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29/12/2005

Casa Garrett: comentário às declarações da Vereadora do Urbanismo

A CML decidiu agora (?), pela voz, da nova Vereadora do Urbanismo, Gabriela Seara (GS), dar o dito pelo não dito ao que foi objecto de despacho em 4 de Agosto de 2005, em que o actual Presidente da CML, Prof.Carmona Rodrigues achava o contrário, pelo que me cumpre, enquanto co-autor da petição em prol da casa-museu de Garrett, comentar as declarações da Senhora Vereadora da seguinte maneira:

1. GS afirma que «(...)a CML não tem dinheiro para tudo» e que «o que há tem de ser gerido de acordo com determinadas prioridades(...)».

Lamentamos que a mesma CML ache prioritárias as flores da Avenida da Liberdade, ou o acto de dar «de olhos fechados» milhares de contos a Carlos Saura para rodar um filme sobre o fado! Inclusivamente, questionada pela oposição na reunião de ontem do executivo camarário, GS não soube referir qualquer verba como tendo sido negociada com o proprietário.

2. GS afirma que «(...) depois de esgotadas algumas alternativas e não ter chegado ao proprietário da casa qualquer proposta de aquisição do imóvel por parte de qualquer grupo, nomeadamente do Fórum Cidadania (...)».

Em primeiro lugar, o que está em causa com a casa de Garrett é da exclusiva competência da CML que, ao longo de décadas, se demitiu da sua responsabilidade em pugnar pela recuperação de um belo exemplar da arquitectura romântica e, mais grave que isso, por preservar a memória e o legado de Garrett, para além da básica placa toponímica.

Depois, e uma vez que GS parece estar equivocada e esquecida, o movimento Fórum Cidadania Lisboa (FCLX) entregou ao actual Presidente da CML, em mãos e no dia da sua tomada de posse, um documento com 16 propostas concretas para a cidade de Lisboa entre as quais uma proposta específica para se salvar a Casa Garret. Pelas declarações de GS, parece que o documento foi parar ao lixo.

Lembramos que ainda o abaixo-assinado foi promovido em Fevereiro de 2004, única e exclusivamente como apelo à preservação do prédio na Rua Saraiva de Carvalho, e à sua transformação em casa-museu do escritor, que julgamos ser merecedor disso e muito mais.

Nunca o FCLX foi ouvido neste processo, apesar de citado no despacho acima mencionado.


3. Diz ainda GS que «(...) É fácil entrar em movimentos de cidadania de defesa de determinados valores quando o próprio grupo não consegue juntar-se e encontrar uma solução, atirando para a Câmara a responsabilidade dessa resolução (...)».

É a primeira vez que a Senhora Vereadora Gabriela Seabra se nos dirige, directa ou indirectamente, pelo que as declarações que profere contra nós, enquanto autores da petição, contrariam as do Eng. Carmona Rodrigues enquanto candidato à CML, que sempre se declarou a favor do exercício de cidadania, etc., etc.. Compreendemos perfeitamente a diferença de «timings».

Era o que faltava que os cidadãos tivessem de se substituir aos eleitos!
Resumindo e concluindo, é triste ver-se que a vereação de GS começa mal, perdendo uma excelente oportunidade para inverter o modo e o agir da penosa vereação anterior.

E achamos que Garrett merece muito mais do que ser nome de rua, sala de espectáculos ou pastelaria, por melhores que sejam os seus bolos. Por isso foi possível reunirmos 2.300 assinaturas, provenientes dos mais diferentes quadrantes e latitudes.

Por isso confiamos que só o Senhor Primeiro Ministro pode resolver este problema, à semelhança do que fez, e bem, no caso semelhante da Colecção Berardo. Por isso já lhe pedimos ajuda.

PF

Casa Garrett: reportagem SIC no local, hoje, às 15h!

Hoje, pelas 15h, a SIC irá fazer uma reportagem in loco, na Rua Saraiva de Carvalho, nº 66-68, em Lisboa (a Campo de Ourique).

Contamos consigo? Pode passar palavra?

Melhores cumprimentos e FELIZ ANO NOVO!

Bernardo Ferreira de Carvalho, Pedro Policarpo e Paulo Ferrero

28/12/2005

CML dá o dito pelo não dito e deixa cair Casa de Garrett!!!

No seguimento do comunicado da CML sobre a não prorrogação da suspensão do processo de demolição da casa de Almeida Garrett, decretada em Junho passado pelo Dr.Pedro Santana Lopes, e na condição de autores da petição em defesa da mesma e sua transformação na casa-museu do autor de "Folhas Caídas", cumpre-nos declarar a nossa perplexidade pela resolução ora tomada pela CML, que, aliás, entra em nítida contradição com o despacho de 4 de Agosto de 2005, assinado pelo actual Presidente da CML, Prof.Carmona Rodrigues (aqui); bem como repudiar os argumentos que a justificam.

Mais informamos que iremos apelar ao Ex.mo Senhor Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates, para que, tal como fez com o patético caso à volta da "Colecção Berardo", volte a intervir decisivamente na defesa do património nacional, pondo cobro a este processo verdadeiramente lamentável e penoso, indigno da memória de Garrett.

Apelaremos, portanto, ao Ex.mo Senhor Primeiro Ministro para que dê seguimento à vontade expressa por milhares de pessoas, de cidadãos anónimos a individualidades e entidades de reconhecido mérito cultural, de modo a que tão breve quanto possível possamos ter a casa de Garrett não só recuperada, como propriedade de todos os portugueses, que a merecem, por mais inépcia, má vontade e incultura caracterize quem de direito.

P.S. Voltando ao comunicado da Srª Vereadora Gabriela Seara, cumpre-nos comentar o seguinte, em jeito de rodapé:

"Depois de esgotadas algumas alternativas e não ter chegado ao proprietário da casa qualquer proposta de aquisição do imóvel por parte de qualquer grupo, nomeadamente do Fórum Cidadania que fez um abaixo-assinado com mais de 2300 assinaturas, a Câmara entende que não dispõe de condições financeiras para fazer este investimento", disse.

O Movimento Cidadania LX entregou em mãos, ao actual Presidente da CML, no dia da sua tomada de posse um documento com 16 propostas para a cidade de Lisboa entre as quais uma proposta específica para salvar a Casa Garret.

O abaixo-assinado foi promovido em Fevereiro pelo movimento de cidadãos lisboetas para defender a preservação do prédio na Rua Saraiva de Carvalho e a sua transformação numa casa-museu dedicada à memória do escritor.

"É fácil entrar em movimentos de cidadania de defesa de determinados valores quando o próprio grupo não consegue juntar-se e encontrar uma solução, atirando para a Câmara a responsabilidade dessa resolução", criticou a autarca.


É a primeira vez que a Vereadora Gabriela Seabra se dirige, direecta ou indirectamente ao Movimento de Cidadania Lx, depois dos diversos apelos, durante a campanha eleitoral, que o actual Presidente fez a movimentos de cidadãos e munícipes, consideramos lamentável que a Srª Vereadora tenha escolhido estes termos.

Gabriela Seara frisou que a Câmara tem legitimidade jurídica para esta decisão, que está baseada em pareceres dos serviços, e lembrou que o parecer do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) a recomendar à autarquia a classificação do edifício como imóvel de interesse municipal só surgiu 15 meses depois da aprovação da licença de demolição".

O IPPAR recomenda à autarquia, "a reboque de um movimento público", que o património seja reclassificado, mas os serviços dizem que não vêem nisso qualquer interesse e a Câmara de Lisboa tem outras prioridades, sustentou.

"Até à licença de demolição, a Câmara ouviu quem tinha de ouvir interna e externamente" e, nesta zona, o parecer do IPPAR não é vinculativo, acrescentou.


Nunca o Movimento Cidadania LX foi ouvido neste processo, apesar de citado no despacho em anexo


Paulo Ferrero, Bernardo Ferreira de Carvalho e Pedro Policarpo

27/12/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo # 8: Tapada da Ajuda

Este é um daqueles lugares que podiam ser de extrema importância para Lisboa e de enorme usufruto pelos lisboetas, mas que apenas são um imenso espaço desperdiçado e desconhecido. Tal como funciona hoje, a Tapada da Ajuda é apenas o local onde funciona o Instituto de Agronomia, e onde, de vez em quando, há uns jogos de râguebi, e uns leilões e umas festas no Pavilhão de Exposições. O resto (apesar do magnífico "site" sugerir o contrário) é paisagem desoladora, com muito mato e lixo e onde nem sequer faltam novos edifícios, aqui e ali, licenciados não se sabe muito bem por quem, muito menos para servir o quê (ex. "Auditório da Lagoa Branca", onde a lagoa está seca, com rachas e abandonada, mas o edifício está novinho em folha). É preciso uma intervenção de fundo na Tapada da Ajuda, em que se recuperem os lagos, os circuitos e os espaços lúdicos, e se revitalize o Observatório Astronómico, dando-o a conhecer à população. Cative-se os lisboetas!

PF

Obras Metropolitano- Abate Plátanos Bairro Azul

Abater os Plátanos ou deixá-los morrer não é solução!

No seguimento das notícias publicadas sobre o eventual abate de árvores na frente do Bairro Azul, a Comissão de Moradores estranha o silêncio da Câmara Municipal de Lisboa e as afirmações feitas pelo Presidente do Metropolitano de Lisboa, quando refere que estes “ou se abatem ou morrerão”.

Tendo em conta que:

1. Desde 2002 que a Comissão de Moradores demonstra preocupação em relação a esta questão, junto da Câmara Municipal de Lisboa (CML) e Metropolitano de Lisboa, E.P.;

2. De então para cá, foram entregues inúmeros documentos à CML e Metropolitano de Lisboa que referiam “a necessidade de cooperação e coordenação entre a CML e o Metropolitano, no sentido de a obra do metropolitano ser projectada e executada inserida num projecto de requalificação global do Bairro, devendo as duas obras decorrer, tanto quanto possível, em simultâneo”;

3. A necessidade de salvaguarda da frente do Bairro Azul, e das árvores aí existentes, mereceu, desde 2002, especial preocupação por parte dos moradores, sendo um dos pontos que consta, por exemplo, das sugestões apresentadas em 2003-10-13 pela Comissão de Moradores ao Senhor Presidente da CML, no âmbito do processo de audição do público, prévio à revisão do Plano Director Municipal, ao abrigo do nº 2 do artigo 77 do Decreto-Lei 380/99 de 22 de Setembro. Sugeria-se, nesse documento,

Que no traçado da Linha do Metropolitano seja devidamente salvaguardada a “frente” do Bairro Azul (Rua Marquês de Fronteira) incluindo todas as árvores que aí existem

4. Em resposta a toda a correspondência enviada pela Comissão de Moradores à CML, recebemos da parte do Dep. Planeamento Urbano a garantia de que:

“(…) no traçado da linha do Metropolitano, está prevista a salvaguarda da frente do Bairro Azul, nomeadamente todas as árvores que aí existem (…) – ofício 1953/DPUR/DIV/2004 de 2004.08.25

(…) as obras do Metropolitano em curso não afectarão a frente do Bairro Azul (…)” – Ofº 337/DPU/2004 – 4422/DPUR/DIV/2004 de 2004.11.17

5. Em resposta à correspondência enviada pela Comissão de Moradores à Administração do Metropolitano de Lisboa, recebemos do Presidente do Conselho de Gerência, a garantia de que:

“ (…) o Metropolitano de Lisboa se encontra nesta data a rever o projecto da Estação S. Sebastião II de modo a minimizar os impactos à superfície decorrentes da sua construção (…) – ref 337631 de 2004.10.29

Tendo ainda em conta que:

6. O Bairro Azul encontra-se, desde a publicação no Boletim Municipal nr. 583, em 21 de Abril de 2005, como “Conjunto em Vias de Classificação”, facto que pressupõe ser obrigatório haver um cuidado redobrado na intervenção no espaço público e património do Bairro;

7. O Bairro Azul está incluído na zona abrangida pelo futuro Plano de Pormenor da Pç de Espanha e Avenida José Malhoa;

E tendo, finalmente, em conta que

8. A frente do Bairro Azul é um local de convívio onde existem mesas, bancos e árvores de grande porte que se encontram em bom estado fitossanitário e que funcionam como "barreira de protecção" ao Bairro da intensa poluição atmosférica e sonora que actualmente existe no cruzamento da Rua Marquês de Fronteira com a Av. A.A.Aguiar;

9. Os Moradores promoveram um abaixo-assinado, actualmente com cerca de 400 assinaturas, em defesa da frente do Bairro;

10. A Assembleia Municipal de Lisboa aprovou em 2005.12.20, por unanimidade, uma moção subscrita pelo Senhor Presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião da Pedreira e aprovada em Assembleia de Junta de Freguesia contra a destruição das árvores existentes na frente do Bairro;

11. A Direcção do Núcleo de Lisboa da Quercus demonstrou à CML a sua preocupação relativamente a este assunto através de faxes enviados em 27 de Maio, 6 de Junho e 23 de Agosto últimos,

A Comissão de Moradores do Bairro Azul solicita, uma vez mais, ao Metropolitano de Lisboa e à CML que:

a) Tenham em conta todos os factos e compromissos acima referidos;

b) Forneçam à Junta de Freguesia os estudos referentes a esta obra, para serem consultados pelos moradores e população em geral, conforme nos tem vindo a ser prometido desde 2004.

