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25/09/2016

Numa cidade de fontes secas, há água a correr no Carmo. Parabéns.



Talvez o melhor pormenor do projecto dos Terraços do Carmo e envolvente.

Fonte, tanque e caleira, numa linguagem contemporânea, o repescar do que sempre existiu em pátios, quintas e em tantas cercas de mosteiros e conventos.

Parabéns. Fachada da Igreja de S.Luís dos Franceses impecável




Terraços do Carmo - o que falta tirar, aplausos parciais

Terraços do Carmo, embora seja um monumento excepcional em Lisboa, o Convento e a sua abside nunca esperariam que uma vulgar  e banal mesa de mistura com um nome original e saído de um tratado de filosofia "Misty Roof", lhes fizesse companhia em pleno séc- XXI. Já agora o roof é para quê? Será uma piada de mau gosto em relação a um monumento que ficou dolorosamente sem ele?


Este é o irmão menor do bar do piso superior. Tudo cheio de música chill-out, que é como quem diz, "curtamos aqui uns cokteis neste sand-beach-bar, promovido a roof-top bar, sem top e muito menos sem roof, numa sunset party." (aqui nem vê-lo, ao sun, a coisa está orientada para nascente). Estes recintos e as suas actividades, cabem todos na gama dos conceitos, uma coisa que serve para toda a traquitana.

Ao que parece esta ilha de bebidas escapou à fiscalização que em boa hora mandou tirar as espreguiçadeiras saídas de uma barateira qualquer de borda de estrada


E já agora, quando as agrestes nortadas de inverno bombarem nesta esplanada, os promotores deste bar de feira esperam o quê? Construir barreiras de tabique, abrigos de lona, aquecedores iguais aos da R. Augusta?  A julgar pelo bom gosto e oportunidade reinantes,  tudo é de esperar.




24/09/2016

Palácio da Anunciada - o que sobra

Jardim 

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Azulejos de padrão que ladeariam escadas interiores. Não foram retirados.

Aspecto da entrada principal

Outro aspecto da mesma entrada. O corpo central será o único mantido até ao primeiro andar onde existem os salões de aparato com notáveis trabalhos de estuque.

Antigo varandim no corpo contíguo ao palácio, ele próprio um outro palácio.

Nada resta do telhado do palácio da Anunciada. As mansardas pombalinas foram destruídas.

Com sabemos, os dragoeiros em Lisboa não podem ser arrancados. São protegidos por defeito e ainda bem. Este é a única árvore que subsiste do antigo jardim. 

Outro aspecto do último andar.


Em vésperas de jornadas do património, numa zona densamente histórica de Lisboa, várias igrejas, palácios, casas de espectáculos, estabelecimentos de tradição, cabe perguntar quem acompanha estas obras? O que é feito das cozinhas, biblioteca, oratório, madeiras, fogões de sala e suas molduras?  Mexer numa casa destas, é mexer num universo  de dependências e tipologias que documentam a história e o interior dos palácios. Tarefa reconhecidamente difícil.

Aqui, pelo menos, houve  a preocupação de não destruir o corpo central, à excepção grave do último andar. Mas o risco de o envolver num ambiente  em tudo estranho à sua urbanidade, é real. Será, assim, um palácio enxertado num hotel.

De futuro, mais acompanhamento, divulgação e acautelamento dos valores pré-existentes.




Com as jornadas do património à porta, daria para limpar esta fachada?



Fachada da igreja de São Domingos. Ao que consta, o pórtico terá vindo da malograda Patriarcal. É por isso obra joanina com o aparato e invulgares dimensões que reconhecemos em tantas obras desse reinado.

Madeiras, janelas e as armas reais e dos dominicanos que encimam a fachada, são um alegre e viçoso pombal.

Será que não se pode limpar?

