não seria possível o regresso do E-24, facto a que não será estranha a passagem de tutela da Carris para a Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Chegados aqui há que elogiar o actual presidente da CML, e faço-o sem rodeios ou hesitações. Tal como à nova vereação da mobilidade. E à presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, apoiante desta verdadeira causa desde a primeira hora, ao contrário de outros agora oportunistas.
Elogio também e muito à já citada plataforma online, que nunca desistiu e que funcionou (e funciona) como ponto de encontro entre conhecidos e desconhecidos, verdadeiro hub dos mais variados entusiasmos e valências, de todas as idades e de todo o país, e que começou por levar três pessoas a bordo e já leva três mil.

 Estão todos de parabéns!

Esta vitória da urbanidade (do urbanismo, leia-se) possibilita agora outros voos e novas paragens, quiçá, poderá justificar o repensar dos antigos ramais do E-24, que dantes chegava ao Alto de São João e ao Tejo, vindo da Morais Soares e da Av. Duque d’Ávila. Poder-se-ia ligar de novo a cidade à Av. Infante D. Henrique e ir daqui à zona da Expo, talvez daqui por uma década.

Já agora, é favor não esquecer o imenso potencial que advirá para a cidade se se aproveitar a requalificação urbanística da chamada “Colina de Santana” e se reintroduzir o eléctrico entre o Martim Moniz e o Campo Mártires da Pátria. Tal permitirá algo semelhante ao que se conseguiu com o E-24 do outro lado da Avenida, mas também outras coisas, como, por exemplo, permitirá ao vereador Manuel Salgado deixar de recusar a instalação do Arquivo Municipal de Lisboa (e a sua dignificação é uma chaga cultural que importa resolver) no complexo do antigo Hospital Miguel Bombarda pelo facto de haver “más acessibilidades”.

Hip, hip, hurra ao Eléctrico n.º 24.

Fundador do Fórum Cidadania Lx"

20/04/2018

A Natureza na Cidade


Belém não são só os pastéis de nata e os monumentos de pedra procurados por quem visita o sítio. Belém, são também os monumentos naturais, muitos deles com mais de cem anos. Referimo-nos às oliveiras, com as quais nos cruzamos sem lhes prestarmos a devida atenção. E no entanto, já ali se encontravam antes de todos nós que hoje vivermos termos nascido e continuarão ali, depois de todos nós havermos partido. Elas são para os nosso filhos e assim quando com eles passarmos à sua beira, devemos parar um pouco e ensinar-lhes uma lição de vida.

Pinto Soares

16/04/2018

Projecto de musealização do claustro da Sé - Pedido de reunião com cabido


Exmo. Senhor Padre Tito


Considerando os dados vindos a público relativamente ao projecto de musealização dos achados arqueológicos do claustro da Sé de Lisboa, designadamente quanto às implicações de ordem estética e patrimonial no conjunto uno da Sé Patriarcal de Lisboa;

Serve o presente para solicitarmos uma reunião a V. Exa., Senhor Padre Tito, a fim de apresentarmos as nossas preocupações relativamente ao assunto exposto, bem como a outros assuntos referentes a nossa Se Patriarcal.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos


Miguel de Sepúlveda Velloso, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Luís Serpa, Jorge Pinto, Gonçalo Cornélio da Silva, Eurico de Barros, Pedro Formozinho Sanchez


Chegado por e-mail:

«Boa noite,

Antes de mais, muito obrigado pela sua pronta mensagem!

Apesar de a distância física entre os Estúdios da Tóbis e os Estúdios do Lumiar ser relativamente pequena, distinguir ambos os espaços deveria ser claro. Uma vez que esta incerteza é extremamente comum, aproveito para esclarecer que os Estúdios da Tóbis se situam muito próximo de uma das mais notáveis áreas verdes da nossa cidade: a Quinta das Conchas e dos Liláses. Há cerca de meia década, o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) ocupou pelo menos uma parte dos Estúdios da Tóbis. Aliás, o átrio norte da estação da Quinta das Conchas garante um acesso quase directo à porta principal do ICA.