Agressões à qualidade de vida na cidade, com total desrespeito pela vontade, tantas vezes expressa, da população, e incumprimento da palavra dada, são inaceitáveis.

Abater os Plátanos ou deixá-los morrer não é solução!


P´la Comissão de Moradores do Bairro Azul

Edgard Piló e Ana Alves de Sousa

23/12/2005

FELIZ NATAL PARA TODOS VÓS

Com muita saúde, alegrias e boas acções de cidadania!

PF

Governo garante que Colecção Berardo fica em Portugal

A hipótese mais provável será o Centro Cultural de Belém.

Esta é mesmo uma óptima notícia.

PF

Afinal sempre há neve: : CML Autoria nevão artificial

Eu não confio nestas declarações: "Estão reunidas as condições de segurança de pessoas e bens para que o evento se realize no Marquês de Pombal". Mas oxalá me engane, oxalá...

PF

22/12/2005

CML lança, dia 28, plano segurança rodoviária sobre pontos negros

Os pontos negros estão identificados há muito, e basta começar pela listagem fornecida pela ACA-M, aqui. Mas esta é, definitivamente, uma boa notícia vinda da CML, e apesar de exígua. Estou disposto a levar os técnicos da CML aos pontos negros pertinho de minha casa, que todos os anos provocam carros e condutores estropiados, quedas, atropelamentos e semáforos em baixo... o caricato é que muitos dos pontos negros resultam da má acção da CML, ao permitir, por exemplo, muppies e carros estacionados no passeio, obstruindo a visibilidade, ngraçado é que hoje mesmo nasceu mais um ponto negro, provocado pela CML, em que uns operários da autarquia andam a desnivelar lancis do passeio, fazendo com que os transeuntes tenham que andar no meio das faixas de rodagem. Acresce que a situação verifica-se em plena curva apertada.

PF

Tomada de posção da CML sobre incineradora do Júlio de Matos

Acerca da proposta do Governo em instalar no Hospital de Júlio de Matos uma central incineradora de cerca de 60% dos resíduos hospitalares (restos de órgãos humanos, seringas, etc.) de todo o país, a CML tomou uma posição. Como é óbvio, os fumos libertados serão altamente cancerígenos, e irão juntar-se ao que os moradores da zona já respiram diariamente, directamente dos aviões e veículos automóveis.

As associações ambientalistas pouco se têm manifestado. Os moradores continuam a pensar, incompreensivelmente, que é um problema dos "outros", até um dia ...

A pergunta obrigatória: porquê o Júlio de Matos?

PF

Lisboa: moradores e junta de freguesia querem travar abate de plátanos no Bairro Azul

O problema não é novo, nem a notícia nova. Só que o Metro se tinha comprometido a "viabilizar" os plátanos. E de repente tudo muda, vindo dizer que os plátanos ou são abatidos ou morrem - grande alternativa?!

A Junta de Freguesia aliou-se, e bem, aos moradores, e agora também, a Assembleia Municipal. Mas não chega. Tudo, infelizmente, depende do Metro e da CML. Por isso, quantos mais assinates tiver a petição da Comissão de Moradores, melhor. Assine-a, já!

PF

Nevão sobre o Marquês em stand by

Só cai com autorização municipal. Infelizmente, esse não é problema. O problema é a quem se pedem depois responsabilidades pelos eventuais acidentes...

PF

21/12/2005

Bocage morreu há exactamente 200 anos. E o que fez a CML durante todo o 2005? Nada

Sabemos que o que Setúbal tem vindo a comemorar. O que a Biblioteca Nacional tem vindo a comemorar. E, até, o que os brasileiros têm vindo a comemorar. A razão é simples: Bocage é um dos nossos maiores poetas, e é um vulto universal, especialmente junto da diáspora lusitana. E morreu em Lisboa!

Mas da CML, para além de uma menção ao poeta naquela coisa patética que são os painéis alusivos ao centenário do Café A Brasileira (que devia concorrer ao "prémio" de pior serviço de restauração do Chiado...), e de albergar uma exposição, tão esforçada quanto pindérica, da tertúlia de Bocage, na sala de exposições temporárias da Biblioteca Camões, à Calçada do Combro (a propósito, quando é que a CML resolve recuperar o edifício da biblioteca?), NADA sabemos.

Será que, à semelhança do Terramoto, as iniciativas "deslizaram" para 2006? Ou, simplesmente, nunca passaram de nada?

PF

A propósito da neve artificial sobre o Marquês

(que faria Pombal a quem autoriza aquela publicidade que cobre as fachadas dos prédios da sua rotunda?!), acabamos de receber este comunicado da ACA-M, dando-nos conta do seu pedido de esclarecimentos à CML (que acaba de anunciar não ter ainda dado autorização à campanha publicitária, estando a estudar o assunto...) e ao BES (que, pelo que se depreende do comunicado da CML, anuncia a campanha sem ter autorização expressa para tal):

"COMUNICADO
PUBLICIDADE SURREAL E PERIGOSA NO MARQUÊS DE POMBAL - LISBOA


O BES vai lançar uma campanha publicitária na Rotunda do Marquês do Pombal, projectando neve artificial sobre aquela praça, nas últimas duas semanas de Dezembro, todas as noites, das 18h às 2h.
Esta iniciativa poderá causar aumento e agravamento dos despistes, colisões e atropelamentos na zona.
A ACA-M acaba de requerer à presidência da CML e à administração do BES que nos informem se foi estudado o risco de desastres rodoviários antes da autorização da campanha e a quem deverão os cidadãos pedir responsabilidade, se estes ocorrerem (ver abaixo).

Contactos:
Guilherme Moreira - 936788965
Isabel Goulão - 919969679
Manuel João Ramos - 919258585

--------------------------------------------------------------------------------
Exmo. Senhor
Eng. A. Carmona Rodrigues
Presidente da CML

CC: Conselho de Administração do BES

Ass: Requerimento

Exmo. Senhor,

Tivemos informação de que, com aparente autorização da CML, o BES vai lançar uma campanha publicitária na Rotunda do Marquês do Pombal, projectando neve artificial sobre aquela praça, nas últimas duas semanas de Dezembro, todas as noites, das 18h às 2h.

Preocupados com o eventual impacto negativo desta iniciativa, no que respeita à segurança rodoviária naquela zona – em particular, a probabilidade de incremento e agravamento de despistes, colisões e atropelamentos – vimos requerer que nos informe se foi realizado um estudo de risco de segurança rodoviária, previamente à autorização desta campanha.

Vimos também requerer que nos informe a que entidade deverá ser imputada responsabilidade pela ocorrência de despistes causados ou potenciados pela não aderência do piso devida à projecção de neve artificial na Rotunda do Marques do Pombal.

Com os melhores cumprimentos

Manuel João Ramos
Presidente da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados

Lisboa, 18 de Dezembro de 2005
."

PF

Elevador Stª Justa reabre ligação ao Carmo

FINALMENTE!

É para caso para celebrar? Ou é caso para pelourinho, por nos terem deixado 13 anos sem ele? T-R-E-Z-E anos!

PF

19/12/2005

Palácio do Milhões precisa de restauro!!

A propósito da exposição «As Primeiras-Damas da República Portuguesa», já anunciada aqui e a decorrer até dia 23 de Dezembro, na antiga sede do IADE, na Rua do Alecrim (defronte à estátua de Eça)- uma exposição interessante mas algo cara, por sinal -, cumpre-me denunciar o mau estado dos frescos, dos frisos e dos tectos das salas a que tive acesso no Palácio do Milhões (sabiam que a chave deste palácio do milionário António Augusto Carvalho Monteiro também abria a do seu jazigo e a porta da sua Quinta da Regaleira, em Sintra?) merece mais do que ser um pavilhão do IADE para uso diverso. Merece ser restaurado e usado por todos. E se há sítio em Lisboa para hotel de charme, é este com certeza.

PF

Lançamento do Roteiro da Estatuária e Escultura de Lisboa

No dia 15 de Dezembro foi lançado, na FNAC do Chiado, o Roteiro da Estatuária e Escultura de Lisboa, uma edição do Departamento de Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa. Mais outra boa iniciativa da CML, cujos objectivos, no entanto, só serão atingidos quando a estatuária de Lisboa estiver de boa saúde, a começar pela estátua de D.José I.

PF

Prédio na Gago Coutinho avança apesar de embargo

Caricato: Edifício está a ser construído atrás de vivenda, embora não tenha licença Participação-crime está em curso. Impressão minha ou na UE só mesmo em Portugal?

PF

16/12/2005

A Carris refuta as nossas acusações de mau funcionamento

A notícia vem em todo o lado: "O director da Carris refutou ontem as acusações de mau funcionamento lançadas na terça-feira por um movimento de cidadãos lisboetas e afirmou o empenho da empresa de transportes colectivos em reduzir o tempo das deslocações.

José Maia, da direcção da empresa de transportes públicos de Lisboa, contestou a proposta, avançada pelo Fórum Cidadania Lisboa, de distribuição de carreiras em malha, com autocarros a circular em linhas na latitude e outros na longitude, ao contrário do sistema actual, de ponto para ponto. Na opinião do movimento de lisboetas, esta medida permitiria aos utentes "esperar três vezes menos" por um autocarro do que actualmente. Segundo um estudo da União Europeia revelado na semana passada, o tempo médio de espera por um autocarro em Lisboa é de 11,22 minutos

"Eu não percebo muito bem esta proposta, porque implicaria que toda a cidade fosse rectilínea, como a Baixa, mas Lisboa não é assim", defendeu José Maia. De acordo com o responsável, a Carris "pretende ter mais carreiras circulares que intersectem com as linhas radiais", que predominam na rede, mas são também necessários autocarros que cheguem a outras zonas e que permitam uma articulação com o Metropolitano

No comunicado divulgado na terça-feira, o Fórum Cidadania Lisboa criticou "a exiguidade das paragens", uma consideração contestada pela Carris, que adianta que as mais de 2200 paragens da cidade são da responsabilidade de empresas contratadas pela câmara municipal e que utilizam o mesmo tipo de equipamento em vários países europeus.

Sobre a acusação de que a frota está a ser substituída a um "ritmo penoso", José Maia disse que até meados de 2006 mais de metade dos autocarros terão sido trocados .
"

Agradecemos a atenção dada pela Carris ao nosso desafio, e congratulamo-nos com o espírito aberto com que o nosso operador de transportes colectivos de superfície acolhe as críticas e sugestões dos cidadãos. Compreendemos as respostas e os comentários que tecem, mas não os aceitamos. Porque:

* Não é por Lisboa apresentar uma topografia feita de colinas que impede a Carris de implementar um sistema de distribuição de carreiras em malha, muito mais eficiente e lógico, em contraponto à rede actual;
* Não é pelas linhas de eléctrico terem sido fechadas (mal) há décadas, que estamos impedidos de as reabrir e de sermos europeus na verdadeira acepção da palavra investindo em transporte não poluente, efectivamente eficiente no combate à entrada de automóveis na cidade(com ligações a efectivos inter-faces), estético e até turístico;
* Não é a um ritmo de substituição de pouco mais 100 autocarros/ano que conseguiremos diminuir drasticamente os níveis de poluição e desconforto dos nossos 813 autocarros;
* Não é por as paragens de autocarro serem desenhadas e implementadas pela CML, de igual forma a alguns países europeus, que não podemos ter outras paragens, mais espaçosas, mais cómodas, com boa informação e sem poluição visual.

