01/04/2015

Lisboa, Capital Europeia da Demolição?





Rua Gomes Freire 142. Mais um edifício "Lisboa Entre Séculos" em demolição! Era perfeitamente reabilitável, mas está a ser destruído para se fazer MAIS 1 CONSTRUÇÃO NOVA (terá 7 pisos e 2 caves).

Este pequeno palacete, com um grande logradouro (sim, o jardim foi o primeiro componente a ser totalmente abatido) tem projecto de 1919.

Em vésperas da 2ª edição da conferência Lisboa Entre Séculos - A Arquitectura Ameaçada dos Séc. XIX-XX somos presenteados com mais esta prova de atraso civilizacional.

Na edição deste ano iremos pois focar a nossa atenção em exemplos de boas práticas na reabilitação deste tipo de património - porque não basta criticar e denunciar os abundantes maus exemplos, é preciso demonstrar que é possível reabilitar e há, felizmente, quem o faz muito bem em Portugal.

Será que vamos ficar sem moradias e palacetes na cidade historica? Por toda a cidade vemos as cerceas a subir e os logradouros impermeabilizados com caves para garagens. Desta forma apenas nos afastamos cada vez mais dos padrões de urbanismo sustentável de nível europeu. 

31/03/2015

FRAUDE na CIDADE Escadinhas da Porta do Carro


Escadinhas da Porta do Carro, junto do Hospital de S. Lázaro (Freguesia de Santa Maria Maior) - aqui existiu um antigo imóvel, de r/c e 1º andar apenas, do género do prédio amarelo ao lado. Era um imóvel municipal e foi vendido no âmbito do Programa "Reabilita Primeiro e Paga Depois". Mas o que se passou depois é bem emblemático da direcção que a CML está a dar à "reabilitação urbana". O imóvel foi totalmente demolido, e em seu lugar está a ser construída uma nova construção com 4 pisos. Calculamos que no final da obra, também esta vai ser classificada como "reabilitação" e assim contribuir para as estatísticas cor-de-rosa que nos tentam enfiar pela goela abaixo. Mas só os cidadãos ainda pouco informados engolem estas descaradas construções novas como reabilitação. Isto é simplesmente fazer batota, isto é andar para trás. Isto é Fraude na Cidade.

Casa achilles, Lisboa : O teatro da loja de ferragens


In Público (29.3.2015) Por ALEXANDRA PRADO COELHO (Texto) e MÓNICA CID (Ilustração)

«A Casa Achilles tem uma colecção de moldes de ferragens de estilo, oficinas do início do século XX e um escritório saído de um livro de Dickens.

Quando António Lucas abre a luz da cave da Casa Achilles, temos aquela sensação de que os museus vivem uma vida própria quando não estamos lá e, quando dão pela nossa chegada, as peças voltam a correr para os seus lugares e imobilizam-se, silenciosas mas de olhos muito abertos e com os corações de pedra e metal a bater, na esperança de que nós não reparemos em nada.

De dentro de uma caixa, espreita, melancólica, uma cabeça de águia que um dia terá adornado um braço de uma cadeira, e, quem sabe, terá sido afagada por muitas mãos durante conversas nervosas ou pacíficas. À volta dela espalham-se flores também de metal. Numa prateleira, alinham-se ameaçadoras garras de leão, com as unhas e os pelos cuidadosamente desenhados, libertas já do peso dos móveis de estilo que sobre elas descansaram. E, logo abaixo, bustos clássicos, alguns com ar egípcio, feições finas, cabelos elegantemente penteados — peças de adorno de cómodas, provavelmente. [...] É uma peça pequena de decoração de móveis, mas, como muitas outras guardadas nesta cave, é feita com um detalhe exaustivo. António Lucas, sócio-gerente da Casa Achilles, tenta explicar que o valor deste trabalho está precisamente na qualidade dos moldes, e que a colecção que se guarda nesta casa fundada em 1905 é, a esse nível, excepcional. “Temos talvez cinco séculos de moldes dos grandes estilos europeus”.