Por seu turno, os Estúdios do Lumiar localizam-se algumas centenas de metros mais para sul. O recinto outrora ocupado pela RTP confronta com vários bairros habitacionais (amplamente conhecidos e frequentemente confundidos), tais como o Parque Europa, a Quinta do Lambert e a Quinta das Pedreiras. Na fotografia que lhe remeto em anexo, captada no final de 2010, os Estúdios do Lumiar apenas se mostram timidamente no canto superior direito, tal é o elevado número de edifícios de habitação e de escritórios que os rodeiam.

Não tendo coragem para “visitar” o espaço que sempre admirei, não possuo quaisquer fotografias que permitam atestar o seu avançado estado de deterioração. No entanto, o “antes e o depois” pode ser dolorosamente comparado, com um intervalo de uma década, em https://www.youtube.com/watch?v=hpn1vRQfY0U e em https://www.rtp.pt/play/p3436/e285446/quando-a-tropa-mandou-na-rtp. Sugiro que faça algumas capturas de ecrã de ambos os vídeos. O abandono dos locais que ajudaram a escrever a história do nosso país deveria, no mínimo, fazer-nos corar de vergonha…

Apesar desta longa mensagem, espero ter esclarecido as suas dúvidas! Um abraço,

Pedro Pinto»

Adeus a este pombalino da Lapa


E pronto, vai mesmo abaixo este pombalino da Rua do Meio à Lapa, fica a fachadita para fazer de conta :-)

11/04/2018

Eléctrico 24

Finalmente:
Fotos desta manhã

Estão já em curso os testes para avançar com a reposição da linha 24. Adivinham-se problemas com o saturado trânsito particular nesta via quando a carreira começar a funcionar regularmente.

Olha que bom, a minha Escola Primária Em Vias de Classificação!


(só é pena que o façam depois de ter sido feito o aborto do anexo, mas ok):

«Abertura do procedimento de classificação da Escola Primária do Bairro de São Miguel, atual Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 24, na Rua de Jorge Ferreira de Vasconcelos, na Rua de António Ferreira e na Rua de Alfredo Cortês, Lisboa, freguesia de Alvalade, concelho e distrito de Lisboa»

(fotos do Arquivo Municipal da CML)

10/04/2018

Palacete Príncipe Real, 19 - Pedido para intimação de obras de conservação


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


Cc. PCML, AML, JF Misericórdia e media

Serve o presente para solicitar a V. Exa. que dê indicações aos serviços que tutela para intimarem o proprietário do palacete do nº 19 da Praça do Príncipe Real a fazer as necessárias e obrigatórias obras de conservação do edifício, dado o estado lastimável em que se encontram as fachadas do mesmo, janelas e clarabóia, conforme as fotos em anexo documentam.

Considerando que se trata de um palacete central do eixo Escola Politécnica-Príncipe Real, local turístico por excelência;
Considerando que já por diversas vezes se desprenderam materiais da fachada;
Considerando que o edifício se encontra ocupado por espaços comerciais;
E considerando que não se trata de um proprietário sem recursos para a execução dessas obras;

É uma vergonha que o edifício se encontre nesta situação deplorável.

Na expectativa, apresentamos os nossos melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Júlio Amorim, Nuno Caiado, Rui Martins, Maria do Rosário Reiche, João Oliveira Leonardo, Beatriz Empis, António Araújo, Virgílio Marques, Maria Ramalho, Jorge Pinto, Miguel de Sepúlveda Velloso, Jorge D. Lopes, Maria João Pinto, Miguel Atanázio Carvalho, João Mineiro, Fátima Castanheira, Jozhe Fonseca, Irene Santos e Fernando Jorge

Fotos de Jorge Pinto

09/04/2018

Palacete Ramalhete - Alterações com destruição de mansardas - pedido de esclarecimento à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


CC PCML, AML, JF Estrela e media

No seguimento do arrendamento, com opção de compra, do Palacete Ramalhete (http://www.palacio-ramalhete.com/) pela artista Madonna, serve o presente para solicitar esclarecimentos a V. Exa. sobre a veracidade das informações que nos dão conta da vontade da mesma em, caso exerça a opção de compra, proceder a alterações de fundo no referido edifício, nomeadamente à ampliação do palacete, com destruição da linha de mansardas actuais (foto em anexo).