23/09/2016

Museu Judaico - Chamada de atenção ao Sr. Presidente da Câmara


​Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Dr. Fernando Medina


C.c AML e JF Sta. Maria Maior

​ No se​guimento do anúncio feito por V. Exa. ​sobre o projecto do Museu Judaico no Largo de São Miguel, em Alfama, envolvendo a construção de raiz de um edifício e a alteração profunda e ampliação de um outro, somos a alertar para o impacte que a concretização do mesmo terá no local, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra em zona geral de imóveis classificados e faz parte de uma área história consolidada mas de equilíbrio frágil. que importa não colocar em risco.

Cremos, inclusive, a avaliar pelas projecções divulgadas, que este projecto violará o Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997), bem como as alterações ao mesmo, efectuadas em 2014, designadamente, o artigo 5º (ponto 1.1, alíneas a) e b), artigo 6º (ponto 1, alínea b), artigo 12º [ponto 2, alínea a) e sub-alíneas i) e ii) e artigo 28º, facto que nos levou a apresentar queixa junto da Provedoria de Justiça.

Reafirmamos que uma adequada conservação do património urbanístico numa zona como a em apreço exige a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas. Por outro lado, a salvaguarda dos núcleos urbanos históricos diz respeito, em primeiro lugar, aos seus habitantes e estes devem ser envolvidos na sua "governança" facto que até agora não se verificou.

Nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo. Mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global", porque este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, poderão colocar em causa esta tão justa pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.

Melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Filipe Lopes, Bárbara Lopes, Maria do Rosário Reiche, João Mineiro, Júlio Amorim, Carlos Leite de Sousa, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Ramalho, Rui Martins, Fátima Castanheira, Pedro de Souza, Jorge Lima

Museu Judaico no Largo de São Miguel - queixa ao Sr. Provedor de Justiça


Exmo. Senhor Provedor de Justiça
Juiz José Faria Costa


Somos a apresentar queixa a V. Exa. relativamente ao projecto apresentado recentemente como consubstanciando o designado “Museu Judaico de Lisboa”, a erigir no Largo de São Miguel, em Alfama, envolvendo a construção de raiz de um edifício (à esquerda na foto) e a alteração profunda do exterior e do interior de um edifício existente (na foto à direita) com ampliação. A concretização deste projecto irá implicar um tremendo impacte arquitectónico e paisagístico, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra abrangido, segundo cremos, pelas zonas gerais de protecção de um imóvel classificado como de Monumento Nacional (Castelo de S. Jorge) e de um Imóvel classificado como de Interesse Público (Igreja de S. Miguel), potenciando-se assim como um grave precedente.

Temos inclusive a convicção de que, a avaliar pelas projecções divulgadas (fotos em anexo), este projecto viola o Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997), bem como as alterações ao mesmo efectuadas em 2014 (também em anexo), designadamente, o artigo 5º (ponto 1.1, alíneas a) e b), artigo 6º (ponto 1, alínea b), artigo 12º [ponto 2, alínea a) e sub-alíneas i) e ii) e artigo 28º.

Uma adequada conservação do património urbanístico exige a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas. Por outro lado, a salvaguarda dos núcleos urbanos históricos diz respeito, em primeiro lugar, aos seus habitantes e estes devem ser envolvidos na sua governança facto que até agora não se verificou.

Reafirmamos que, obviamente, nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo, mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, até se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global". Consideramos mesmo que este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, coloquem definitivamente em causa esta pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.


Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Gonçalo Cornélio da Silva, Miguel Lopes Oliveira, José Maria Amador, Carlos Leite de Sousa, Maria Ramalho e Júlio Amorim

Projecto de Museu Judaico no Largo de São Miguel - Pedido de esclarecimentos à DGPC


​Exma. Senhora Directora-Geral do Património Cultural
Arq. Paula Silva


Somos a solicitar a V. Exa. que nos esclareça sobre se o projecto (estudo prévio?) apresentado há dias para o Museu Judaico, a construir no Largo de São Miguel, em Alfama, teve parecer prévio favorável dos serviços da DGPC/IGESPAR/IPPAR, quando e qual a sua autoria, uma vez que a sua concretização irá implicar um tremendo impacte arquitectónico e paisagístico no local, colocando em causa o valor patrimonial deste pequeno largo, que se encontra abrangido, segundo cremos, pelas zonas gerais de protecção de um imóvel classificado como de Monumento Nacional (Castelo de S. Jorge) e de um Imóvel classificado como de Interesse Público (Igreja de S. Miguel), potenciando-se assim como um grave precedente na zona.