Vista de fora ninguém adivinha, mas a Casa Achilles — uma das fundadoras do projecto Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa, uma iniciativa do Fórum Cidadania Lisboa para preservar este património em risco da cidade — é um labirinto de pequenos espaços cheios de tesouros. António Lucas era cliente e, quando percebeu que a casa corria o risco de desaparecer, decidiu que isso não podia acontecer.[...]»

...

Mais em Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lxª.

Bares e barulho impedem o descanso dos moradores



Não com a dimensão desta situação do Cais do Sodré, nas Avenidas Novas, também vamos tendo os nossos casos - Rua Dona Filipa de Vilhena, Rua do Arco do Cego, Av João Crisóstomo e Rua Padre António Vieira - zonas predominantemente residenciais, mas onde a simples existência de um bar em cada uma destas ruas, perturba diariamente, e em muito, o descanso e sossego dos moradores, muitas vezes e em alguns dos casos até às 4h ou 5h horas da manhã, muito para lá do que está licenciado (e que já é muito exagerado).

Há até já casos, em que proprietários vêem os seus inquilinos rescindirem contratos de arrendamento, unicamente por causa do barulho provocado por estes estabelecimentos, perdendo dessa forma uma fonte de rendimento, apesar de terem que continuar a pagarem as suas contribuições à CML.

É também importante não escamotearmos, que alguns destes estabelecimentos, parecem servir de âncora a outras actividades, que não só provocam um sentimento de insegurança aos moradores, que chegam a ser frequentemente alvo das mais diversas ameaças, como se fossem eles que estivessem a mais nas ruas onde moram.

A CML não pode continuar, por um lado a permitir a abertura destes estabelecimentos em edifícios e zonas residenciais e por outro a fechar os olhos às irregularidades que estes estabelecimentos teimam em continuar a praticar, nomeadamente no que concerne a horários de funcionamento (com ou sem porta aberta), ruído e vibrações provocados por todo o prédio, mas também o barulho provocado por clientes que vêm para a rua confraternizar e beber e pelas actividades menos licitas que nalguns casos se praticam nas suas redondezas.

Apesar das inúmeras denúncias e queixas já apresentadas, junto da Câmara Municipal de Lisboa e da PSP, que estão plenamente informadas e conscientes da gravidade destas situações e até vão intervindo muito pontualmente, a verdade é que as situações se mantêm e com o aproximar do bom tempo, apenas têm tendência a piorar, como acontece todos os anos.

Aliás em muitas das vezes que é chamada, a PSP nada faz, evocando as mais diversas justificações ou até nem responde aos pedidos de intervenção dos moradores. Também a Câmara, apesar das reuniões com moradores, com a Associação de Moradores das Avenidas Novas e a Comissão de Moradores do Alto do Parque, onde se tem mostrado solidária com as reclamações apresentadas e apresentado promessas de intervenção, as diversas situações mantêm-se na prática inalteradas e os prevaricadores impunes. 

Urge uma verdadeira tomada de atenção e principalmente actuação da CML sobre estes casos, como um todo e não com medidas pontuais para uma zona ou outra da cidade, que como se vê não satisfazem ninguém, mas principalmente continuam a impedir que os moradores possam descansar nas suas casas. E à PSP exige-se uma permanente intervenção que até agora não tem existido.

Votos de sucesso à Pastelaria Mexicana / Carcassonne


Exmos. Senhores


Permitam-nos que vos remetamos os nossos parabéns pela anunciada aquisição da Pastelaria Mexicana, ex-libris da Avenida de Roma/Praça de Londres.

Desejamo-vos o maior sucesso, certos de que o vosso sucesso será o sucesso daquela zona, que carece de uma revitalização urgente a nível do seu comércio, que precisa de um comércio de qualidade, atento, imaginativo, preparado e de uma Pastelaria Mexicana que contribua decisivamente para esse desiderato.