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Luís Serpa, Luís Mascarenhas Gaivão, Júlio Amorim, Virgílio Marques, Fátima Castanheira, Luís Rêgo, Fernando Silva Grade, Gonçalo Cornélio da Silva, Jorge Pinto , Miguel Jorge, Maria do Rosário Reiche, Jozhe Fonseca

06/04/2018

O turismo tem as suas vantagens....mas alguns estão a pagar caro !



"São moradores dos bairros históricos de Lisboa, expulsos das casas. Estão em "resistência" com o apoio do presidente da junta.

"Tenho 79 anos. Nasci na casa onde sempre vivi, em Alfama. Foi preciso vir uma miúda com vinte e tal anos para me expulsar. Pois eu dali só saio morta!" Chama-se Felicidade Silva mas o seu rosto idoso e cansado não mostra o estado de alma do nome. Recebeu uma saraivada de palmas depois do seu testemunho, a atestar bem a solidariedade que une os moradores nos cinco bairros históricos da junta de freguesia Santa Maria Maior (Alfama, Baixa, Chiado, Castelo e Mouraria), em Lisboa, reunidos ontem em assembleia no Palácio da Independência para a iniciativa "Os Rostos do Despejo".

Despejados, com data marcada para deixarem a casa onde alguns nasceram e criaram os filhos, esses rostos têm nome, são "gente de carne e osso", como disse o presidente da junta, o socialista Miguel Coelho, autor desta campanha contra o esvaziamento do coração histórico da cidade em nome dos interesses imobiliários e turísticos."

Pode ler o resto aqui no DN de hoje.


05/04/2018

Livraria Fumaça - pedido de esclarecimentos à CML


Exmo. Senhor Vereador
Arq. Manuel Salgado


C.C. PCML, AML e media

No seguimento de notícia publicada no jornal online O Corvo (http://ocorvo.pt/livraria-fumaca-um-alfarrabista-a-esvanecer-as-portas-da-praca-da-alegria/) dando conta do estado deplorável em que se encontra a funcionar o alfarrábio Abreu Fumaça, no pátio nº1 da Rua da Alegria, nº 12;

E considerando que o edifício em questão está abrangido pelo Plano de Pormenor do Parque Mayer, plano em vigor, conforme ficha de caracterização em anexo;

Vimos por este meio solicitar o esclarecimento de V. Exa. sobre quais as medidas de facto que a Câmara Municipal de Lisboa pretende desenvolver a fim de corrigir esta chaga urbanística na cidade histórica e verdadeira vergonha para quem vive e visita a cidade, de modo a:

* fazer cumprir a regulamentação em vigor no que toca à necessidade de obras periódicas de conservação do edificado habitado, ou;
* implementar o pré-estabelecido aquando da publicação do Plano de Pormenor do Parque Mayer (demolição do edifício actual, com construção nova ampliada em mais 2 pisos), ao abrigo do qual, aliás, já se desenvolveram várias obras de alterações e novas construções em edifícios na mesma área, e;
* providenciar a continuidade do alfarrábio referido, em espaço alternativo e até se concretizar a reconstrução do edifício da Rua da Alegria, nº 12, em espaço propriedade da CML ou da Junta de Freguesia de Santo António e nas imediações da actual localização.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Inês Beleza Barreiros, Luís Serpa, Virgílio Marques, Fernando Silva Grade, Rui Martins, Pedro Janarra, Miguel Jorge, Maria do Rosário Reiche, Fátima Castanheira, Luís Mascarenhas Gaivão, Júlio Amorim

28/03/2018

Apelo para o transplante das glicínias do restaurante "A Gôndola"


As Glicínias do restaurante "A Gondola", continuam a lutar pela vida na Praça de Espanha, aguardando que alguém considere a possibilidade do seu transplante para outro local, que poderá ser a Fundação Gulbenkian ou a Embaixada de Espanha, ambas ali muito perto.

Perdidas as esperanças de salvar o edifício, resta a possibilidade de salvar parte da sua memória, através das suas Glicínias.

Como, após consulta, as entidades envolvidas na permuta dos terrenos que contêm aquele restaurante: Câmara Municipal de Lisboa e Montepio Geral, não se mostraram interessados na salvaguarda daquele património natural, cabe aos cidadãos manifestar interesse na sua permanência, evitando que tenham o lixo como destino. Penso que merecem mais ...

