31/01/2013

Rua de Lisboa ficou mais segura com mudanças no estacionamento.




Rua de Lisboa ficou mais segura com mudanças no estacionamento
Por Inês Boaventura in Público

Investigadores concluem que a introdução de "gincanas" baixou a velocidade e aumentou o sentimento de segurança


Será que uma rua de uma cidade como Lisboa pode tornar-se mais segura pela simples alteração do desenho de estacionamento existente? Segundo as conclusões do projecto Adapt your speed to the urban environment - Adyse (Adapte a sua velocidade ao embiente urbano), desenvolvido por um investigador e uma estudante portugueses, a resposta é afirmativa e os efeitos podem sentir-se não só na segurança "real" como naquela que é "percepcionada" pelos utilizadores da rua.
A alteração do esquema de estacionamento de que se fala foi posta em prática num troço da Rua Coelho da Rocha, uma artéria com um só sentido de circulação no bairro de Campo de Ourique. Onde antes havia estacionamento em espinha num dos lados da rua e estacionamento longitudinal no outro foram introduzidas aquilo a que os técnicos chamam "gincanas": no lado direito há agora alguns lugares em espinha seguidos de outros longitudinais e no lado esquerdo acontece o mesmo, mas na ordem inversa.
Com esta alteração foi possível criar deflexões que, afirmam os autores do projecto Adyse, pretendem "contribuir para reduzir a velocidade de circulação dos veículos através da mudança da percepção que os condutores têm da rua". Além de obrigar os condutores a fazer "gincanas" foi introduzida uma passadeira no início da via, foi criado um espaço para o estacionamento de motas e a rua foi repavimentada.
Para verificar os resultados destas modificações, o investigador do Instituto Superior Técnico Frederico Henriques e a estudante do Instituto Superior de Psicologia Aplicada Joana Nogueira fizeram duas operações de medição de velocidade: uma em Outubro, com o antigo esquema de estacionamento, e outra este mês, já com o novo. Além de avaliar os "impactes físicos" da intervenção pretendia-se "estudar e determinar os impactes ao nível das percepções de risco por parte dos utilizadores rodoviários", pelo que foram realizados dois inquéritos (um em Outubro e outro este mês) junto de automobilistas, peões e comerciantes da Rua Coelho da Rocha.
No que diz respeito à velocidade verificou-se que 85% dos condutores circulam agora a 29 km/hora, quando antes o faziam a 32. Também se observou uma diminuição (de 17,4% para 6,3%) da percentagem de automobilistas que transitam a mais de 30 km/hora. Quanto aos questionários, aqueles que foram aplicados antes das alterações permitiram perceber que a maioria dos utilizadores (56%) não a considerava segura. Em relação à velocidade máxima permitida, todos os comerciantes defendiam que devia ser de 30 km/hora, sentimento partilhado por 56% dos peões e por 59% dos automobilistas. Segundo os inquéritos realizados já este mês, 80% dos comerciantes e a mesma percentagem de peões acham que houve uma diminuição da velocidade com a introdução das gincanas, tendo a mesma sensação 67% dos automobilistas.
Face a esses dados, os investigadores concluem que com a sua intervenção em Campo de Ourique "aumentou a segurança real e a percepcionada". Este projecto foi desenvolvido no âmbito da iniciativa europeia Stars (Students action to reduce speed) e contou com o patrocínio da Associação Portuguesa de Sinalização e Segurança Rodoviária, que custeou as obras orçadas em cerca de dois mil euros. O Adyse teve o apoio da Câmara de Lisboa, cujo vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, destaca a sua grande mais-valia: o facto de ter contemplado a monitorização dos efeitos da medida de acalmia de tráfego introduzida.

5 comentários:

Anónimo disse...

Carros até perder de vista...
Se não fosse a tez clara da pele das pessoas diria que estávamos num bairro em África!
Quanto aos edifícios, a descaracterização que certos bairros e zonas na zona histórica estão a ser alvos, leva me a pensar que não falta muito até as semelhanças não se ficarem só pela etnia!

Anónimo disse...

De 32 para 29 km/h. UAU!

Anónimo disse...

estéticamente horrivel

Anónimo disse...

Rua Coelho da Rocha.
Casa Fernando Pessoa.
Barbearia de Fernado Pessoa.
Direitos dos automobilistas.
Direitos dos moradores.
E deveres?
Blá Blá pagamos impostos diversos e de automóvel, pagamos estacionamentos, logo temos todos o direito de ocupar a via pública com os nossos automóveis, próximo, pertinho da nossa casinha.
E deveres?
E se passar lá um camião maior, um autocarro de turismo, se... se houver um espectáculo, ou maior afluência à Casa de Fernando Pessoa?
Lá se vai a média de velocidade?
Para quê?
Há um semáforo chegados à Rua Ferreira Borges.
Estamos perante a incapacidade de governar em termos de trânsito e de mobilidade esta Capital.
Blá Blá mas nas outras cidades há problemas idênticos...
O que isso interessa?
Somos capazes de governar Lisboa?
Os especialistas destas áreas, os autarcas de Lisboa e da área metropolitana, os governantes, porque não assumem claramente que são incompetentes?
Querem lá saber da Segurança, das crianças, dos velhos, dos deficientes.
São problemas fáceis de resolver e poderiam ser rápidos de implementar.
Quanto tempo vai demorar a termos uma avaliação séria, competente e isenta, da nova implementação no Marquês de Pombal e na Avenida?
Uma experiência que ainda não foi complementada e que deve merecer-nos atenção aos resultados.
Sem preconceitos ou juízos menos isentos.
Simples.
Os moradores têm que pagar mais pelo estacionamento, nomeadamente à noite.
Porque não querem utilizar o Parque de Estacionamento próximo?
O último piso do estacionamento está dedicado aos coleccionadores de automóveis.
Não foi para esse efeito, ou não deveria, que a construção foi feita. Esta ocupação estar à ordem dos coleccionadores não é correcta e racioonal, por muito que possam pagar pela avença.
Mesmo assim o Parque de Estacionamento tem sub-ocupação, quando as ruas de Campo de Ourique estão cheias de automóveis e inclusivé, em cima dos passeios.
Os que moram em Lisboa têm de tomar consciência-
A solução da Coelha da Rocha não é solução.
Solução é serem incentivados a criação de silos, inclusivé transformando prédios em ruínas e promovendo junto aos proprietários negociações.
Quanto mais se aumentarem as cérceas, mais automóveis irão complicar o tráfego.
Os Urbanistas, os Geógrafos, os Arquitectos, não podem assumir isso? Não são soluções, mais túneis ou viadutos.
São remendos.

Anónimo disse...

Dado que isso é apenas praticável nas ruas onde de um lado haja estacionamento em espinha e do outro lado estacionamento em linha, está-se mesmo a ver que vai ser uma medida decisiva e tremendamente importante.