Sabemos que se não tivessem sido os ingleses talvez nem sequer houvesse Carris em Portugal, e sabemos quão difícil é virar do avesso todo um conjunto de situações, hábitos e processos, mas achamos que em pleno séc.XXI é tempo de recuperarmos o nosso atraso em relação a quem nos gostamos de comparar.

Por último, aqui ficam três notas pessoais, em jeito de reflexão:

- Há mais de 10 anos que há TGV entre Madrid e Córdova;
- Há quase 10 anos que Saragoça tem os quadros electrónicos, com previsão de tempo de passagem, info sobre carreiras, etc., nas suas paragens de autocarro;
- Há muito tempo que os autocarros da cidade de Cáceres são movidos a gás natural
.

PF

Tesouros escondidos, descubra você mesmo # 7: Capela de São Jerónimo

Esta capela manuelina, singela e quadrangular, é a minha preferida de Lisboa e por isso a escolhi em Maio de 1993. Colocada estrategicamente a Norte da Torre de Belém, lá de cima tem-se uma vista espantosa sobre a foz do Tejo e não só. Os terrenos que a circundam já estiveram mais feios e mais abandonados. É pena que não esteja aberta ao público senão por via de pedido junto dos Jerónimos, ou do prior de serviço a casamentos. Vale a visita, e valeria muito mais se houvesse roteiros organizados sobre as marcas manuelinas em Lisboa. Chamo a atenção para o excelente "site".

PF

De vez em quando lá aparece uma boa notícia:

Inaugurado o Túnel do Rego. E esta é uma delas.

PF

José-Augusto França doa espólio à BN: BRAVO!

"O professor, escritor e crítico José--Augusto França assina esta tarde, em Lisboa, na Biblioteca Nacional (BN), o termo que formaliza a doação de um seu espólio literário à instituição. Três manuscritos, assinados por António Sérgio, Eduardo Lourenço e Jorge de Sena, integram esse espólio, bem como o epistolário resultante de correspondência, do doador, com algumas relevantes personalidades da cultura nacional do século XX.

Esses materiais, considerados "valiosíssimos" pela BN, enriquecerão os fundos do seu Arquivo da Cultura Portuguesa Contemporânea. Além da correspondência, os três manuscritos referidos provêm dos arquivos de Unicórnio, Bicórnio, Tricórnio, Tetracórnio e Pentacórnio - cinco publicações organizadas e editadas por José- -Augusto França, entre 1951 e 1956 -, antologias de inéditos de autores portugueses contemporâneos, reunindo colaboração de grandes nomes da nossa cultura, como, entre outros além dos já nomeados, Almada Negreiros, Alexandre O'Neill, António Pedro, Casais Monteiro, Ferreira de Castro, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio ou Sophia de Mello Breyner.Nos 50 anos da publicação, em Dezembro de 2006, a BN promoverá mostra da colecção, assinalando a sua relevância.

Catedrático jubilado da Universidade Nova de Lisboa, José- -Augusto França presidiu ao Instituto de Língua e Cultura Portuguesa e à Academia de Belas Artes e dirigiu o Centro Cultural Português da Fundação Gulbenkian em Paris. Nascido em 1922, em Tomar (a cujo museu municipal doou grande colecção de pintura), doutor em História e em Letras pela Sorbonne (Paris), tem obra publicada, do ensaio à ficção, com relevo para a história da arte contemporânea portuguesa. Director da extinta revista Colóquio-Artes (1971-1997), colaborou amplamente na imprensa portuguesa e francesa, de teor artístico e cultural
."

PF

15/12/2005

E lá passou a "Taxa Municipal de Direitos de Passagem"

Pode ler-se no site da CML: "A Câmara de Lisboa aprovou em reunião do executivo, no dia 14 de Dezembro, por maioria, a aplicação de uma nova taxa municipal - de 0,25 por cento - que vai incidir sobre as facturas telefónicas dos consumidores finais. O executivo camarário preferia que a despesa fosse suportada pelas empresas de telecomunicações mas a Lei das Comunicações Electrónicas, aprovada em 2004, pela Assembleia da República, não o permite."

Portanto, acrescento eu, há que aproveitar a lei e seguir o exemplo edificante dos restantes municípios que já o aprovaram, e aproveitar a boleia.

Mais à frente: "Esta taxa, criada pela Lei nº 5/2004 de 10 de Fevereiro - Lei das Comunicações Electrónicas - visa ressarcir financeiramente as autarquias pela utilização dos subsolos por parte das empresas de telecomunicações."

Eu diria que quem devia ser ressarcido pelos esventramentos sucessivos do solo, dos passeios e dos pavimentos, era o cidadão comum, pois é ele que suja os sapatos, é ele que tem que andar sobre ripas de madeira, é ele que pode cair e partir uma perna e é ele que está farto de viver numa cidade do regabofe. A CML é que se devia dar ao respeito e entender-se com o Governo (para que legislasse) e com as empresas públicas e semi-públicas que esventram constantemente o solo, para que fossemos todos uma cidade onde a preocupação reside no bem estar do cidadão e não no cifrão.

PF

Vem aí um prédio de 11 andares para o Saldanha, via Taveira!

De Miguel Aguiar, recebemos o seguinte alerta via e-mail (já com atraso), que passamos a enunciar:

"Subject: Não Deixar Transformar Lisboa em Taveiras de Baixo!!!!!!!

Como sabem Lisboa está a ser destruída ilegalmente a olhos vistos! Os emails e abaixo assinados já não é mau, mas enquanto os escrevemos lá vão mais 10 prédios ao chão e 15 caixotes para o alto!!!!

Como temos que começar por qualquer lado e já estão a começar a desmantelar o prédio amarelo de esquina do Saldanha, de três andares e do século XIX (que tinha o anúncio do Martini) e vão tentar construir um edificio de 11 andares, assinado pelo nosso "querido" T.Taveira, peço para nos juntarmos já esta 4 feira, dia 14, às 18h, frente ao dito prédio, com cartazes, filhos, carros, buzinadelas, telefonemas para rádios, jornais, televisões e revistas antes que ele vá abaixo.

Já estou a ver que vou ficar lá sozinho a fazer figura de urso enquanto estão todos ocupados a fazer as comprinhas de Natal, mas nestas coisas se não houver um maluco a começar, continuamos sempre a mandar emails, abaixo asinados e a queixarmo-nos aos amiguinhos

Boas compras de Natal!

Se passarem por mim de carro ao menos apitem!!!
Abrações
"

Em jeito de comentário, direi apenas que nesse prédio havia uma boa pastelaria, ultimamente já decrépita, e que ao lado desse prédio existe um outro que foi recuperado integralmente logo que, há 4 anos, a vereação da altura tomou posse. Tratar-se-á de mais um caso de "filhos e enteados"?

PF

Derrocada nos Inglesinhos!! (2)

14-12-2005 22:11:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7575041
Temas: sociedade cultura portugal património lisboa

Lisboa: Sá Fernandes quer vistoria imediata às obras do Convento dos Inglesinhos

Lisboa, 14 Dez (Lusa) - O vereador da Câmara Municipal de Lisboa José Sá Fernandes vai pedir quinta-feira uma "vistoria imediata" à obra que decorre no Convento dos Inglesinhos, estrutura que hoje de madrugada sofreu um derrocada.

"Desde a primeira hora que considerei o Convento dos Inglesinhos um sítio a preservar, até por estar numa zona classificada, mas não houve a cautela suficiente e o que agora aconteceu é inqualificável", afirmou o vereador à Agência Lusa.

Afirmando-se "profundamente desgostoso" com a derrocada, Sá Fernandes sublinhou que o incidente "parece ser uma consequência" das obras que decorrem no local com vista à construção de um condomínio, pois "o convento estava degradado, mas não em risco de ruir".

Nesse sentido, o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda - que declarou à Lusa já ter "várias fotos e descrições da derrocada" - quer "ver a obra por dentro", para saber que cuidados então a ser tomados no sentido de preservar o imóvel, localizado no Bairro Alto.

Para falar sobre o desmoronamento, José Sá Fernandes tem agendada para quinta-feira da manhã uma conferência de imprensa no Largo do Hospital de São Luís, em que irão participar elementos da Comissão de Defesa do Colégio dos Inglesinhos.

De assinalar que o actual vereador da autarquia lisboeta interpôs, em conjunto com o cineasta José Fonseca e Costa (que reside no Bairro Alto), uma acção em tribunal, por duvidar da legalidade da obra em curso, estando o processo a decorrer.

O Convento dos Inglesinhos, construído no século XVII, foi adquirido à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa pelo grupo Amorim, com vista à criação de um projecto de habitação e de prestação de cuidados de saúde para maiores de 55 anos.

Porém, este projecto não se concretizou, sendo substituído pelos planos de 30 apartamentos de luxo num condomínio fechado.

O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) aprovou em 2001 - e reconfirmou em 2002 e 2004, quando foram feitas alterações ao empreendimento - o projecto de licenciamento do condomínio por considerar que o projecto de arquitectura iria promover a requalificação de edifícios existentes e a construção de novos.

HSF.

Lusa/Fim


PF

14/12/2005

Derrocada nos Inglesinhos!!

É ver para crer!

Cairam esta madrugada dois muros do Convento dos Inglesinhos, e o que restava das paredes do edifício está em vias de cair.

Aliada à ignomínia que pautou todo este processo de venda do conjunto e aprovação do projecto de construção de condomínio, alia-se agora a incompetência técnica, sob o olhar incapaz de quem de direito.

A Misericórdia vendeu-o desde que fosse para fins sociais.
O IPPAR só classificou o BA depois do projecto aprovado.
A CML diz que sim mas também.
Os tribunais acham que quem tem razão é o promotor.

NÃO HÁ MAIS NADA A DIZER!

PF

Vem aí um novo Campo Pequeno

Foi isto (*) que o IPPAR e a CML aprovaram? Mais valia terem acabado com ela...com a "catedral dos cornos", como lhe chama A.Lobo Antunes.

PF

(*) Ainda falta a pála metálica amovível a esta simulação. E a simulação não dá conta da enormidade visual que é observar-se o seu aspecto in loco. Nem dá conta da profunda estupidez que é abrir-se um rol de salas de cinema naquele c.c., nem do estupidamente caro que é o preço por m2 de espaço a comercializar, muito menos das árvores que já foram abatidas por detrás do topo norte.

13/12/2005

Transporte Colectivo de Superfície – O que anda a fazer a Carris?

A propósito do relatório "Auditoria Urbana 2005" (DG Política Regional), onde Lisboa é a 26ª cidade com maior tempo de espera por autocarro (11 minutos e 24 segundos!), e no seguimento da inauguração (e consequente destruição dos carris de eléctricos), da "via-rápida" à Paiva Couceiro (empreendimento do Vale de Santo António a quanto obrigas!) apetece perguntar, a quem de direito, o que anda a fazer a Carris?

* Não chegam as paragens de autocarro serem exíguas, não terem alpendre e estarem repletas de publicidade?
* Não chega o ritmo penoso com que é substituída a frota da Carris (só 308 dos 813 autocarros foram substituídos)?
* Não chegam os autocarros da Carris continuarem a ser conduzidos aos solavancos como fossem transporte de carga?
* Não chega a Lisboa da Carris ser diferente da Lisboa dos lisboetas, havendo zonas da cidade onde a Carris não vai, ou vai quando lhe apetece?
* Não chega o autismo da Carris em não querer apostar na reabertura de linhas de eléctrico fechadas (C.Sodré-Amoreiras, M.Moniz-Areeiro, Restauradores-Campolide-Sete Rios, Madre Deus-Chile-Graça )?
* Não chegam os estatutos da Carris permitirem ao Estado injectar continuamente dinheiro nela, quando ela continua a apresentar maus resultados financeiros e práticos?

Como afirmamos e explicamos, aqui, em vez de esperarmos 11 minutos e 24 segundos pelo autocarro, poderíamos, com investimento ZERO, esperar, em média, 3 vezes menos!!