Assim, venho solicitar o apoio de todos, com sugestões, para que, em conjunto, possamos salvar um património que é de todos nós.


João Pinto Soares

O inigualável café Estádio e outras velhas tascas de Lisboa


Por Pedro Machado, in Público Online (28.3.2017)

«A recente alteração da lei das rendas e a subida vertiginosa destas no terreno fez já estragos de monta. Estabelecimentos tradicionais, alguns até centenários e muito estimados pelos habitantes locais, desapareceram sobretudo pela acção do implacável compressor especulativo. Contam-se, entre estes, a Adega dos Lombinhos, a drogaria Pereira Leão, a Pomba do Carmo, o café Palmeiras e o café Estádio. Outros houve que se modernizaram para servir outros públicos, como é exemplo a leitaria Camponeza, que perdeu as suas belíssimas mesas em azulejo.

Existem diferentes causas para estes encerramentos, mas nem sempre se trata de falta de clientela ou viabilidade económica. O que acontece em muitos casos são rendas que atingem valores muito acima da realidade económica do país, e por vezes é apenas uma questão de opção e de conceito, por exemplo, um hotel que não quer a sua imagem associada a um lugar de cariz popular ou que quer ter controlo sobre o espaço comercial.

Do café Palmeiras não sobraram sequer as suas belíssimas arcadas e o seu magnífico pé direito — a ânsia de rentabilização foi tal que o rés-do-chão foi convertido em dois pisos. O café Estádio, que acabou verdadeiramente em Fevereiro de 2015, teve uma segunda vida mais curta e cheia de equívocos, naquela que foi uma tentativa de modernização impossível de um espaço que só poderia funcionar na sua forma clássica. Fechou definitivamente no Verão de 2017.

Este lugar no Bairro Alto, que era um marco indelével da antiga boémia lisboeta, tratava-se do casamento perfeito entre o café de bairro e o destino dos errantes nocturnos e dos inconformados. Ao fim da tarde liam-se por ali jornais, à hora do jantar acompanhavam-se e discutiam-se as notícias e noite fora praticava-se a tertúlia e a boémia. Tinha luzes fluorescentes, empregados rudes, bebidas baratas, amendoins e pregos no pão que não primavam pela perfeição mas que saíam sempre a bom ritmo. Nas paredes estavam pendurados quadros algo naïve do Estádio Nacional e do casario dos bairros lisboetas, bem como muitos prospectos de âmbito cultural. Ali se encontravam as estudantes de belas-artes, idosos, escritores, actores, músicos, advogados, homens de negócios, empregados da restauração, homens do lixo e até sem-abrigo, um lugar que nunca negou a entrada a ninguém. Às sextas e sábados à noite era frequente não encontrar nenhuma das 80 cadeiras vagas e aí havia que encostar ao balcão, o que faríamos com satisfação pela oportunidade de disfrutar aquele ambiente anárquico, e electrizante.

Não raras vezes havia discussões políticas e clubísticas inflamadas, ali estacionavam também alguns leitores solitários, algumas pessoas sinistras e outras até que falavam sozinhas. O Estádio era também muitas vezes palco de romances improváveis e inusitados. Tudo isto era acompanhado por aquela que seria provavelmente a última jukebox de vinyl em funcionamento comercial na cidade, uma belíssima Rowe Ami Cadette Violet, já muito antiga, enrouquecida e onde não faltavam os grandes clássicos como o Quarto alugado do Tony de Matos ou o Dream a little dream of me de Anita Harris. O lugar tinha um charme decadente que já não se encontra mais nem tem substituto que se possa comparar, numa Lisboa que vai morrendo aos poucos.

O café Estádio foi cenário de alguns filmes, como são exemplos: Dina e Django, de Solveig Nordlund, e a curta-metragem O Bairro Alto já não é o que era, de Lígia Pereira, este último, descontando a cena violenta feita para o filme, dá até uma ideia mais fiel do que eram as noites deste lugar.