Aproveitamos para vos relembrar que a Pastelaria Mexicana é Monumento de Interesse Público desde 2014, conforme despacho publicado em Diário da República, II Série, nº 71, de 10 de Abril, e que, portanto, qualquer intervenção ou alteração física a esta “obra total” (inclui toda a decoração e todo o mobiliário de origem) deverá ser objecto de um projecto de arquitectura a submeter à aprovação prévia da CML e da Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Muito gostaríamos de incluir futuramente a Pastelaria Mexicana no Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa (http://circulolojas.org), iniciativa recentemente lançada pelo Fórum Cidadania Lx, mal observe os pressupostos previstos naquele.


Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Miguel Atanázio Carvalho, António Araújo, Fernando Jorge, Jorge Santos Silva, Jorge Pinto, Rui Martins, Miguel de Sepúlveda Velloso, Pedro Formozinho Sanchez, Alexandra Maia Mendonça, Pedro Janarra, Paulo Lopes, José Filipe Soares, Luís Marques da Silva, Beatriz Empis, Pedro Henrique Aparício, Carlos Moura Carvalho, Maria do Rosário Reiche

C.c. CML, DGPC, AML, JF Areeiro, Media

Metro de Lisboa atira para o lixo 20 milhões


In Jornal de Notícias (31.3.2015)
Por Nuno Miguel Ropio

«O Metropolitano de Lisboa mandou retirar um sistema inteiro de segurança e condução automática das composições, que dispensava a intervenção direta do condutor, no valor de 20 milhões de euros. [...]»

Lisboa é das cidades europeias menos empenhadas na melhoria da qualidade do ar


In Público (31.3.2015)
Por Marisa Soares

«Zurique, Copenhaga e Viena ocupam o pódio do ranking Sootfree Cities, divulgado nesta terça-feira em Bruxelas. [...]»

30/03/2015

Lisboa, Capital do Azulejo: Av. Almirante Barroso





Mais um prédio com fachada de azulejo em mau estado de conservação. Vários azulejos têm caído na via pública... e outros estão a ser roubados, com facilidade, devido às grandes lacunas. 

ALERTA sobre edifícios de Pardal Monteiro, em vésperas de "Lisbon Week"

Foto 1

Foto 2

Foto 2A

Foto 3

Foto 4


Exmo. Senhor Presidente da CML
Dr. António Costa
Exmo. Senhor Vereador do Urbanismo
Arq. Manuel Salgado


Cc. DGPC, AML, Lisbon Week, Atelier PMA e Media


Considerando a feliz coincidência da 3ª Edição da “Lisbon Week”, a ter início a 11 de Abril, se debruçar sobre o legado do Arq. Porfírio Pardal Monteiro na zona de Alvalade e a sua prodigiosa obra pública construída um pouco por toda a cidade, cremos ser oportuno chamar a atenção de Vossas Excelências para a necessidade de se salvaguardar e recuperar algum desse e de outro legado que o insigne arquitecto nos deixou e que consideramos estar desaproveitado, em perigo ou, pior, abandonado e maltratado, a saber:

1. Edifício particular da Rua António Enes, nº 13-15 (foto 1)
Edifício modernista, de 1936, devoluto, à venda, janelas com vidros partidos.
Incluído na Carta Municipal do Património, anexa ao PDM (item 50.79)
Solicitamos à CML que intime o proprietário a proceder à recuperação da fachada, à reparação das janelas e à reparação urgente da sua cobertura em terraço, uma das primeiras a existirem em Lisboa.

2. Edifício particular da Av. Marquês Sá da Bandeira, nº 18-20 (fotos 2 e 2a)
Moradia modernista, datada de 1933, devoluta e abandonada.
Incluído na Carta Municipal do Património, anexa ao PDM (item 50.22)
Solicitamos à CML que intime o proprietário a proceder à limpeza e à manutenção da fachada, bem como à limpeza do logradouro.

3. Edifício particular da Avenida da República, nº 49-49D (foto 3)
Prémio Valmor de 1923, maioritariamente ocupado, mas a denotar patologias várias, desde o roubo de materiais decorativos até alguns destacamentos de estuques e rachas nas paredes.
Solicitamos à CML que intime o proprietário a proceder à recuperação, pelo menos, do hall de entrada e das escadas e da fachada a tardoz.