Uma adequada conservação do património urbanístico exige, a nosso ver, a preferência por intervenções mínimas e pouco intrusivas, devendo os novos edifícios seguir regras de escala, volumetria, gramática e linguagem que não rompam com o equilíbrio compositivo das pré-existências ou falsifiquem o meio ambiente urbano, princípios estes que fazem parte das mais importantes cartas internacionais relativas à salvaguarda das cidades históricas, como é do conhecimento de V.Exa.

Reafirmamos que, obviamente, nada nos move contra a construção do “Museu Judaico de Lisboa”, muito pelo contrário, trata-se de um equipamento cultural muito bem-vindo, mas não podemos aceitar que esta proposta coloque em causa os valores de uma cidade que pelo valor incontestável que possui, até se encontra neste momento na "Lista Indicativa de Portugal ao Património Mundial" como “Lisboa Histórica-Cidade Global". Consideramos mesmo que este projecto como outros que entretanto possam surgir por se abrir um precedente numa zona tão especial como Alfama, coloquem definitivamente em causa este pretensão da Câmara Municipal de Lisboa e de Portugal junto da UNESCO.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Miguel de Sepúlveda Velloso, Inês Beleza Barreiros, Maria do Rosário Reiche, João Mineiro, Gonçalo Cornélio da Silva, Júlio Amorim, Carlos Leite de Sousa, Fátima Castanheira, Jorge Lima

Museu Judaico no Largo de São Miguel - pedido de alteração de fachada do edifício a construir de raiz


Exma. Prof. Graça Bachmann


Na sequência da divulgação pública das primeiras imagens, ainda que virtuais, do seu projecto do Museu Judaico para o Largo de São Miguel, coração de Alfama e abrangido pelo Regulamento do Plano de Urbanização do Núcleo Histórico de Alfama e da Colina do Castelo (1997, alterado em 2014), somos a apresentar o nosso protesto pela fachada proposta por si para o edifício a construir de raiz para o museu, estar em total dissonância com a estética e a harmonia daquele largo, fazendo-o de forma radical, se comparado, aliás, com a intervenção proposta por si para o 2º edifício do complexo museológico, imediatamente ao lado.

Somos entusiastas da criação de um Museu Judaico em Lisboa e em Alfama, até porque existem muitos edifícios históricos devolutos na zona, inclusive propriedade pública, que poderão ser facilmente convertidos em museu, sem que seja preciso alterar a imagem de Alfama, além de que a criação desse museu será uma mais-valia para a cidade.

Compreendemos a intenção de afirmar o projecto mas não nos parece razoável/necessária a forma tão radical e em conflito, quase em desafio, à Igreja de São Miguel, Imóvel de Interesse Público, peça central de todo o bairro. E aplaudimos o envolvimento também entusiasta da CML, da Fundação Patrick & Lina Drahi e dos EEA Grants. Não compreendemos, contudo, a necessidade de uma fachada como a projectada para o edifício referido, que irá transformar de forma irreversível a aquele largo enquanto conjunto urbano consolidado, harmonioso e genuíno, tanto quanto hoje ainda é possível.

Pedimos-lhe, por isso, Prof. Graça Bachmann, para alterar a fachada agora proposta para um desenho mais consentâneo com o local e colocamo-nos à sua disposição para a apoiarmos na medida das nossas possibilidades.


Melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge, Gonçalo Cornélio da Silva, Inês Beleza Barreiros, Miguel de Sepúlveda Velloso, Carlos Leite de Sousa, Rui Martins, Júlio Amorim, Fátima Castanheira

22/09/2016

Ordem dos Arquitectos critica ausência de concurso no projecto do Palácio da Ajuda


In PÚBLICO (22/09/2016)

«A Secção Sul desta associação profissional contesta a adjudicação directa do projecto de arquitectura no edifício classificado como monumento nacional.