Mais abaixo, na Praça da Figueira, o café Videirinha e a pensão Ibérica resistiam heroicamente nos últimos meses de 2017, sob ameaça de fecho. A Videirinha já não voltou a abrir portas depois do dia de Natal. Este pequeno café era um lugar tradicional com um balcão corrido com assentos, paredes revestidas com azulejos de belos padrões de tons alaranjados e uma parafernália de artigos e objectos pendurados, desde maços de tabaco, pastilhas, rebuçados e bebidas de toda a espécie. Com uma excelente cozinha, preços baratos e relativamente pequeno, o lugar enchia-se frequentemente com trabalhadores do mercado, empregados do comércio, pedreiros, engraxadores, reformados e até carteiristas e prostitutas. Os clientes sentavam-se ao balcão para comer uma canja, um bacalhau cozido, beber imperiais acompanhadas de tremoços ou para tomar um café e um bagaço. Volta e meia saíam uns “bitaites” e umas “piadolas” ou uma resposta mais torta mas o ambiente era amistoso e sobretudo autêntico. O dono do estabelecimento estava disposto a negociar a renda e a pagar um preço mais elevado mas o proprietário do edifício não quis negociar. Agora esta verdadeira pérola será substituída provavelmente por um lugar luxuoso chamado Giuseppe’s, Low Fat Burger ou um lounge bar.

É verdade que não podemos estar à espera de continuar a ver aguadeiros a transportar vasos de água em cima de burros ou varinas com cestas de peixe à cabeça. Gostemos ou não, teremos de aceitar que a mudança é uma marcha imparável, mas ela não tem que ser absoluta e é possível ter algum controlo sobre a sua direcção. A intervenção bem-sucedida que salvou a Ginjinha Sem Rival mostra que é possível reabilitar edifícios sem os adulterar e mesmo assim salvaguardar as lojas históricas. A natureza do comércio para os habitantes locais nunca terá as mesmas características do comércio turístico. O pequeno café de bairro com as suas estimáveis particularidades, a sua clientela castiça e as relações que se criam entre estes não são substituíveis por modernos bistrôs self-service de paredes brancas, luminosas e desnudadas, nem por relações anónimas e mecânicas. Há quem defenda que sempre foi assim, que uns lugares fecham e outros abrem, mas a mudança é muito mais profunda que isso. O que está a acontecer é que talvez pela primeira vez na história da cidade os pobres estão a ser expulsos do centro, e isso está a acontecer a grande velocidade.

Esta Lisboa antiga, que estamos a ver fugir-nos dos pés, está muito bem documentada em alguns dos filmes de João César Monteiro, e também no filme de Alain Tanner de 1983, Dans la ville blanche, onde Bruno Ganz deambula pelas antigas tascas e tabernas cheias de pipas de vinho e onde se joga dominó. Alguns livros de fotografia, como é exemplo o notável Fado Português de Luís Pavão, dão-nos também uma ideia muito concreta de como eram essas tabernas antigas de Lisboa e os lugares onde se cantava o fado.

Vezes sem conta, ouvi estrangeiros a dizerem frases como: “We want to go where the locals go!” ou “We want to see the real life!”. E é precisamente essa “real life” que nós estamos a deixar que se extinga de forma dramática no coração da nossa capital. Se expulsarem todos os pobres do centro, e acabarem com a mistura de estratos sociais que fazem a cidade, a Lisboa que Wim Wenders descobriu um dia morrerá tristemente.

De alguma forma, o comércio, as pessoas e os seus rituais tentam resistir. A Rua das Portas de Santo Antão é um bom exemplo. Ao longo da rua os restaurantes praticam preços mais altos e foram quase todos colonizados por turistas, mas, nas travessas contíguas, os locais continuam a frequentar os restaurantes que oferecem um bom serviço a preços muito mais populares e onde as relações entre clientes e empregados têm uma natureza pessoal e amistosa. Se não formos capazes de cuidar e de preservar alguns destes lugares, o seu espírito, a sua forma e a história que eles contam, o que é que sobrará no fim?

Matemático»

27/03/2018

Jardim de Santos, quem te viu e quem te vê!