4. Edifício particular da Avenida Cinco de Outubro, nº 207-215 (foto 4)
Moradia Déco, datada de 1929, conhecida como “Casa António Bravo”.
É Imóvel de Interesse Público desde 2008. Esta moradia única em Lisboa e que, a nosso ver, deveria ser uma casa-museu Déco (seria a nossa Villa Necchi Campiglio), está devoluta e à venda.
Solicitamos à CML e à DGPC que garantam, em sede de caderno de encargos, quais as obras de alterações a permitir neste edifício.

5. Edifício-sede do Diário de Notícias, na Avenida da Liberdade.
É Imóvel de Interesse Público desde 1996 e Prémio Valmor de 1940.
Este edifício modernista, ex-libris de Lisboa, foi recentemente adquirido por um grupo empresarial ligado à construção civil e à hotelaria, desconhecendo-se o seu futuro a médio-prazo.
Solicitamos à CML e à DGPC que garantam, em sede de caderno de encargos, quais as obras de alterações a permitir neste edifício. E à CML para que inste o proprietário a proceder à recuperação da pintura de Almada na fachada norte e a dar um uso compatível à magnífica sala do piso térreo.

6. Por fim, apelamos à APL e à CML para que concebam um programa conjunto de exploração, viabilização e promoção turística e cultural das Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha Conde d’Óbidos, ambas classificadas como Monumento de Interesse Público, de modo a que o grande público as conheça e usufrua enquanto espaços de excepção, que o são.

Com os melhores cumprimentos


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho, Gonçalo Cornélio da Silva, Cristiana Rodrigues, João Oliveira Leonardo, Miguel de Sepúlveda Velloso, Maria Maia, rui Martins, Fernando Jorge, Inês Beleza Barreiros, Jorge Pinto, Luís Marques da Silva, Maria Reiche, Virgílio Marques, Júlio Amorim, Beatriz Empis

29/03/2015

Limpeza de praia dá mil quilos de lixo por quilómetro....

Fotografia © Carlos Santos / Global Imagens
Voluntários colocam praias de Sines em condições de receber banhistas. Garrafas e cotonetes são exemplo do que apanham.

"Os primeiros quatro quilómetros permitiram embalar quatro mil quilos de lixo." As contas são feitas por Simão Acciaioli, da Brigada do Mar, uma organização dedicada à preservação do ambiente e que até este domingo promove uma ação de limpeza das praias da costa norte de Sines, em parceria com a câmara e a comunidade.
Uma operação que tem um objetivo e uma chamada de atenção. Primeiro, os areais vão ficar à disposição de quem quiser começar a gozar o sol; depois, os detritos recolhidos estão expostos no centro da cidade, para que a população perceba a dimensão do problema que as suas praias enfrentam.

In DN, 2015-03-29, por Roberto Dores, Setúbal
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Excelente iniciativa. Primeiro a limpeza feita por quem dá bons exemplos de civismo ....e segundo a "exposição" no centro da cidade.

28/03/2015

Travessa do Funil - urinol histórico em risco


Exmo. Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior
Dr. Miguel Coelho


Chamamos a atenção de V. Exa. para o estado lastimável em que se encontra o urinol histórico em apreço (tendo já caído dois dos seus suportes), solicitando o seu restauro urgente!

Lembramos que se trata de um exemplar raro do mobiliário urbano de antanho da nossa cidade, que importa preservar e restaurar, até porque o seu restauro não será muito dispendioso.

Com os melhores cumprimentos

Paulo Ferrero, Fernando Jorge e Bernardo Ferreira de Carvalho

Inacreditável desrespeito ao património



 


E assim continua a CML a licenciar projectos absolutamente medíocres em património arquitectónico. O que esta imagem mostra é absolutamente inacreditável e só mostra a podridão das nossas entidades competentes.