Apelamos, por isso, à Carris, mas também à CML e ao Governo para que de uma vez por todas avancem com soluções de longo prazo, e não continuem a alimentar medidas de cosmética que não resolvem, mas antes adiam e agravam o problema de mobilidade em Lisboa.

Pedro Policarpo, Paulo Ferrero e Bernardo Ferreira de Carvalho

Tesouros escondidos, descubra você mesmo # 6: Estrelinha da Sé

A esta antiga casa de pasto descobri-a eu por acaso, há uns bons anitos, vindo não sei de onde. Nunca percebi porque razão fecha aos fins-de-semana. Mas percebo que a recomendem por esses guias turísticos afora, pois além daqueles fronstespício azulão, tem uns magníficos (e cada vez mais raros em Lisboa) gabinetes individuais (séparés), em madeira anciã e decorados com cortinas de chita. E uma alheira de Mirandela, simplesmente fabulosa, e simplesmente acompanhada por grêlos. Além disso, fica num dos largos mais bonitos da cidade, o Largo de Santo António à Sé. Além disso é barato. Quem lá entra raramente deixa de voltar.

PF

Governo admite fechar hospitais do Desterro, de S.José e dos Capuchos até 2009

E esta não é nova nem inquietante, apenas lógica e aceitável. No entanto, resta a saber o que irão fazer aos espaços deixados livres...

"(...)A ideia do Governo é reorganizar os antigos hospitais civis de Lisboa, centrados em torno da Avenida Almirante Reis, no centro da capital, até ao final da legislatura (2009). Fonte oficial da tutela, citada pelo DE, indica que a reformulação do parque hospitalar passará pela substituição destas três unidades pelos hospitais de Loures, de Todos-os-Santos (na zona Oriental de Lisboa) e por uma nova unidade de saúde prevista para a margem Sul do Tejo (...)"

PF

Taxa Municipal de Direitos de Passagem??!!

Esta notícia da Lusa (muito obrigado, Olissipo!) é inquietante e pode, realmente, ser ilegal e inconstitucional:

"O vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fontão de Carvalho, vai propor quarta-feira a aplicação de uma taxa de 0,25% sobre a factura das telecomunicações dos munícipes, criando a Taxa Municipal de Direitos de Passagem. A proposta do vice-presidente, responsável pelo pelouro das Finanças, será discutida pelo executivo camarário em reunião privada na próxima quarta- feira e, caso seja aprovada, será depois submetida à Assembleia Municipal de Lisboa.

A taxa municipal, criada pela Lei 5/2004, de 10 de Fevereiro do ano passado, diz respeito aos direitos e encargos relativos à implantação, passagem e atravessamento de sistemas, equipamentos e outros recursos das empresas de comunicações, como a Portugal Telecom, TMN, Vodafone ou Optimus, e TV Cabo.

O valor a cobrar é calculado com base na aplicação de 0,25% sobre a facturação mensal enviada aos clientes.

As empresas «estão obrigadas a incluir nas facturas dos clientes finais, e de forma expressa, o valor da taxa a pagar», segundo o site da Autoridade Nacional de Comunicações (ICP-ANACOM), entidade responsável pelo regulamento que define os procedimentos a adoptar quanto à cobrança e entregas mensais, ao município, das receitas provenientes da cobrança da taxa.

De acordo com a ANACOM, quase 80 municípios do país aplicam a taxa municipal de direitos de passagem, mas apenas no concelho de Torre de Moncorvo o valor cobrado é de 0,10%, enquanto em todas as outras câmaras situa-se nos 0,25%.
"

PF

12/12/2005

Uma Casa Portuguesa, agora no Bairro Alto

Sábado passado eis que deparo com uma venda especial de Natal, na Travessa Poço da Cidade, em pleno Bairro Alto:

Trata-se de uma loja antiga, com visual e recheio novos, sob a batuta da Catarina Portas: "Uma Casa Portuguesa". Embora faltando ainda certos artigos "incontornáveis", como as "Pastilhas Elásticas Pirata", o creme depilatório "Billy", a pasta dentrífica "Binaca", o restaurador "Olex" ("Já viu um preto de cabeleira loura ou um branco de carapinha?"), ou o caderninho de significados da Primária, a verdade é que esta loja fez as minhas delícias e estou tentado a gastar uma série de euros em coisas como aquela magnífica caixa "Para Brincar", ou aqueles sabonetes e lavandas do nacional-cancionetismo. Alguém consegue resistir-lhes?

PF

Embaixada inglesa impedida de construir na Lapa

Obra iria ocupar jardim, mas Ippar diz que Lapa é zona de protecção ambiental

Vá lá, vá lá ... parece que o IPPAR está disposto a evitar mais casos como o da Embaixada da China...

PF

Visita à estátua de D.José, confirma-se surrealismo!

Finalmente, lá consegui fazer o périplo ao derredor da estátua de D.José I, aderindo assim à simpática iniciativa que a CML decidiu lançar em Junho passado (publicitada com afã nestes últimos dias) em parceria com o Museu Militar, no âmbito dos 250 anos do Terramoto. Em jeito de balanço final, digo que se trata de uma iniciativa interessante, claro, pois estamos sempre a aprender, mas algo frouxa - talvez por força de algum amadorismo com que tudo pareceu ter sido planeado (apesar do elevado grau de simpatia e entusiasmo das técnicas da CML). E que teve como ponto alto a visita à "sala dos gessos", onde se pôde admirar o molde que viria a ser injectado de bronze sob as ordens de Bartolomeu da Costa. No resto, ficou muito por dizer e ver, e muito do que foi dito, foi-o aos solavancos, ou de improviso. Mas vamos a detalhes:

1. No Museu Militar (onde, inexplicavelmente, o preço de entrada é ainda de 1,5 Euro?!)foi possível ver-se o carro que transportou os pilares do Arco da Rua Augusta, mas apenas imaginar-se o carro de madeira que transportou a estátua. Foi possível ver-se o estado lastimável em que se encontra uma caleche de D.José, e foi possível visitar-se o "pátio dos canhões" onde jaz um canhão de Díu, salvo de ser fundido em estátua por mero acaso; mas nem por acaso se pôde deixar de "admirar" as janelas e perfis de alumínio em tudo quanto é fachada do referido pátio, o que num monumento, ainda por cima na zona velha da cidade, devia ser (é)proibido. O director do museu justificou o alumínio com um "era incomportável a madeira, e o alumínio não choca". Gostava que mandassem o Sr.Coronel em visita de estudo aos países nossos parceiros na UE onde a madeira é comportável, o alumínio choca e se paga caro a violação da lei. Também no Museu Militar fiquei a saber que os termos "colónias" e "Ultramar" são politicamente incorrectos, e que o Marquês (o verdadeiro)é considerado (ainda bem) uma pessoa polémica.

2. Na Sala de Gessos, pôde-se admirar um conjunto de moldes imponentes de estátuas famosas de Lisboa e não só, acotovelados em espaço exíguo, mas também se pôde "admirar" o estado devoluto das antigas instalações das oficinas de fardamento militar, e da Revista Militar, com paredes esventradas, recheio devassado e vidros partidos. A entrada, como é óbvio, está vedada ao cidadão comum. Suponho que a situação de todo aquele edifício não choque quem de direito.

3. Por fim, no Terreiro do Paço, e até lá, o percuro foi "engraçado" pois pôde-se ver "progresso": obras intermináveis no Largo do Chafariz de Dentro, mais obras no pavimento e nos colectores junto ao Terreiro do Trigo; prédios lindíssimos a cair aos bocados, um Campo das Cebolas entregue ao estacionamento e aos arrumadores; uma Igreja da Conceição Velha preta de fuligem, dentro e fora (a reabilitação anunciada cinge-se à capela-maior e nada mais)e, por fim, a "coroa de glória" da visita ao derredor da estátua de D.José: o Terreiro do Paço e a própria estátua, objecto de vandalização de toda a ordem e devidamente autorizada por quem de direito, senão vejamos:

- A placa central é ocupada por mil e um objectos metálicos, de projectores de luz a simples contentores, e os seus bordos são ocupados por autocarros de turismo estacionados por todo o lado. Não contentes com isso as autoridades ainda permitem a instalação de uma gigantesca árvore de Natal metálica, que destrói a beleza do cenário, mas que a publicidade paga e a estupidez humana admira;
- A estátua de D.José lá está, repleta de verdete (que alguém teima em confundir com "patine"), e continua mutilada da trombeta na sua figura alegórica. Desta vez nem sequer foi possível chegar-se lá a pé para se admirar os conjuntos alegóricos, o baixo relevo e a placa do Marquês (de que ninguém falou!), porque uns tapumes publicitários não o permitem!;
- Por fim, os prédios ao derredor da praça que estão em péssimas condições de pintura, com as arcadas porcas (do Arco nem se fala), ainda e sempre ocupadas pelos mesmos e, para cúmulo, onde já há mais perfis de alumínio naquelas janelas do que madeira, mas que, suponho não choquem!, muito menos as janelas que continuam abertas no telhado do edifício do Martinho!

PF

07/12/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #5: Igreja da Pena

Fundada em 1570 por ordem do Cardeal-rei (ou será ao contrário?), D.Henrique, 17º e último reinante da Dinastia de Avis, a Igreja da Pena apresenta, por detrás daquela fachada austera e pouco desenvolta que dá para a bonita Calçada de Santana, para além de pinturas várias de Pedro Alexandrino (há alguma igreja em Lisboa que não tenha levado umas pinceladas deste pintor?) e de uma bonita imagem de S.Sebastião; uma maravilhosa talha dourada, que vale o esforço e persistência em combinar a visita com o prior. Trata-se de uma talha que só se equipara, talvez, à da Igreja de São Miguel (largo homónimo, em Alfama) ou à dos Paulistas, na Calçada do Combro. Há, pois, que pedir as chaves ao pároco local para obter licença de visita, fora das horas de missa ou de algum casamento esporádico.

N' "O Céu sobre Lisboa", um excelente memento em tom mordaz:

"Por falar em catástrofes, o último prédio que faltava reconstruir no Chiado, o chamado edifício Leonel, corre o risco de ficar pronto antes do 18.º aniveversário do incêndio de 1988 e, quem sabe, talvez o elevador do portuense Mesnier du Ponsard volte a cumprir a sua função de levar-nos ao largo do Carmo (ainda alguém se lembra?)."

PF

Mas nem tudo é mau, e a solução parece estar cada vez mais em do it yourself:

Santos quer ser capital do design. Renovação: Nova Associação dos Comerciantes lança acções para tornar o bairro uma referência artística : "(...) o projecto promovido pela associação de lojistas Santos Design District (SDD), procura desenvolver, no bairro lisboeta, actividades ligadas ao design, desde o seu ensino e produção até à comercialização. (...) Associando-se à remodelação do largo Vitorino Damásio e à elaboração, em curso, do Plano de Pormenor para o aterro da Boavista, onde o arquitecto Norman Foster destaca o elemento design, a SDD apontou como metas dinamizar a vida cultural e promover o design e disciplinas a ele ligado, apostando numa melhoria dos espaços públicos e equipamento urbano. Contou com o apoio da Junta de Freguesia de Santos que, na voz do presidente, Luís Monteiro, manifestou total apoio a esta acção de " renovação, que projecta Santos, muitas vezes esquecido." A associação prepara também uma proposta de colaboração com a Câmara. À iniciativa juntou-se ainda o Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing, que criou a imagem institucional da SDD e promove a actuação dos alunos no espaço público."

Comentário à margem:
Ou muito me engano ou esta iniciativa surge na sequência do projecto-ideia dos clusters (uma das razões para a reabilitação de Barcelona - a outra, como é óbvio, são os espanhóis), defendido por MMC na campanha, e completamente esmagado pela voragem do aperto de mão. Ainda bem que alguém pegou na ideia!!

PF

Pobre Lisboa!!

Depois das notícias vindas a público sobre a época de saldos no PS-Lisboa, só mesmo mais estas duas para se atestar o estado verdadeiramente "edificante" em que a nossa capital se encontra:

* Câmara de Lisboa investigada por suspeita de gestão danosa PJ investiga negócio da Feira Popular aprovado por Carmona Rodrigues

* Ruína iminente ameaça Hemeroteca Municipal

PF

06/12/2005

A minha escola primária faz 50 anos!