O Jardim de Santos, jardim romântico com o seu fontanário

A estátua de Ramalho Ortigão
O Jardim de Santos, também conhecido por Jardim Nuno Álvares, com uma área de 0,4 hectares, criado em 1873, foi, durante muito tempo, um pequeno mas luxuriante jardim romântico, envolvido por densa vegetação. Era um pequeno oásis de verdura nascido no meio de edifícios, ruas e avenidas, que os citadinos procuravam para retemperar as forças e maravilhar-se com a música dos pássaros e a frescura acolhedora do ambiente.

Hoje, e após ter estado cerca de 10 meses fechado, finalmente o Jardim de Santos reabriu ao público, apresentando o aspecto que as fotos seguintes procuram ilustrar, tendo perdido quase tudo e ganho mobiliário urbano e relva, perdeu contudo a sua identidade , deixando de ser um jardim romântico para ser mais um espaço incaracterístico dentro da cidade de Lisboa.

O Jardim de Santos na actualidade

Estado actual do fontanário

Cepos das palmeiras, vítimas da praga do Escaravelho vermelho, por arrancar

Eliminação de todos os arbustos , elementos fundamentais para um jardim equilibrado. Optou-se pela sua substituição por um tapete verde, que o Verão que se aproxima se encarregará de pôr um fim, se não for abundantemente regado

Continua a Freguesia da Estrela em insistir na poda drástica das árvores e arbustos, mesmo dentro de jardins o que, para além de deformarem as árvores, não encontro uma razão justificativa.

Esperemos que não seja esta a versão final do nosso querido jardim de Santos e que os Homens consigam encontrar uma solução equilibrada, sem podas, e onde pelo menos se descubra a presença de uma flor.

João Pinto Soares

23/03/2018

O nosso Sobreiro Assobiador ganhou o concurso de Árvore Europeia de 2018


O Sobreiro Assobiador em Águas de Moura

A árvore portuguesa venceu a 8º. edição do concurso europeu, ao qual concorreram 13 países da Europa. Ganhou pela sua beleza, história e ligação à comunidade.

O nome assobiador deve-se ao canto das muitas aves que procuram a sua copa para abrigo. Plantado em 1783, em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu contributo para a manutenção do ecossistema e combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como "Árvore de Interesse Público" desde 1988 e inscrito no Livro de Recordes do Guinnes como "o maior sobreiro do mundo".


Pinto Soares

Uma proposta modesta para salvar o Chiado


Por Bárbara Reis, in Público Online (23.03.2018)


«É prematura a notícia da morte da Rua do Alecrim — que nos leva do Chiado à beira-rio — mas o funeral aproxima-se e terá réplicas. Depois do Alecrim, morre a Rua Garrett, a seguir a Nova do Almada, a da Misericórdia, do Carmo e, nesse ponto, como acontece nas doenças infecto-contagiosas, o vírus espalha-se por toda a Baixa de Lisboa.

Se não fizermos nada. Se deixarmos as coisas avançarem organicamente, estas ruas vão desaparecer das vidas dos residentes do centro histórico e dos “forasteiros” de Alvalade, de Algés ou da Amadora. As ruas morrem quando deixamos de lá ir. Não é ficção. Para além dos homens-estátua, há quanto tempo não vê um “local” na Rua Augusta? É compreensível. O Mercado da Ribeira é mais tranquilo. Em 1994 fiz uma reportagem em Celebration, uma cidade “falsa” inventada pela Disney, na Flórida, com cópias da arquitectura dos “bons velhos tempos” americanos, coretos e colunas neo-neo-clássicas e aquele revivalismo infantil que só fica bem nos livros da Anita. É um lugar esquisito. Na baixa lisboeta, já temos a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, que vende pastéis de bacalhau com queijo da Serra “desde 1904” (mas chegou em 2015), as enguias de escabeche “desde 1942” (que chegaram em 2016), uma terceira loja-irmã acaba de inaugurar na Rua da Prata, para não falar d’O Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, o sóbrio nome escolhido para uma loja parecida no Rossio. Na Rua Augusta, os empregados não falam português, such a silly detail, e todos os novos negócios encontraram um bonito verso de Fernando Pessoa para que os clientes tenham uma “experiência cultural”.

A boa notícia é que a solução para o Chiado e para o centro histórico de Lisboa está à frente dos nossos olhos. Perante este estado de coisas, é urgente aplicar uma estratégia moderna, que responda à transformação dos novos tempos, mas respeite a cultura e o património e — cereja em cima do bolo — garanta eficiência e sustentabilidade.