O conselho directivo regional do sul da Ordem dos Arquitectos criticou esta quinta-feira em comunicado o processo de escolha do novo projecto para o Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, lamentado que "não tenha sido objecto de concurso público de concepção”.

Lembra que a obra, apresentado na segunda-feira com a presença do primeiro-ministro, terá um valor de 15 milhões de euros e é "uma intervenção num património tão relevante na cidade”.

A secção do sul da Ordem dos Arquitectos valoriza “o interesse do Ministério da Cultura, da Câmara Municipal de Lisboa e da Associação de Turismo de Lisboa em resolver um assunto há tanto tempo pendente, como é o remate da fachada e a valorização das áreas poente e norte do Palácio da Ajuda”, mas lembra que se trata de um edifício classificado e “um dos mais simbólicos e relevantes conjuntos edificados da cidade de Lisboa”.

A Ordem dos Arquitectos do sul diz ainda que não está “em causa a qualidade do projecto desenvolvido pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) e o mérito profissional do arquitecto João Carlos dos Santos”, mas “repudia” as afirmações do ministro da Cultura e do Presidente da Câmara de Lisboa feitas ao jornal Expresso e a “desvalorização da ‘necessidade de um concurso de ideias mais amplo ou de um debate sobre esta escolha’”.

O comunicado acrescenta que “a arquitectura de qualidade é expressão de boa despesa pública”, que a Ordem dos Arquitectos “sempre tem recomendado o concurso público de concepção como o procedimento mais adequado para adjudicação, por entidades públicas, de projectos no domínio da arquitectura e do desenho urbano, em especial em operações significativas e simbólicas, como é o caso”. O concurso para o remate deste edifício que é monumento nacional, lembram, “permite a apreciação de cenários alternativos para a obra, elaborados a partir de um programa objectivo, e avaliados por um júri independente e qualificado”. [...]»

À AR - Projecto de remate do Palácio da Ajuda precisa de debate público nacional e concurso público


Aos Grupos Parlamentares da Assembleia da República


Exmos. Senhores Deputados da Assembleia da República


No seguimento do anúncio feito pelo Senhor Primeiro-Ministro e pelo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa no início desta semana, dando conta do estabelecimento de um protocolo com a Associação de Turismo de Lisboa com vista à empreitada de remate do Palácio Nacional da Ajuda, anunciando na mesma ocasião que o projecto escolhido será conforme as imagens que junto anexamos;

Considerando a importância histórica, patrimonial e afectiva que o Palácio Nacional da Ajuda tem para o país e para os portugueses, lisboetas ou não, e considerando a envergadura de uma empreitada desta natureza, não só em termos técnicos e financeiros, mas também estéticos e simbólicos;

Solicitamos a Vossas Excelências que providenciem no sentido da Assembleia da República recomendar ao Governo e à CML, sob a forma de uma Resolução, a urgência de um debate público nacional, em que se avalie da necessidade em rematar ou não o Palácio, e se divulguem os projectos de remate feitos nos últimos 100 anos, bem como se alerte para a necessidade de realização de concurso público.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Jorge Santos Silva, Júlio Amorim, Pedro de Souza, Ricardo Mendes Ferreira, Maria do Rosário Reiche, Vítor Vieira, José Maria Amador, André Santos, Miguel Jorge, Pedro Henrique Aparício, Fernando Jorge, Fernando Silva Grade e Filipe Lopes

Conhece os bairros ferroviários do Entroncamento (dois deles de Cottinelli Telmo)? Então aproveite nos dias 23 e 24:


O "cemitério" na Graça, depois do arboricídio ...


Fotos de Inês Beleza Barreiros

Sobre as obras sem fiscalização na zona da Baixa/Chiado, a resposta do Sr. Vereador Manuel Salgado:


Nada contra o museu judaico, tudo contra aquela fachada da esquerda


Que é feia para caramba, propositadamente chocante e dissonante. Para quê? E é aprovada pelas instâncias encarregues de salvaguardar o local? Lindo.