Fotografias: skyscrapercity.com

27/03/2015

Muda o promotor e Câmara autoriza o aumento de 7 para 17 pisos

Depois de vários anos a tentar que a Câmara – António Costa e Manuel Salgado - permitissem uma solução que viabilizasse economicamente uma solução de construção, o anterior proprietário dos terrenos, Armando Martins, um conhecido promotor imobiliário, viu-se na contingência de vender os terrenos em Julho de 2012, a uma empresa com ligações ao grupo BES e pasme-se, milagre dos milagres, em cerca de 6 meses, sem que houvesse algo de verdadeiramente novo (ou que já não estivesse em preparação na CML quando Armando Martins inquiriu a CML em Maio/Junho de 2011) que permitisse uma mudança de atitude por parte da CML, esta autoriza um aumento de 10 pisos, no edifício a construir.






Mesmo considerando as desculpas e justificações legais apresentadas pela CML, este é mais um negócio imobiliário na cidade de Lisboa, com contornos pouco claros, sobre o qual vários munícipes e associações se manifestaram contra, (apesar de haver como é natural quem defenda o projecto, apenas porque sim, à boa maneira portuguesa) e que beneficia de forma clara e mais uma vez os mesmos interesses privados em Lisboa.

Não deixa também de ser curioso, que apesar de a CML ter promovido uma sessão de informação e consulta pública, a mesma foi feita quase em segredo, com uma divulgação e promoção (na prática inexistente) que só podia ter como finalidade afastar a participação popular. De uma CML que gasta milhões em propaganda e publicidade o mínimo que se exigia era uma informação à população da cidade, ou pelo menos à da Freguesia onde se localiza e à vizinhas, uma informação no local, que de forma bem visível anunciasse a iniciativa, de forma a que de uma maneira transparente, permitisse uma verdadeira participação popular. Mas mais uma vez a Câmara dirigida por António Costa, optou por uma estratégia de segredo e de falta de informação.

Visita com a DOCOMOMO - Lisboa Moderna



Programa AQUI

26/03/2015

Terrenos da Antiga Feira Popular


Chegado por e-mail:

«Olá,

Antes de mais parabéns pelo vosso projecto.

Chamo me Carlos Carneiro, sou Lisboeta a viver há muitos anos entre a nossa cidade e pelo mundo (Islândia, Canadá, Londres, Nicarágua, Colombia).

O meu contacto surge pois soube (com espanto) que a CML já colocou no seu site um anúncio vender os terrenos da Antiga Feira Popular. Pensei que toda a "guerra" à volta deste assunto fosse para "dar" o espaço aos Lisboetas, seu donos, em forma de Jardim.

Tenho a certeza que a grande maioria dos Lisboetas prefere um novo jardim naquela área tão vasta e central, que mais betão. Gostava de saber se conhecem algum movimento para isto para que possa apoiar? Não encontrei nada na internet.

Um abraço

Carlos Carneiro»

25/03/2015


Pólo criativo no antigo Hospital do Desterro só abre ao público em 2016


In O Corvo (25.3.2015)
Por Samuel Alemão

«Com abertura inicialmente prevista para o final de 2013, o projecto imobiliário que dará nova vida ao antigo Hospital do Desterro apenas deverá abrir portas no início de 2016. A informação foi dada ao Corvo pela promotora, a empresa Mainside, que está neste momento a receber e a analisar propostas de parceria para a utilização do amplo espaço situado junto ao Intendente, área a atravessar um processo de reabilitação urbana. Ou seja, se tudo correr bem, abrirá ao público cerca de três anos após a assinatura da parceria entre a imobiliária a Câmara Municipal de Lisboa e a estatal Estamo, detentora do imóvel.

Quando o projecto foi tornado público, em Maio de 2013, anunciou-se a instalação de “um território experimental aberto a Lisboa e ao mundo, onde será possível habitar e trabalhar numa cela, cultivar uma horta urbana, frequentar um clube, almoçar num refeitório ou assistir a uma aula, entre muitas outras experiências desenvolvidas por várias empresas e organizações”. A ideia surgiu integrada no processo de requalificação do eixo compreendido entre a Mouraria e a Praça do Chile, iniciado nesta década e que tem a Avenida Almirante Reis como elemento de ligação. Foi então acordado que a antiga unidade de saúde, encerrada em 2006, teria a sua exploração entregue à empresa Mainside, promotora do projecto LX Factory, em Alcântara.

Os prazos começaram a deslizar, porém, na sequência dos primeiros trabalhos de limpeza e demolições realizados no velho complexo hospitalar. A Mainside terá querido proceder a algumas alterações de vulto, nomeadamente relacionada com os vãos e com a retirada da caixilharia em madeira das janelas do grande edifício. Operação que terá levado a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) a intervir, por temer uma alteração significativa das características essenciais do edifício. Além disso, surgiu também um impasse relacionado com o melhor destino a dar aos antigos espaços comerciais existentes entre as paredes do velho quarteirão. [...] A responsável da Mainside lança um horizonte temporal mais impreciso para a inauguração do novo centro – que terá quatro eixos essenciais: alojamento; restauração; um centro de produção com oficinas; e um local para a prática de terapias alternativas –, para que não se corra o risco de haver uma derrapagem nos prazos. E que, por essa razão, não é tão claro como a informação avançada ao Corvo por um porta-voz da Parpública, entidade que gere as participações estatais em empresas. “O espaço deverá entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2016”, esclareceu por email.

Na mesma informação escrita, é referido que o projeto “implicou estudos prévios que concluíram que ele não se poderia circunscrever apenas à parte do Hospital do Desterro propriamente dito, como estava inicialmente previsto”. Pelo que “o programa foi aumentando e acolhendo as alterações que o conhecimento aprofundado de todo o espaço exigiram”. “Em consequência, elaborou-se um projeto de licenciamento que já deu entrada na Câmara Municipal de Lisboa, onde aguarda aprovação”, adianta a mesma fonte. [...] »

E o E-24?!


Chegado por e-mail:

«Olá
O Presidente da Transportes de Lisboa (Metro/Carris/Transtejo), a propósito do eléctricos recuperados e forrados a cortiça, que hoje começam a circular refere que os eléctricos lisboetas têm pouco serviço público e servem essencialmente para turismo.
Confesso ter receio desta declaração pois avizinha-se que o normal lisboeta possa usar o seu passe para utilizar os eléctricos e estes estejam reservados apenas a quem pagar os preços turísticos.
É mais um passo na transformação de Lisboa num parque de diversões, onde os turistas vão ver outros turistas e nenhum lisboeta.
Se perdermos algum tempo a ler as publicações internacionais, um dos factores valorizados em lisboa, e especialmente nos eléctricos, é que se trata de algo utilizado pelos locais, pelo que é autêntico e não uma produção para "inglês ver".
Espero que os eléctricos se mantenham no sistema de transportes públicos e não sejam apenas um produto turístico.
Já agora, que se fala em recuperação de eléctricos, para quando a reintrodução do Eléctrico 24 que, já agora, circularia numa das zonas de maior crescimento turístico (cais do Sodré, Chiado, Principe Real?
Grato
Miguel Correia»

Travessa do Arco a Jesus: Mais uma garagem, Menos um jardim...

 ...removendo o solo do logradouro: menos superfície para absorver as águas pluviais, mais inundações
 ...e demolindo o antigo muro em alvenaria de pedra do logradouro!
Resumindo, é uma construção nova, mal disfarçada de "Reabilitação". Lisboa no seu pior.

24/03/2015

Este chafariz já foi limpo. Agora está assim.



Chafariz do Largo de São Paulo. Há pouco tempo limpo, há pouco tempo vandalizado. Quando é que a CML, na sua augusta e inamovível sabedoria, acorda para a triste realidade? Sem um regulamento de excepção que introduza a noção de quem estraga património público e privado, paga, nada feito.

Aliás repetidas limpezas não são inocentes para a pedra lioz, ou outras. A CML limpa num lado, e logo noutro ou no mesmo, os autores deste, e de outros, actos de amor por Lisboa, poderão continuar impunemente  a dar largas à sua absoluta falta de civismo. Em várias cores e com vários grafismos. Uma maravilha de criatividade. Em Lisboa, vai-se navegando à vista.

23/03/2015

Ordem de Trabalhos nº 60 - Reunião Pública de 24 de Março:


21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA ÁRVORE E DA FLORESTA

Tapada das Necessidades

Passou quase ignorado, em Portugal, o dia Mundial da Árvore e da Floresta.
Quero, contudo, aqui lembrar, como forma de homenagem, o muito que a Humanidade deve àqueles seres vivos que, sem exigirem nada em troca, há milhares de anos connosco compartilham o mesmo espaço, tornando possível a vida na Terra, e lembrar também a forma vil como tantas vezes os tratamos.


Pinto soares

LIXEIRAS DE LISBOA: BAIRRO ALTO


Logo durante o periodo da manhã observamos vários locais no bairro Alto com lixos de toda a espécie abandonados na via pública como aqui na esquina da R. da Rosa com a Trv. do Poço da Cidade. Falta fiscalização. E civismo, claro.

22/03/2015

A diferença entre as recomendações e a prática. em Lisboa

Prédio Lisboa Entre-Séculos de grande aparato na Barata Salgueiro. Foi completamente destruído, restando a fachada. Será acrescentado em três ou quatro pisos e tem sido a estrela da publicidade vistos Gold no aeroporto.

Na mesma zona, outra vítima. Nada sobrou do seu interior. Relembra-se que nesta zona, bairro Barata Salgueiro, foram chamados a intervir os grandes nomes da época, como aliás, fica provado pela elevada qualidade arquitectónica do último quarteirão da Alexandre Herculano.

As demolições em todo o centro histórico, são, infelizmente mais do que comuns. Tornaram-se uma prática na chamada "reabilitação da cidade".

Rua Fernandes Tomás próximo de Santa Catarina

Prédio pomblino. Tal como outros mais recentes, também os que pertencem a períodos anteriuores são vítimas de demolições integrais. Na paisagem de Lisboa, na Baixa, são comuns as soluções de novas mansardas cobertas de zinco.

Palácios, palacetes, prédios de rendimento, um pouco por todo o lado, o património de Lisboa é esquecido ou intervencionado de tal forma que fica para sempre irreconhecível face aos valores originais que emprestavam à cidade o seu carácter único e excepcional. Palácio Almada-Carvalhais, Monumento Nacional, detido em parte por um Fundo Imobilário agregado à CGD.

Palácio da Quinta das Águias IIP numa rua toda ela classificada.

Quarteirão da Lisboa Entre-Séculos completamente destruído. Rua Andrade Corvo - Avenida Duque de Loulé.

"O valor do património arquitectónico não se limita à sua aparência visual. Depende, também, da integridade de todas as partes que o compõem, pois é um produto único da tecnologia da sua época. Consequentemente, deve ser evitada a remoção dos elementos estruturais internos, para apenas manter as fachdas."

Assim se pode ler nos "Princípios Para Análise, Conservação e Restauro de Elementos Estruturais do Património Arquitecónico, no seu nº1 - 1.3."  Documento eleborado pelo ICOMOS na sua reunião em Victoria Falls (Zimbabué), 31 de Outubro de 2003. in "Património Cultural, Critérios e Normas Internacionais de Protecção", de Flávio Lopes e Miguel Brito Correia

Por mais justas que sejam estas palavras, nada mais longe da realidade de Lisboa., onde o património é visto como coisa descartável, vítima de todos os excessos e destruído em nome de vários interesses. Todos eles bem conhecidos e tipificados. Apelos, recomendações, cartas, princípios, vários são os instrumentos existentes para regulamentar as intervenções no espaço urbano. É, contudo, gritante o fosso entre o esforço teórico das autoridades, organismos e demais intervenientes e a sujeição prática ao facilitismo e às visões de cutro-prazo,  que, na sua maioria, ainda são quem norteia as decisões que fazem (destroem) a cidade.