No Chiado, há quatro igrejas que, além de terem bonitas fachadas, têm áreas bastante amplas. Claramente, o bairro não precisa de tantos templos religiosos. Além de estarem vazias a maior parte do tempo, mesmo em hora de missa, as igrejas mostraram serem incapazes de gerar receitas suficientes para garantir o aquecimento dos interiores, a segurança dos equipamentos e o restauro em continuum que edifícios com dois séculos exigem.

Se juntarmos a Igreja de São Roque, lá em cima, as igrejas do Chiado equivalem a três campos de futebol. São um activo interessante, mas têm um problema de gestão grave. Um uso mais amigo do bairro, afinal esta é uma “zona prime”, geraria lucro e permitiria, através de um sistema justo, uma redistribuição de receitas em benefício da maioria. Um upgrade, mesmo que suave, teria vantagens a curto e a longo prazo. O actual marquês de Pombal, proprietário de alguns edifícios na Rua do Alecrim, seria o primeiro beneficiário: já não teria de expulsar os alfarrabistas e antiquários que ali estão há décadas e a quem ele teve, forçado pela pressão do turismo, de triplicar a renda. Um Programa de Urbanismo Comercial do Centro Histórico (PUCCH) de Lisboa adequado à situação implicaria descontinuar as quatro igrejas. A Basílica dos Mártires seria um bom recinto de bowling. Afinal, esta é apenas uma reconstrução feita após o terramoto do que era, também, apenas uma expansão da ermida original de 1147. Num espírito construtivo, e para que os turistas possam ter uma experiência da cidade, manter-se-ia à vista a Maleta de Caracteres Stencil Para Texto, um objecto insólito cuja função permanece um mistério. Também não há razão para nos agarrarmos com sentimentalismo à Igreja do Loreto, que à sua maneira também é fake (ali existia a ermida de Santo António, em cima da qual os italianos construíram já duas igrejas, a última depois de 1755). O potencial é grande. O Loreto tem 12 capelas, um excesso. Seria fácil escolher uma, talvez a favorita de Eça de Queirós. É de manter activa a missa de domingo das 11h30, a única em italiano, de modo a preservar a história do lugar. Já as missas em português podem ser deslocalizadas para a periferia. Seria um bom hotel de luxo, talvez ao estilo veneziano, com escadas à Danieli. A fachada, claro, é para ficar. O fogo posto que em 2017 queimou parcialmente a Igreja do Loreto mostra, aliás, a necessidade de entregar o equipamento a alguém capaz de contratar a Securitas. O mesmo com a Igreja da Encarnação. Não vamos ser puristas com uma igreja que, para nascer, destruiu parte da muralha fernandina. Além disso, passará a estar ainda mais vazia, porque com este PUCCH de Lisboa, todos os residentes com salários abaixo dos quatro mil euros líquidos mensais serão reinstalados em bairros sociais na periferia e a Encarnação sempre foi a igreja dos pobres. De modo a respeitar a sua história, mais tolerante e menos elitista, seria um bom pavilhão multiusos. A Igreja do Sacramento, com o seu acesso fora da caixa, seria a casa permanente da Web Summit.

Temos de pôr a nostalgia atrás das costas. As cidades mudam. A própria Rua do Alecrim já se chamou Rua do Conde, Rua Direita do Conde, Rua Antiga do Conde, Rua Direita do Alecrim e Nova Rua das Duas Igrejas. Temos de olhar para este problema com modernidade. Temos de saber optimizar os espaços, não ter medo de arriscar e explorar uma boa oportunidade de negócio. As igrejas do Chiado têm menos clientes diários do que os alfarrabistas da Rua do Alecrim. O upgrade da utilização dos seus metros quadrados é, para além de urgente, um passo natural.»

21/03/2018

Um ano para pôr o projecto a andar, mas ainda só há silêncio

Por João Pedro Pincha, in Público (21.03.2018)

«O relógio começou a trabalhar há duas semanas, com uma votação na Assembleia Municipal de Lisboa. Até 8 de Março do próximo ano tem de haver algum avanço no processo de ampliação do MNAA, porque é nesse dia que termina a vigência das medidas preventivas aplicadas a um conjunto de imóveis à volta do museu. Ou seja, a partir dessa data os proprietários vão novamente poder fazer obras nos seus edifícios, o que já lhes está vedado há dois anos. “Há direitos de propriedade das pessoas que não podem estar sequestrados toda a vida”, concede António Filipe Pimentel, director do MNAA.