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In Público (21.9.2016)
Por Inês Boaventura


«Museu Judaico de Lisboa quer ser "um espaço de memória", "pela positiva"

O novo equipamento cultural da Câmara de Lisboa deve abrir daqui a um ano, em Alfama.


O Museu Judaico de Lisboa, cuja abertura de portas está prevista para daqui a um ano, quer ser “um espaço de memória” e “um museu pela positiva”. A ideia, explica Ester Mucznik, é que nele se conte “a história dos quase mil anos da presença judaica em Portugal” sem esquecer as suas “sombras” mas destacando aquilo que de bom os judeus trouxeram ao país.

“Este museu será um museu pela positiva. Obviamente que não vai deixar de falar no período da Inquisição, das conversões forçadas, tudo isso, mas vai sobretudo centrar-se no contributo positivo da comunidade judaica ao país” [...] O projecto de arquitectura do Museu Judaico de Lisboa, que além de uma área para exposições e do núcleo expositivo incluirá um centro de documentação, foi desenvolvido por Graça Bachmann, em colaboração com Luís Neuparth e Pedro Cunha. Segundo Fernando Medina, o novo equipamento representa um investimento próximo dos cinco milhões de euros.»

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20/09/2016

Estacionamento selvagem - Pátio EB1 S. João de Deus



Chegado por e-mail:

«Bom dia,
junto envio texto para divulgação.

Mesmo depois das obras efectuadas na zona envolvente ao Agrupamento de Escolas D. Filipa de Lencastre ficaram por colocar os pilaretes que protegem a zona pedonal de acesso ao pátio da escola EB1 S. João de Deus do Agrupamento de escolas D. Filipa de Lencastre. O mesmo ocorre na EB2.

O estacionamento selvagem contínua sem interrupções ao longo destes *dois* anos em todo o seu esplendor ameaçando pais e crianças q todos os dias usam este espaço público.

Tiago Charters de Azevedo »

O remate "ao" Palácio da Ajuda


Sobre este remate “ao” Palácio Nacional da Ajuda, apenas algumas notas (valem o que valem) do que acho estar bem e estar mal, para quem as quiser ler (aviso que é grandote):

1. Há que dar os parabéns (sinceros) ao Governo e à CML por demonstrarem afã e coragem (o tema, inexplicavelmente, sempre foi reclamação exclusiva dos tendencialmente monárquicos) em querer solucionar este assunto da ala inacabada da Ajuda, uma verdadeira VERGONHA nacional.

2. Contudo, acho que o que está aqui em causa merece um DEBATE PÚBLICO (por mais tempo que demore, desde que seja conclusivo) com consulta pública, divulgação de todos os projectos de remate (ou estudos prévios, como é o caso mais recente) feitos até hoje, enunciando-se os prós e contras de cada um deles, desde o impacte visual ao custo financeiro e tempo de obra (para se evitar que tudo seja para inaugurar à pressa…), passando por uma questão essencial: é melhor terminar-se a ala poente ou mantê-la inacabada, desde que com arranjo paisagístico adequado?

3. Depois, um projecto desta natureza deve ser objecto de um CONCURSO PÚBLICO INTERNACIONAL (CCB, lembram-se?). Estamos no século XXI e não propriamente no tempo das adjudicações por despacho. E este remate não é a um simples prédio de esquina nem ao estaminé de junta de freguesia mas a um palácio nacional, por acaso talvez o mais importante do país.

4. A forma encontrada para o FINANCIAMENTO do projecto parece-me boa e muito bem achada, e justa, se por via directa das receitas das taxas criadas recentemente. Nada a opor, portanto, e tudo a aplaudir, ainda que me pareça que o custo final será muitíssimo superior ao agora estimado, como tudo o que é feito neste país. Mas custa-me que seja a CML a ter o grosso do esforço financeiro, quando o palácio é NACIONAL, mas já estamos habituados, vide o Arco da Rua Augusta, outro dos símbolos maiores do Poder Central (e não há que ter medo das palavras) está entregue à CML desde 2012 e com bons resultados (não é disso que se trata), enfim, sinal dos tempos.

5. Muito menos há algo a opor ao programa encontrado para exploração da ala poente: as JÓIAS, as pratas e os tesouros escondidos ou mal expostos na Ajuda merecem estar expostos e bem expostos ainda que o ideal fosse usar toda a ala Norte para o efeito, fazendo sair dali os serviços vários que ali estão. Ainda que nunca tenha percebido como é que havendo ali a Galeria D. Luís I, claramente subvalorizada bastas vezes sem saberem o que lhe hão-de fazer, não seja transformada em exposição permanente dessas mesmas jóias.

6. Sobre o estudo prévio agora apresentado, e independentemente da bondade e da originalidade da sua autoria (o seu autor é dos próprios quadros, dirigentes, da DGPC), acho aquela SOLUÇÃO ESTÉTICA no mínimo decepcionante, e no máximo horrorosa. Não havia outra forma de dar um tratamento moderno, asséptico, limpo à fachada (eu sei que detestam o pastiche…) mantendo a pedra (lioz?) sem ser transformando-a naquela grelha de barbebue? Num “estore” monumental? E déjà vu ainda por cima – vide a ceaucescuniana CGD, a sede paquidérmica da EDP ou até à mirrada fachada do museu antoniano à Sé.

7. Por fim, só se fala no remate e nos milhões para o remate. Mas um projecto que vise, e bem, terminar com a vergonha da Ajuda, acabando ou mantendo a ruína existente, não é projecto a valer se se esquecer das DEMAIS VERGONHAS FÍSICAS da Ajuda: o estado calamitoso do belo torreão Sul, o torreão Norte à espera não sei bem do quê, os Serenins cheios de computadores e com água a entrar pela cobertura, a Torre do Galo com rachas monumentais e com sinos presos por milagre, e a praça miserável em que está, e, por fim, o Jardim das Damas, exemplo maior da não cooperação entre a Ajuda e a CML, pois continua por abrir ao público e com problemas técnicos por resolver...

17/09/2016

Envio à CML de proposta sobre higiene urbana


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. Fernando Medina,
Exmo. Senhor Vice-Presidente da CML
Dr. Duarte Cordeiro


CC. AML , JF e media

Em 2012 o Fórum Cidadania Lx produziu um documento que enviou à CML, sobre o estado da cidade quanto a vários aspectos da higiene urbana, apontando falhas mas apresentando propostas. Infelizmente, não obtivemos resposta nem, mais importante, vemos que a situação tenha melhorado, antes pelo contrário, mau grado a transferência de competências da CML para as Juntas de Freguesia.

A verdade é que, atrevemo-nos a dizer, o estado da higiene de Lisboa é hoje pior do que há quatro anos, dada a multiplicação de grandes lixeiras em quase todas as freguesias, com ênfase nas do centro.

Há ainda a registar a incapacidade da cidade em dar resposta à produção de lixo associada ao fenómeno do turismo de massas nos bairros históricos. Por exemplo, na freguesia de Santa Maria Maior assistimos à colocação de contentores - sem tampa - na via pública numa tentativa improvisada de controlar os lixos produzidos pela explosão do número de turistas. Esta situação é inaceitável numa cidade civilizada.

Parece-nos também que o problema principal continua a residir não tanto na recolha do lixo mas antes na incapacidade de controlar a sua produção e/ou disciplinar a deposição na via pública. Há cada vez mais casos de deposição selvagem de lixo nas ruas.

Tudo isto era já abordado no referido documento, que agora voltamos a remeter a V. Exas. por nos parecer integralmente actual, na esperança de que possa ser útil à reflexão em prol da cidade e do bem estar comum.

O Fórum Cidadania Lx continua inteiramente disponível para cooperar com a CML nesta matéria, como em todas as outras.

Melhores cumprimentos

Nuno Caiado, Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Fernando Jorge, Júlio Amorim, Mariana Ferreira de Carvalho, Maria do Rosário Reiche, Carlos Moura-Carvalho, Luís Serpa, Inês Beleza Barreiros, Rui Martins, Jorge Lopes, João Filipe Guerreiro, Miguel de Sepúlveda Velloso, Fátima Castanheira, Jorge Teixeira Pinto