A propósito do "Projecto Escola" do site abaixo referido, uma pequena nota de parabéns à minha escola primária, por onde passei 4 anos (1969/70-1972/73) de benignas brincadeiras naquele pátio, e de utilíssimos conhecimentos e ensinamentos do saudoso Professor Sá. Trata-se da Escola Primária do Bairro de São Miguel, de traço de Rui Athouguia, que completa este ano 50 anos de existência. Passo muitas vezes por lá e acho-a sempre impecavelmente bonita.

pf

"Revelar Lx", Um novo portal para quem quer conhecer melhor Lisboa

Embora totalmente insipiente no momento (praticamente todos os conteúdos estão a zero), trata-se de um projecto interessante e de uma boa notícia (in Público 6/12/05). Veremos até onde vai:

"O Departamento de Bibliotecas e Arquivos da Câmara Municipal de Lisboa tem desde o final da semana passada disponível na Internet o portal Revelar Lx, desenvolvido no âmbito de um projecto europeu que pretende disponibilizar informação documental e iconográfica sobre a herança cultural das principais cidades do Velho Continente. No "site", em particular, os visitantes podem obter informação sobre acontecimentos que tiveram lugar em Lisboa ou saber pormenores vários sobre a história e arquitectura de todos os monumentos, museus e outros equipamentos culturais da cidade. Não são criados conteúdos novos, nem feita pesquisa histórica ou de qualquer outra natureza - o portal pretende simplesmente reunir toda a informação disponível na rede, organizá-la e torná-la, de uma forma mais prática, acessível aos visitantes. O site pretende ser um local de referência para quem quer saber mais sobre Lisboa e a sua herança cultural, e será sistematicamente actualizado à medida que mais informação seja disponibilizada online. Acedendo ao portal do Revelar Lx, o visitante pode facilmente procurar os acontecimentos que mais marcaram a cidade através de uma data, de um nome ou de qualquer outro ponto de referência nele incluído, como por exemplo um mapa de localização. Os conteúdos no momento encontram-se na sua maioria em português, mas pretende-se que a informação seja em breve disponibilizada em várias línguas e de fácil acesso a visitantes estrangeiros, tornando-se, desta forma, uma ferramenta útil também para turistas que queiram saber mais sobre Lisboa. Anabela Mendes"

PF (agradecendo a JBC)

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #4: Fundação Medeiros e Almeida

A fundação data de 1973 e o palacete e respectivo espólio são daquelas coisas imperdíveis para quem gosta de descobrir Lisboa. A casa é fabulosa, ainda e apesar das alterações inevitáveis por que passou ao longo dos tempos (inclusive, o magnífico jardim alberga hoje um edifício novo, que serve de "alimento" ao museu), estando agora de vento em popa, apesar daquela monstrusidade de parque de estacionamento, que alguém ofereceu ao Sporting como prémio de não sei de que jogo, e que alterou irremediavelmente a bonita configuração da Rua Mouzinho da Silveira (e que ia estragando os alicerces do palacete da fundação, aliás). Ao mentor do museu devemos um tributo parecido (e eu disse parecido) ao que os madrilenos devem ao Barão de Thyssen. De qualquer forma, trata-se de visita obrigatória para quem gosta de mirar relógios antigos, mobiliário em madeira nobre e porcelanas da China.

PF

Lugar nas empresas municipais: PS-Lisboa vende-se a Carmona.

De um lado estão os ‘carrilhistas’ (Manuel Maria Carrilho, Nuno Gaioso Ribeiro e Isabel Seabra), do outro os afectos à Concelhia do PS (Dias Baptista e Natalina Moura). Estes viabilizaram já o negócio da EPUL (Empresa Municipal de Urbanização de Lisboa) no Vale de Santo António, em Chelas, depois de o presidente da Concelhia socialista, Miguel Coelho, ter andado a sondar os camaradas, perguntando-lhes se estariam interessados num cargo numa empresa municipal, apurou o CM.

A estratégia não é nova, e até os "insuspeitos" PC aderem a ela constantemente (basta ver-se o exemplo de Sintra). Por isso, a notícia que o Correio da Manhã desenvolve só pode surpreender quem não conhece políticos profissionais. E compreendo que ao candidato derrotado a vontade que dê seja bater com a porta. Mas atenção: isso é o que se pretende com a estratégia, por isso há que engolir sapos vivos.

PF

05/12/2005

Novos espaços pedonais na Avenida da Liberdade; à custa de quê?

A notícia é boa, parece que finalmente se vai "atacar" a Avenida. Mas lida com mais pormenor, o que sobra é muito pouco e parece rodar tudo à volta de futuros parques de estacionamento subterrâneo, nos troços exteriores asfaltados da Avenida, ficando tudo o resto para futuras núpcias: restrição efectiva ao trânsito automóvel, lançamento de linha de eléctrico, revitalização da colina do Torel, "pedonalização" da zona da Anunciada, operação de salvamento dos 5 (!) prédios bonitos que existem na Avenida em perigo de derrocada (de que os melhores exemplos são o da antiga sede da "Mme.Campos", e aquele onde morava Alfredo Keil, junto à Rua Conceição à Glória), plano de pormenor para a Praça da Alegria, etc.

PF

02/12/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #3: Jardim Agrícola Tropical

Aliás Jardim das Colónias, aliás Jardim do Ultramar. Nasceu em 1906 na antiga quinta do Outeiro as Vinhas, e caracteriza-se por ser um agradabilíssimo jardim, com lagos, muitas aves e vegetação (mais árvores do que plantas) tropical e sub-tropical, vinda sobretudo da Madeira e das Canárias. Desde que a entrada é paga, as visitas cairam a pique, por isso a calma é mais que muita, o que se agradece. Ainda por lá está o magnífico portão chinês, recentemente restaurado (por obra e graça de um conhecido magnate) e proveniente da Exposição do Mundo Português, em 1940, onde esteve representando Macau, como é óbvio. Passeando pelo jardim, pode-se ir dando uma mirada pelas traseiras do Palácio de Belém. Este jardim é um verdadeiro tesouro de Lisboa, e um dos pouquíssimos jardins na verdadeira acepção da palavra. Pena é (e nunca (?) há bela sem senão) o caótico parque de estacionamento em frente ao portão de entrada, e a antipatia de alguns dos seus funcionários.

Arco da Rua Augusta estará restaurado em 2010 ?"

Lê-se ainda: "Monumento tem sido muito danificado pelas instalações luminosas das festas da cidade". Dois comentários:

1. O Arco da Rua Augusta devia ter sido restaurado aquando do Lisboa'94, há 11 anos, e só não foi nessa altura porque as várias entidades que o tutelam não se puseram de acordo, e continuaram a não estar até hoje. Será desta?

2. O Arco da Rua Augusta está assim por causa de tudo e mais alguma coisa, mas se o está muito por culpa das iluminações então dever-se-ia responsabilizar criminalmente quem autoriza a sua colocação e quem as coloca, por estar a atentar contra o património nacional, ainda por cima um monumento que é simbolo do poder, da soberania e, portanto, do país. Ter-se o Arco neste estado é sintomático do estado do país.
PF

PS viabiliza venda lotes Vale Sto.António

"Vereadores do PS estão em guerra: A decisão de Nuno Gaioso Ribeiro, vereador do PS, de subscrever uma proposta com os vereadores do PCP, Rita Magrinho e Ruben de Carvalho - contestando a actuação da EPUL no Vale de Santo António - incendiou os ânimos entre os vereadores socialistas e mostrou o clima de divisão que se vive no gabinete. Dias Baptista, vice-presidente da concelhia do PS Lisboa e vereador na CML, não gostou de ser surpreendido com a decisão e disse aos jornalistas que tinha "perdido a confiança política" no companheiro de bancada. "Não admito que um camarada meu subscreva uma proposta com dois vereadores do PCP sem que me tenha avisado", disse, considerando que se tratou de um comportamento "absolutamente inaceitável". "Acho que foi uma traição", disse, sublinhando que esta é uma posição pessoal, mas que a concelhia se poderá pronunciar sobre o assunto. Dias Baptista disse, contudo, que acredita que "será possível utrapassar este episódio" e que todos os vereadores irão "trabalhar em conjunto". Carrilho recusou pronunciar-se, enquanto Isabel Seabra apoiou a decisão de Gaioso. "

Por estas e por outras é que com os partidos políticos Lisboa nunca irá a lado nenhum lado. Só confio nas pessoas, e essas há-as boas em todos os partidos.

PF

30/11/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #2: Leitaria A Camponeza

Vem do tempo em que as leitarias de Lisboa, além de locais de venda de leite e lacticínios eram também local de convívio, almoçaradas e tertúlias várias. A maior parte delas desapareceu de circulação para darem lugar a sucursais bancárias e outras coisas do "pugresso". Mas a Leitaria A Camponeza, nº 155-157 da Rua dos Sapateiros (rua rica em história e património, de que só resta a fachada do Animatógrafo e algumas histórias da carochinha, lá do alto da sala de convívio do Grémio Lisbonense )mantém-se orgulhosamente só, de pé e sem dever nada a ninguém. E ainda bem que assim é. Data de 1908 e, além do mais, é um dos exemplos de Arte Nova (essa arte maior!) que em Lisboa se contam pelos dedos de uma mão (*); verdadeiramente bem estimada pela D. Adelina Diogo (julgo que ainda é ela)e resplandecendo de orgulho na sua arquitectura do Arq. Domingos Pinto, dos azulejos azúis e brancos de José António Jorge Pinto, pintados à mão com cenas do campo, e das suas vergas e traves-mestras. Os estrangeiros descrevem-na assim: "This is an old-fashioned leiteria (specializing in milk products and pastries), whose blue-tiled walls display bucolic scenes. The coffee, cakes, and sandwiches are all good. Closed Sun.". Eu recomendo o galão e as torradas.

(*) Alguém já reparou no atentado ao património que alguém está a fazer, porque alguém permitiu, à designada Vila Sousa (menção honrosa do Prémio Valmor de 1912!), no nº 22 da Alameda das Linhas de Torres? Então, aproveitem e protestem a quem de direito!!

1º de Dezembro, aquilo que todos pensam e ninguém diz

A propósito deste excelente post (mais um) do "De Lisboa", aqui deixo os meus comentárioscá do burgo, com votos de excelente feriado:

"Seria engraçado, caro "De Lisboa", fazer-se um estudo de mercado com os seguintes pontos:

- Qual foi o resultado efectivo (sem demagogias) para Portugal sobre os 60 anos de domínio filipino?
- O que seria Portugal hoje caso tivesse continuado a ser domínio de Castela?
- Quantos dos conjurados o foram realmente por motivos de nobreza pátria?
- Porque razão os habitantes de Olivença não querem ouvir falar das tentativas dos "Amigos de Olivença" em "reaver" aquela vila para Portugal?
- Qual será a percentagem dos que falam orgulhosamente da Restauração da Independência em público, e pensam com os seus botões que foi o pior que podia ter acontecido a Portugal?
- Porque razão o comum dos cidadãos pensa que o 1º Dezembro é um nome de uma rua e não a data da Restauração da Independência?

Enfim, coisas que me afligem sempre que ouço falar no dia 1 de Dezembro
."

PF

29/11/2005

Tesouros escondidos, descubra você mesmo #1: Largo de Santa Cruz do Castelo

É um dos largos mais bonitos de Lisboa, mesmo conforme está. Tem uma planta praticamente quadrada, centrada por fartos e velhos plátanos (que um dia alguém ainda há-de diagnosticar como "fotossanitariamente doentes" e, por isso, os há-de candidatar a abate...), acabrunhados por podas mal executadas e por carros estacionados sem rei nem roque, e bordejados por um edificado de fogos abandonados, uns, outros habitados pelo gato e pela velhota esquecida. E múltiplos projectos de reabilitação e alterações a fervilhar algures... A igreja que lhe dá nome já foi mais concorrida do que agora, que anda em obra há séculos (talvez compita com as de Santa Engrácia, não sei...). Dantes havia o restaurante do Michel, que deu certo protagonismo burguês ao largo, mas também já fechou há muito tempo, e o seu antigo espaço lá continua abandonado tal qual o resto. Mas aquele largo tem um não sei quê que não deixa ninguém indiferente. Cachet, diriam os franceses. Já sei o que é, aquele largo parece França mas não é.

PF

Campanha Vamos Proteger o Património de Lisboa!

No seguimento das questiúnculas e lutas fraticidas que se desenrolam pela sucessão do poder no Urbanismo da CML, a propósito do Convento de Arroios, assumimos a nossa posição:

O que está em causa é, tão somente, a DELAPIDAÇÃO DE PATRIMÓNIO DE LISBOA (fotos em anexo) , pois quem nos governa (e era proprietário do imóvel) poderia tê-lo usado para centro cultural, ou para escola de artes e ofícios, em regime de semi-internato (à imagem do que se faz lá fora...) , etc., em vez de o vender a privados. Além de que o conjunto deveria ter sido classificado há muito e protegido no que toca à igreja, ao claustro e aos elementos históricos objecto de estudo pela (DGEMN).

Mas é preciso não esquecer que Lisboa perde todos os dias um pouco mais do pouco que ainda lhe resta da sua traça, das bonitas fachadas e dos bonitos interiores que já teve. Nas avenidas, no comércio tradicional (veja-se, por exemplo, o que aconteceu à Manteigaria Londrina (Portas Sto.Antão), à Pastelaria Marques (R.Garrett), à Cervejaria Derbi (Portas Sto.Antão), à Perfumaria Pompadour (R.Garrett), nos prédios de habitação, nos edifícios históricos.

E perde esse património em resultado de várias coisas, desde uma lei de arrendamento comercial mal feita e mal aplicada (que importa rever com urgência!), à ideia errada de obrigar os proprietários de imóveis classificados a arcarem com a totalidade dos encargos de preservação e recuperação (porque não a adopção de incentivos fiscais camarários a quem vê o seu edifício classificado?), passando pela indiferença dos lisboetas.

A fim de deixarmos às futuras gerações mais do que o nosso testemunho ou o dos nossos pais; achamos que há que preservar, por um lado, os edifícios notáveis de Lisboa e, por outro, a memória da cidade. Temos que preservar certas zonas de Lisboa, zonas consolidadas (por ex. Avenidas Novas, Campo de Ourique, Arroios, zona da Avenida da Liberdade, etc.), onde é preciso impedir que sejam feitas novas construções que não respeitem as cérceas e os alinhamentos pré-existentes. Há que garantir mesmo reabilitação e apenas reabilitação do que existe, e não construções novas.

Mas também é preciso proteger o que resta do que era bom no nosso comércio, os nossos cafés, confeitarias, casas de café e chá, chapelarias e sapatarias, perfumarias, alfaiatarias, barbearias, tabacarias, etc., etc. (ver listagem indicativa, em
http://cidadanialx.tripod.com/listacomercio.pdf), mas sem se cair na tentação do "parque temático", defendendo algo que já não faz sentido.

Por julgarmos que a melhor forma de proteger esse património passa, numa primeira fase, pela sua classificação pelo IPPAR , achamos que está na hora de cada alfacinha utilizar os instrumentos que aquele Instituto lhe disponibiliza para o efeito na Net:

- No portal http://www.ippar.pt/ferramentas/faqs/faqs.html#perg2, podemos inscrever os casos que achamos que justificam ser classificados pelo IPPAR, e assim defendidos do especulador imobiliário de ocasião, ou de quem acha que "o que é velho não presta";

- No formulário "Como alertar o IPPAR de eventuais ameaças ao património?", em http://www.ippar.pt/ferramentas/formularios/proteja.html; podemos denunciar ao IPPAR os casos de património já classificado (ex. Prémios Valmor, etc.) , que sejam objecto de vandalismo ou mutilação.

Por outro lado, todos nós, cidadãos por uma Lisboa melhor, devemos reivindicar junto da CML que defina de uma vez por todas quais as artérias de Lisboa onde não pode ser deitada abaixo nem mais uma fachada! É tempo de ser protegida não só a moradia X da Avenida da República, o prédio Y, da Avenida da Liberdade, ou o edifício Z da Av.Duque de Loulé, mas todos os outros que os enquadram, a fim de se evitarem coisas extaordinárias como a que se verifica na R.Alexandre Herculano, onde os prédios de Ventura Terra ficaram esmagados por prédios modernos muito mais altos.

É este sinal de alerta que pretendemos com esta campanha.

Paulo Ferrero, Pedro Policarpo e Bernardo Ferreira de Carvalho

28/11/2005

Homenagem a Vasco Franco: porquê?

Trata-se de uma pessoa simpática, sem dúvida alguma, e pode ter tido um papel determinante no guerra às barracas, que só por manifesto desleixo e indiferença se arrastou até ao final do século passado!!!

Mas o seu entendimento das sociedades de reabilitação urbana, e o seu acordo tácito (ou inactividade) ao negócio do Parque Mayer não fecham a sua vereação com chave de ouro, não senhor

"O ex-vereador pretende agora escrever um ensaio histórico sobre a Maçonaria, uma obra de ficção associada à crise académica de finais dos anos 60 e dedicar-se à fotografia, uma paixão desde a juventude". E que irá fazer profissionalmente?

PF

A "Lisboa de Almeida Garrett", segundo a CML

Pode ler-se na pág. 97 da Agenda da CML do corrente mês, dedicada à secção "Ar Livre":

"Nos 150 anos da morte do escritor, propõe-se um percurso pela sua última morada e pelos sítios que ao seu redor, seguramente, foram visitados e vividos pelos pioneiros dos românticos portugueses.
Marcações para Novembro:
Seg. a Sex: 10h-17h
"

Como a "última morada" é o que se sabe, ficamos a perceber porque se trata de um passeio ao ar livre.

PF

25/11/2005

E foi a gota de água

Aturei, ainda pequenito, o malfadado viaduto que acabou com as árvores na placa central e nas placas da avenida. Aturei as marquises dos vizinhos e os seus estores patéticos. Aturei a manutenção das antenas no telhado, apesar de todos os moradores terem TV-Cabo. Aturei as canalizações e tubagens da escada, colocadas fora das paredes por o senhorio não querer alargar os cordões à bolsa. Aturei a publicidade no chão e o arranque dos auto-colantes "Publicidade Aqui, Não, Obrigado". Aturei a substituição da placa de campaínhas, e dos magníficos interruptores da escada. Aturei as obras de fachada. Aturei a desmontagem das lagartas em ferro do elevador, e a colocação de porta opaca, que sufoca qualquer um. Aturei o mau estado do corrimão de madeira e a falta de polimento da bonita porta de entrada. Anunciam-me que vão dar cabo das minhas caixas de correio, único vestígio de qualidade que ainda resta no meu prédio, feitas em ferro e bordejadas a risca encarnada. Foi a gota de água. Ando em busca de casa nova.

PF

23/11/2005

Aeroporto fora do centro de Lx, já!

Subscrevo ipsis verbis a posta brilhante do Substrato, sob o título "Idiotas", com a ressalva de que não sou "Otário".

Subscrevo tudo menos a descrença no TGV. Vamos a factos:

- Portugal, país diminuto em termos geográficos, tem, incompreensivelmente, uns comboios péssimos (linhas estupidamente desactivadas, horários por cumprir, composições pequenas, etc.), que teimam em ser piores do que muitos comboios de mercadorias por essa Europa fora, com quem nos orgulhamos de comparar. A linha da Cascais e o Lx-Porto é o melhorzinho que temos e estamos falados;

- A linha do TGV jé devia ter sido implementada em Portugal há pelo menos 15 anos, quando Madrid já ia a Córdova de TGV;

- A linha de TGV que vier a ser feita não o será porque seja preciso servir apeadeiros do "pouca-terra", em Leiria, Coimbra ou Aveiro, não, sê-lo-á porque é preciso unir por comboio de alta-velocidade, competindo com as linhas aérias, Portugal a Espanha (leia-se Europa); desde Lisboa a Madrid, e do Porto a Vigo (de preferência sem qualquer paragem entre os destinos). Tudo o mais são jogos de bastidores que podem jogar tudo a perder, mais uma vez, para vergonha nacional.

Por isso é tempo de nos deixarmos de discussões infantis sobre os efeitos supostamente negativos no turismo de Lisboa, se o aeroporto desaparecer de Lisboa, ou darmos atenção às manifestações parolas de "eu também quero uma estação de TGV na minha aldeia".

PF

21/11/2005

A cidade das ideias mortas

É domingo de manhã, domingo de eleições, e, com a Solveig Nordlund, acabo por ir parar aos Coruchéus, aquele simpático jardinzinho mesmo por trás do Vává, entre a Estados Unidos e a Avenida da Igreja, jardim, palácio, ateliers de artista, um café no meio da praça.

A relva está a monte, os espelhos de água sujos, lixo um pouco por todo o lado, cócó de cão, embalagens perdidas, um rapaz aquece a heroína sentado nos degraus do palacete onde pomposa lápide indica “Divisão do Património Municipal”.

Há mais de uma década que não passava pelos Coruchéus, ouvira os rumores de como aquilo se transformara em local de transacção de droga, queixas de moradores, a galeria foi murchando e eu deixei de passar por lá. E, no entanto, ainda antes da Revolução de 1974, o Município ( liderado por França Borges) lançara ali uma ideia ( francesa, à la Malraux) que era bonita e era interessante: um canto da cidade reservado para ateliers de artista, uma cantina comum. E lá estão, formando um L, os belos prédios desenhados por Fernando Peres para 50 ateliers, práticos, bauhausianos, riscados no bairro de casas económicas de salazarenta modéstia e os lagos, e o jardim e um solitária estátua que parece abandonada ali no meio, esquecida. A cantina transformou-se em Galeria e Dulce d´Agro aí inaugurou a Quadrum, que nos anos 70, tantas vezes me fez ir aos Coruchéus, galeria activa, interveniente, provocatória, modelar na sua especificidade, com os melhores dos nossos artistas, o Angelo de Sousa ( foi ali que o descobri, ou não?), o Alberto Carneiro, o Palolo com expoislção admirável, papéis enormes,pendões e uma instalação crucial na sua obra, também foi ali que vi a sempre inquietante, tão feroz Ana Vieira, não foi? Vejam o catálogo de artistas, entre 1973 e 94, 20 anos.

Depois a galeria foi definhando, ao que percebo, na net, (www.galeriaquadrum.com) é agora Cerveira Pinto e a Aula do Risco quem se ocupa daquele espaço. Mas, no domingo 9 de Outubro, o pendão camarário que o vento agitava anunciava uma exposição ( “O Grande Estuário”) que teria fechado em Março passado – e que, ao que suponho, ainda lá está dentro, tanto quanto pude ver.

Um escultor saiu, entretanto, do seu atelier atulhado ( gosto de espreitar o que as portas revelam das vidas) e veio dar migalhas de pão às aves – nenhuma desceu para receber a dádiva. Talvez depois. Quem usa os Coruchéus?

Quem está naqueles ateliers práticos, modestos, rápidos, modernos? Como se tem acesso àqueles espaços camarários? São 50 ateliers. Quem frequenta o café instalado no centro do jardim, local de convívio, espaçoso, luminoso? Quem pinta ao ar livre no pátio onde a relva, desalinhada, cresce e que deveria estar ajardinado, mesmo por trás? Quem deixa esta água podre nos lagos?

Não há crianças que venham brincar neste jardim tão calmo? Nem estátuas para instalarem? Nem festas anuais para visitarmos os ateliers de porta aberta? Nem bailes de belas-artes em Junho, noite fora? Nem conversas?

Os edifícios mostram o desgaste dos anos, a pobreza, a tinta caiu, um ou outro ainda tenta arrebicar-se com umas plantas, a impressão é de desolação, ferrugem, de arrabalde, de abandono, de mistério, desleixo público, porcaria.

E no centro, pimpão, retocado de branco, o palacete ( do século XIX mas fingindo classicismo renascentista numa loggia engraçadinha) onde funciona a Divisão do Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, ironia, maldade, que ideia, com o património ali mesmo, esquecido.

Porque é que Lisboa esquece?

Porque é que este gesto que foi interessante, este projecto de instalar um quarteirão de artistas não avançou, se perdeu, se esqueceu, se deteriorou, se abandonou? Porque é que Lisboa vai deitando para trás tudo aquilo de que em dia bom alguém ( até o França Borges da ditadura!) se foi lembrando?

Estes Coruchéus são uma ideia boa e simples – podiam viver de vida sua, iluminando o bairro, dando luz à cidade. Mas, como sempre, “estão para ali”, ideia abandonada que irá morrer de morte natural perante a indignação de uns quantos – ou continuar a sua modorra sem responder aos desafios que são os seus, entre privilégios adquiridos e desleixo.

Estamos perto do Campo Grande, chove ligeiramente e vamos ver o museu Bordalo que a CML restaurou e reabriu em vésperas de eleições com exposição temporária e tudo.

Sim senhores, bom trabalho.

É bonita a recuperação do edifício, interessante a exposição organizada por João Pinharanda ( que bom voltar a ver estes papéis recentes do Eduardo Batarda, eu gosto cada vez mais do seu lugar singular neste país insensato), o museu tem preocupações didácticas evidentes, vocaciona-se para visitas escolares, cheio de multimédia, computadores, videos – não seria a minha escolha um tão obvio esvaziamento do artístico em troca do informativo, mas está bem e está bem feito.

Por uma bela porta-janela entrevê-se o Jardim do Campo Grande, tão bonito.

Nem se diria que também ele é jardim-lixeira, esgoto da cidade, parece campo, e lembramo-nos das hortas do século XIX.

E saímos intranquilos do Museu Bordalo Pinheiro, com esta pergunta: quanto tempo ficará assim?

Voltam-me à memória os primeiros anos dos Coruchéus, lembro-me de ter pensado bem da ideia, da modernização, da vida insuflada a bairro de residências. Lembro-me de conversas no jardim com a Dulce d´Agro, com artistas, o Joâo Vieira, o Alberto Carneiro, o Alvaro Lapa, era bom ir fumar um cigarro no jardim com o Rui Mário Gonçalves.

Mas Lisboa abandonou, esqueceu, passou a outra. Será sempre, sempre assim? Terá de ser assim?

E caminharemos sempre por esta cidade como se fosse por cemitério de ideias que a vida foi matando, esquecendo?


Jorge Silva Melo

A estátua de D.José I, segundo Raúl Proença

A propósito de um post aqui colocado sobre as visitas/viagens que a CML está a organizar, com boa adesão, em torno da estátua de D.José I (a que não tenho conseguido ir mas hei-de ir...)coloco aqui a descrição (resumida)de que dela faz o inimitável guia de Raúl Proença:

"A estátua de D.José I, no Terreiro do Paço - conhecido pelos ingleses como Black Horse Square -, é do cinzel do grande escultor Machado de Castro, e foi fundida no Arsenal do Exército, a um só jacto, em 15 de Outubro de 1774, sob a direcção do Tenente-General Bartolomeu da Costa (que viria a ter problemas em assistir à inauguração), tendo sido, inclusive, a primeira estátua a ser fundida em bronze em Portugal.

Só a operação de montagem da estátua demorou cerca de 15 dias, contando com 3 dias e meio só para o seu transporte desde o Arsenal para o Terreiro do Paço (a 22 de Maio de 1775, em carro puxado por mais de 1.000 pessoas, entre as quais muitas das colunáveis de então), tendo sido colocada no pedestal no dia 2 de Junto de 1775, e inaugurada oficialmente no dia 6 de Junho de 1775.

A estátua de D.José I pesa 29.731 Kg resultantes de 38.564 Kg de bronze fundido (derretido em 28h), que demoraram 8 minutos a preencher o respectivo molde. A estátua mede 6,93 metros de altura.

O monumento mede 14 metros de altura no seu todo. O pedestal é feito em pedra de lioz, de Pero Pinheiro, e é composto de dois grupos alegóricos, o Triunfo e a Fama. A frente do pedestal tem as armas de D.José I, e sob estas um medalhão com efíge do Marquês de Pombal, em bronze, com uma inscrição em latim (Cenáculo), tendo o mesmo sido retirado em 1777 por ordem de Dona Maria, depois da «queda» do Marquês; e reposto no seu lugar em 1823. A Norte tem uma alegoria em baixo-relevo sobre a "Generosidade Régia", que fez reerguer Lisboa das cinzas e das ruínas
."

Aguarda-se que, depois deste pacote de viagens, alguém decida restaurar aquela que é a melhor estátua de Lisboa, e uma das mais belas estátuas equestres da Europa. E que o cavalo de D. José volte a ser da cor de ébano.

PF

Petição pela Reabilitação da Rua Ramalho Ortigão

Ana de Sousa

20/11/2005

Alguém sabe a explicação...

... para o cheiro nojento que hoje invadiu a Cidade?

PP

17/11/2005

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer


Enquanto a CML (bem) patrocina, até final de Novembro, uma magnífica iniciativa do Gabinete de Estudos Olisiponenses sobre os 150 anos do nascimento do grande poeta que foi Cesário Verde (1855-1886); a mesma CML (mal) continua sem saber, mais uma vez, o que fazer com a bela casa onde o poeta morreu.

PF

Carmona embarga obra na estação do Rossio

Pergunta-se se o tal "monumento", a que se refere a nota, é todo o edifício ou se é só a fachada da estação e o cais (cobertura e painéis de Lima de Freitas)? Não estamos a falar da imundície que é (e sempre foi) aquele c.c. nem dos escritórios que infestam a estação, pois não?

Comenta-se a razão porque toda a gente fala da Colecção Berardo, mas ninguém mexe um dedo que seja para que ela fique realmente em Lisboa.

PF

16/11/2005

Agenda cultural: CML vs. CMC

A diferença da Cultura em Lisboa e em Cascais está aqui

15/11/2005

Metro vai arrancar para a Portela

Parece que agora é que é: vamos ter Metro no Aeroporto da Portela, e os moradores dos Olivais foram respeitados. Só não se percebem duas coisas:

- Qual a razão do Metro não fazer a ligação à Portela, via estação do Campo Grande, cuja extensão da via seria muito mais pequena, e sem custos de oportunidade de maior;

- Se só depois de 40 anos de Metro e de mais uns quantos de Aeroporto na Portela, é que se planeia o Metro até lá; como se explica que se queira investir de facto num novo aeroporto, a dezenas de Km de Lisboa, que seja seguro e evite a poluição que este faz em Lisboa?

PF

Ar de Lisboa é dos mais poluídos da Europa

A notícia que hoje consta de quase toda a imprensa, nem sequer é notícia, pois só alguém com "grau zero" de compreensão poderia pensar o contrário. No entanto, isso não impede que:
- Os chamados transportes públicos, leia-se autocarros e táxis, continuem a poluir a atmosfera a um ritmo alucinante (dão-se alvíssaras a quem descobrir como se processam as IPO daqueles veículos!);
- As árvores de copa frondosa, em Lisboa, sejam substituídas por exemplares raquíticos, e se continue a ter "n" ruas e avenidas sem uma única árvore;
- O aeroporto de Lisboa continua a estar onde está, e a ser usado como argumento para esgrima de político, de 4 em 4 anos;
- As medidas de fundo (parques na periferia, interfaces verdadeiros, linhas de metro de superfície, mais eléctricos, mais zonas com trânsito fortemente condicionado), no que toca aos transportes dentro e na periferia de Lisboa, continuem adiadas (pelas sucessivas CML e pelo Governo) para as calendas gregas, substituidas por medidas de diversão (ex. parques dissuasores nos estádios de Alvalade, Luz e Expo).

PF

14/11/2005

Ainda sobre a hipótese "Junta do Oriente"

Recebemos de Marco Lopes, o e-mail que passamos a divulgar, por julgarmos importante para a discussão:

"Caros Senhores,

Escrevo em nome da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações, que representa a comunidade deste bairro de Lisboa.

Damo-vos os parabéns pelo blog, pelo site e pelas iniciativas. Pensamos que é importante defender os interesses da nossa cidade (e é isso que nós também tentamos fazer).

Gostávamos de lhe agradecer o interesse demonstrado pela questão da Freguesia do Oriente. No entanto, em nome dos interesses da cidade, pensamos que o post http://cidadanialx.blogspot.com/2005/11/uma-nova-junta-de-freguesia-na-expo.html erra o alvo quando não concorda com a criação desta freguesia e consequente alteração dos limites da cidade.

Convidamo-vos a ler o texto da petição para que possa considerar os argumentos: http://www.amcpn.com/amcpn/freg.ori_2a.peticao.asp

Convidamo-lo ainda a ler o blog http://freguesiadooriente.blogspot.com e o site da associação www.amcpn.com, para que se possa informar sobre a questão e sobre outras actividades deste bairro de Lisboa.

Gostávamos de afirmar que, tal como o seu blog, nos preocupamos pela cidade de Lisboa (que achamos ser, legitimamente, a nossa cidade, visto ter sido a organizadora da Exposição e ser com ela que nos identificamos). Como poderá comprovar pelos problemas a resolver nesta área de Lisboa indicados na petição, a criação da nova freguesia deve ser apoiada por todos os lisboetas que pretendem uma cidade activa, onde os seus habitantes se possam empenhar na defesa dos seus interesses e não se vejam enredados numa malha burocrática anacrónica — como se vêem os habitantes do Parque das Nações, que não conseguem agir em comum em relação às instituições autárquicas, por estarem divididos em três freguesias e dois concelhos. A Freguesia do Oriente irá trazer dinamismo à cidade, permitirá criar uma comunidade forte e será, esperamos, o ponto de partida para adequar o mapa autárquico de Lisboa à realidade.

Achamos que os limites dos concelhos e das freguesias não são sagrados e que devemos pugnar por uma gestão racional e realista do nosso espaço. Pensamos ainda que manter a actual divisão e permitir que, quando a Parque Expo abandonar este espaço, um bairro criado de raiz seja dividido arbitrariamente é atentar contra os interesses da nossa cidade.

Como nota final, gostaríamos de afirmar que a Parque Expo vai transferir a gestão da parcela do Parque das Nações que está dentro de Lisboa para a Câmara, ficando a parte de Loures "pendurada", pois essa Câmara não tem condições financeiras para a gerir. O facto é que o Parque das Nações é um espaço com infra-estruturas comuns, cuja gestão unificada é aconselhável tecnicamente e cuja divisão implicará vários custos adicionais.

Somos lisboetas com orgulho e é por isso que lutamos pela nova freguesia. Não se trata de complicar a realidade, mas antes de simplificá-la e melhorar a vida de muitos lisboetas que aqui vivem, trabalham, estudam e passeiam. Por isso, convidamo-vos a analisar a questão e pedimos o vosso apoio para esta "pequena" causa, que é do interesse de todos (afinal, a gestão racional do Parque das Nações não só permitirá garantir a preservação deste espaço importante da cidade, como ficará mais barata para os contribuintes). Convidamo-vos a juntarmos esforços em defesa da cidade de Lisboa.

A nossa associação está a organizar várias actividades, que terão interesse para todos os lisboetas. Se assim o desejarem, teremos todo o gosto em enviar informações sobre as actividades e acções desenvolvidas por esta associação de moradores. Lisboa só terá a ganhar em ter esta comunidade (sem divisões artificiais) empenhada no bem-estar da cidade. Lisboa será uma cidade melhor com um Parque das Nações unido e activo, como pretendemos que seja.

Cumprimentos sinceros,

Marco A. F. Neves
"

Ao qual seguiu a seguinte resposta:

"Caro Marco Neves

Obrigado pelo seu e-mail e pelos parabéns que nos endereça.

Se nos permite, iremos colocar o seu e-mail no blogue, a fim dos interessados terem acesso directo ao texto da v/petição, e ao v/blogue, se assim o desejarem.

Já li os vossos argumentos expressos na petição, com os quais concordo enquanto reivindicação, a quem de direito, por uma melhor qualidade de vida na zona da Expo ; mas discordo que isso se revolva pela criação de uma junta de freguesia.

A razão é simples: aposto consigo como a maior parte dos problemas que apontam são comuns aos das 53 freguesias já existentes.

Depois, a criação de uma 54ª junta significará só isso: mais uma junta.

Não irá trazer nenhum dinamismo à cidade, nem irá resolver nenhum dos problemas estruturais das juntas, porque eles não têm solução, salvo se acabarem com todas as juntas e começarem tudo de novo (limites, competências, estrutura, pessoas, etc.)... o que manifestamente é impossível nos tempos mais próximos (leia-se década), por motivos óbvios. Ninguém irá mexer seja no que for.

Além do mais, não acredito nas Juntas, nem enquanto estruturas intermédias CML-cidadãos. Tenho exemplos mais que suficientes que me permitem afirmar isso, na minha própria Junta, nos mais variados campos, e desde que ela existe, ou seja, há 30 anos. Porque razão a "Junta do Oriente" irá ser diferente?

Já pensou que se as pessoas fossem competentes, esses problemas nunca existiriam numa zona, a Expo, que foi criada há nem 10 anos?

Já viu que todo o modelo por detrás da Expo é um perfeito disparate? Parque Expo, urbanização, arruamentos, Gare do Oriente (que monumental desperdício?!), modelo organizacional, modelo de gestão, etc., etc.?

E agora? dir-me-á. Uma boa pergunta, sem dúvida.

Não tenho uma resposta para ela, a não ser cortar a direito: revolucionar o modelo administrativo e territorial do município de Lisboa.

Acrescentar-se uma 54ª freguesia a um mapa de freguesias completamete inviável e sem sentido,não me parece ser a solução, por muito que me sinta solidário com a falta de escolas, com a má rede de transportes, com a insegurança, com a especulação imobiliária, com o isolamento, etc. da zona da Expo.

Isso é o que eu acho, mas é apenas a minha opinião, caro Marco Neves.

E continue a enviar-nos notícias sobre a vossa (bonita) zona, que quem de direito, infelizmente, não soube aproveitar enquanto oportunidade de fazer um novo urbanismo em Lisboa, por força da Expo'98.

Melhores cumprimentos

PF
"

11/11/2005

Uma nova Junta de Freguesia na Expo??!!

Cerca de mil moradores na zona da antiga Expo já assinaram a petição pró-criação de "Freguesia do Oriente", conforme se lê no Olissipo. Numa altura em que se constata o número excessivo, a inoperância e redundância dessas coisas a que se achou por bem designar como "juntas de freguesia"; aumentar-se de 53 para 54 o número de freguesias em Lisboa é, no mínimo, um contra-senso. Por muito que os moradores achem o contrário, e por muito atractivo que isso seja. Mas essa é a minha opinião, claro.

PF

10/11/2005

Exposição "As Primeiras-Damas da República Portuguesa"

O Palácio Pombal (antigas instalações do IADE), na Rua do Alecrim, ao Chiado, albergará a partir de Sábado e até ao adia 23 de Dezembro, julgo, a exposição mencionada em epígrafe, pelo que é oportuno ir lá, quanto mais não seja para se visitar o interior de um palácio quase secreto.

Aos interessados, aqui fica o resumo da visita, via Sapo:

As Primeiras-Damas da Repúbica Portuguesa», exposição patente ao Público na Sede Cultural do IADE (Rua do Alecrim 70, Lisboa), a partir de 12 de Outubro, ela procura descortinar o véu de uma história que permanece inédita entre nós: quem foram, qual o percurso seguido e que papel desempenharam as mulheres que muitas vezes permaneceram na sombra dos Presidentes da República Portuguesa, desde 1910 até à actualidade.

Essa descoberta será feita através de uma viagem no tempo, em que o visitante passará por três períodos distintos: a I República (1910-1926), a Ditadura Militar e o Estado Novo (1926-1974) e a Democracia (1974-2005). Nesse percurso, será reconstituída a biografia de cada uma das senhoras, através de documentação, fotografias e objectos pessoais que foram sendo recolhidos, para o efeito, junto de familiares – testemunhos de uma vida que até aqui permaneceu, na maioria dos casos, no anonimato. No seu conjunto, retratam o perfil de cada uma delas, com particular destaque para o período durante o qual desempenharam a função de primeira-dama. Nesse sentido, uma parte da mostra será dedicada à exposição de vestidos e jóias utilizados, nomeadamente, em ocasiões oficiais, à semelhança de presentes recebidos na qualidade de primeira-dama e que estarão igualmente expostos. A finalizar o percurso, o visitante poderá ainda espreitar o Gabinete do Cônjuge do Presidente da República, numa pequena viagem até ao quotidiano do Palácio de Belém
"

PF

Urge recuperar a Igreja de Campolide

Já todos sabemos o estado de abandono em que se encontram inúmeros edifícios de Lisboa e do país, classificados ou não, premiados ou não. Só um cego não pode ver. Igrejas, conventos, mosteiros, palácios, estátuas, palacetes, moradias, pontes, salas de espectáculo, moradias, enfim, um pouco e tudo. O país é pobre. O ritmo a que se fazem os restauros é lento. Mas há um caso em plena Lisboa que mete dó: Igreja de Santo António de Campolide Toda a gente sabe e ninguém intervém. É o jogo do empurra. Honra seja feita ao pároco local, incansável nos seus apelos. E ao CNC por fazer eco deles. Mas falta o resto.

PF

09/11/2005

Prédio avança 5 metros em relação aos vizinhos!!

De João Belard Correia (obrigado!), recebemos esta notícia publicada no PÚBLICO (7/11/05), com o título "Prédio avança 5 metros em relação aos vizinhos. Câmara de Lisboa entregou passeio e espaço público a um construtor civil", assinada pelo jornalista José António Cerejo:

"Donos da obra dizem que foi a câmara quem decidiu que o prédio tinha de avançar em relação ao alinhamento da rua para respeitar o regulamento em vigor

A Câmara de Lisboa autorizou a construção de um edifício de seis pisos acima do solo, na Rua D. Filipa de Vilhena, ao Campo Pequeno, que roubou mais de 150 metros quadrados ao passeio público e a uma zona de estacionamento da EMEL. Visto da Rua do Arco do Cego, do lado da sede da Caixa Geral de Depósitos, ou da entrada da D. Filipa de Vilhena, o prédio em construção quebra abruptamente o alinhamento dos prédios contíguos, avançando em relação a estes, de ambos os lados, cerca de cinco metros.

Licenciado em Outubro do ano passado por despacho da anterior vereadora do Urbanismo, Eduarda Napoleão, o edifício, com uma fachada de cerca de trinta metros, encontra-se em fase adiantada de construção e pertence à empresa Jaime Dominguez Gonzalez & Filhos, da família dos proprietários do restaurante Gambrinus. No local existia uma velha moradia parcialmente arruinada, com quintal à volta, que ocupava um lote delimitado pelos passeios das ruas D. Filipa de Vilhena e Elias Garcia.

A obra em curso extravasou, porém, os limites do lote dos proprietários e avançou ostensivamente sobre o espaço público. O passeio de perto de dois metros de lado da D. Filipa de Vilhena, que seguia em linha recta, viu-se subitamente interrompido pela nova construção, a qual ocupou ainda um espaço contíguo com o dobro da largura passeio, onde a Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa explorava quase duas dezenas de lugares pagos.

"Além de ficarmos sem estes lugares todos de estacionamento, a rua ficou completamente desfigurada e o passeio que era direito vai ficar um labirinto", afirma um morador de um dos prédios vizinhos.

Surpreendida pela situação ficou também a EMEL, a quem o PÚBLICO perguntou que tipo de contrapartidas tinha recebido do promotor imobiliário para ceder aquela área. "A EMEL não foi consultada sobre a ocupação desse espaço", limitou-se a responder, por escrito, o presidente da empresa municipal, Carlos Eduardo Oliveira e Silva.

'Prédio projectado não cabia no lote dos proprietários'
Mais poupados em explicações foram os serviços de Urbanismo do município.

Questionado sobre o assunto na véspera do termo do mandato de Eduarda Napoleão, o gabinete da vereadora não chegou a dar qualquer resposta. O mesmo aconteceu com o director municipal de Gestão Urbanística, José Teles - que foi contactado na segunda-feira passada e não adiantou qualquer explicação -, e com o gabinete do presidente da câmara, Carmona Rodrigues, a quem foram pedidas informações em meados da semana, sem resposta até à data.

Pronta a explicar-se mostrou-se a empresa proprietária do edifício em construção. "A câmara entendeu por bem, e acho muito bem, impor aquela solução para que fosse exequível a construção", disse Jesus Dominguez, administrador da sociedade. O empresário adiantou que a moradia, "em ruínas", e o logradouro estavam transformados num "local de deposição de entulhos e de lixo da vizinhança" e num abrigo de toxicodependentes.

"O que é que é melhor? É que lá fique um edifício condigno, como estamos a fazer ou aquilo que lá estava?", interroga. Jesus Dominguez explicou depois que "sem avançar [para o passeio e para o estacionamento] não era possível construir o que está a ser construído mercê das construções existentes a tardoz e dos regulamentos". Quer isto dizer que a construção de um edifício de seis pisos, com a profundidade que este tem, não seria regulamentar, dentro do terreno da empresa, por a sua altura ultrapassar a linha de 45 graus definida a partir da base das construções existentes nas traseiras. A solução proposta pela câmara para viabilizar o projecto, segundo esta versão, foi portanto a de fazer avançar a construção para os terrenos públicos.

Questionado sobre se não teria sido possível respeitar o regulamento, sem ultrapassar as estremas do lote, com a construção de um prédio mais baixo, Jesus Dominguez respondeu: "Nessas condições nenhum promotor estaria interessado em construir." Quanto ao preço pago à câmara pela faixa de terreno municipal, o empresário não dispunha dessa informação quando foi contactado
".

Visitas guiadas (e surrealistas) à estátua de Dom José I

A notícia está no site da CML: "A Câmara Municipal de Lisboa, através do Departamento de Património Cultural, tem o prazer de convidar V. Exa. para as visitas guiadas intituladas “A Viagem de D. José I”. O percurso tem início no Museu Militar, passa pela Sala dos Gessos, e termina junto à estátua equestre de D. José I, na Praça da Figueira, realizando-se nos dias 13, 20 e 27 de Novembro, das 10h às 13h. Estas visitas vêm na sequência das anteriormente realizadas com a colaboração do Museu Militar. A frequência da visita é gratuita e está sujeita a marcação prévia até à Sexta-feira anterior a cada data, com Maria José Figueiredo, através do telef.: 21 792 46 51."

Bom, não sei se já é a primeira iniciativa do novo Vereador da Cultura, Amaral Lopes, mas parece-me um pouco surrealista estar a promover-se uma visita guiada à estátua do Rei D.José. Quando li a notícia até pensei que talvez alguém tivesse encontrado alguns túneis mirabolantes nas profundezas dos eternos buracos do Terreiro do Paço, que nos permitissem ver a estátua por debaixo do pedestal. Ou então, pensei eu, que os elementos decorativos de Machado de Castro tivessem inchado tanto, tanto, que aos humanos fosse agora possível entrar pelo cavalo adentro.

Mas não, lida melhor a notícia, o que se passa é que a dita "viagem" é mesmo uma viagem em termos de espaço e tempo: começa no belo Museu Militar, passa pela Sala dos Gessos e termina junto à estátua. Tem piada, já visitei algumas vezes o Museu Militar (antes das inundações), quis visitar e não pude a Sala dos Gessos, e costumo admirar quase diariamente a obra-prima da nossa estatuária; mas nunca tinha pensado em termos de "Viagem de D.José I".

É uma iniciativa engraçada, esta, mas seria melhor que na tal viagem se visse recuperada a zona envolvente ao Museu Militar, bem como o Chafariz de Dentro, o Chafariz d'El-Rei, o Palácio Cabral, o Campo das Cebolas, a Casa dos Bicos, a Igreja de Conceição Velha, o Arco da Rua Augusta, o Terreiro do Paço e, finalmente, a própria estátua em si (tem tanta patine que nem se vislumbra a cor de ébano do cavalo!), e dignidade da placa central em que se insere.

PF
P.S.- Vou tentar ir à "viagem", claro.

Os novos vereadores da CML, em carne e osso!

Isto não há nada como a Net. Aqui estão os novos Vereadores da CML, ou seja, a quem vamos elogiar ou criticar, apresentar ideias ou reclamar acções, durante os próximos quatro anos. Finalmente, e em carne e osso.

PF

P.S.-Seguirá dentro de momentos a nossa previsão, caso a caso.