Os deputados municipais, que votaram o prolongamento das medidas preventivas por mais 365 dias, sublinharam a urgência de uma decisão, aprovando unanimemente uma recomendação para que a câmara “inste a administração central a agilizar os procedimentos para a conclusão definitiva e célere” do museu.

Não se adivinha um processo fácil. A ampliação do museu vai afectar directamente pelo menos 14 imóveis na Avenida 24 de Julho e apenas um já é propriedade pública – a câmara municipal ficou com ele há cerca de um ano, depois de ter chegado a acordo com os donos, que até já tinham um projecto de hotel aprovado (pela câmara). Falta agora negociar as expropriações com os restantes proprietários e comprar os vários imóveis que estão à venda em imobiliárias.

Mas, para já, nenhuma das entidades envolvidas parece querer comprometer-se. “Expropriações? Isso é uma pergunta que terá de pôr à câmara. Nós conhecemos os projectos [de ampliação] que foram apresentados pelo MNAA… Estamos numa fase ainda de concepção”, diz o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. Já Fernando Medina, presidente da autarquia, afirma que ainda é cedo para a câmara se envolver no assunto e que, primeiro, cabe ao ministério definir o que quer fazer.

Segundo a proposta que está em cima da mesa, seis prédios encostados à escadaria da Rocha Conde de Óbidos vão ser demolidos para ali nascer um jardim. O edifício novo do museu vai erguer-se dali para diante em direcção a Santos, alinhado com o antigo, e a sua altura será semelhante à dos edifícios actuais. A menos que o projecto arquitectónico que venha a ser aprovado os contemple expressamente, os restantes prédios também deverão ter a demolição como destino – incluindo o antigo armazém onde hoje funciona uma companhia de crédito, intervencionado há anos pelo arquitecto Gonçalo Byrne, que até ganhou o Prémio Valmor em 2009.

Para lá daquilo que foi aprovado na assembleia, a urgência de decisões sobre o MNAA prende-se também com o financiamento da obra, que está inscrito no quadro comunitário de apoios Lx Europa 2020 e que, como o nome indica, tem um curto prazo de validade.

Por outro lado, a autarquia e o museu assumem claramente que querem aproveitar o bom momento turístico que a cidade hoje vive. Aliás, no Lx Europa 2020, o crescimento do MNAA aparece debaixo do chapéu “Afirmação do turismo na base económica de Lisboa”. A ampliação, diz António Filipe Pimentel, “tornou-se subitamente estratégica em termos de gestão da cidade”, pois permite “criar uma âncora de atracção de turismo” a meio caminho entre o centro histórico e Belém. “O museu não está em Marte, está em Lisboa”, acrescenta o director.

Num relatório anexo à proposta votada pelos deputados municipais, a autarquia defende que, com a ampliação, o MNAA “continuará o movimento iniciado de expansão da projecção cultural no plano nacional”. E, além disso, vai “adequar a sua resposta à procura turística da cidade de Lisboa e contribuir para o aumento do suporte às actividades económicas locais e para a sustentabilidade territorial, em termos económicos, sociais e culturais.”

Fernando Medina diz que ainda é prematuro falar sobre uma eventual utilização das verbas da taxa turística nesta obra. Actualmente, esse dinheiro está a ser usado para pagar a fatia de leão da empreitada de remate do Palácio Nacional da Ajuda (12 milhões de euros) e também já serviu para construir um elevador panorâmico e um centro interpretativo na Ponte 25 de Abril (a verba exacta não foi divulgada). Prevê-se também que a taxa turística ajude a financiar a construção do Museu Judaico e a reabilitação da Estação Sul e Sueste, bem como a criação de um pólo museológico sobre os Descobrimentos, do qual não se conhecem quaisquer pormenores.
Com Lucinda Canelas
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Ok, é ali, sob o manto diáfano da Arte, compensações "urbanísticas: